Leandro Herrera

O paralelo entre investimento e retorno na educação de adultos

A forma como olhamos para o nosso próprio aprendizado está em processo acelerado de disrupção, baseando-se numa lógica muito mais objetiva do que tínhamos no passado

Durante o último ano, as empresas em geral investiram muito em novas tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e automação. Especialmente por causa da descentralização do trabalho, vimos explodir a demanda por profissionais com competências em análise de dados e desenvolvimento de produtos digitais, resultando em uma grande procura do mercado — muito maior que a oferta disponível. Organizações nativas digitais já estão contratando esses profissionais em quantidade há pelo menos quatro ou cinco anos. A novidade, hoje, é que investir em digitalização é essencial para qualquer negócio se manter competitivo, e grandes empresas tidas como “tradicionais” entraram no jogo. A tendência é a mesma de antes, o que aumentou foi a urgência e o tamanho.

Mais velocidade e escala, porém, também tornam o cenário mais exigente. A forma como adultos estão olhando para sua própria educação está em processo acelerado de disrupção, baseando-se numa lógica de investimento e retorno muito mais objetiva do que tínhamos no passado. O curso em si é e sempre foi um meio para que as pessoas possam ascender profissionalmente, mas agora elas botam a conta no papel, analisando qual vai ser o custo dessa transição de carreira e qual será o retorno em salário — de entrada e de expectativa para os anos seguintes.

É em razão desse novo olhar para a educação que um imediatismo surge. O que não acontecia quando se optava por fazer uma graduação ou pós-graduação, agora acontece em cursos especializados, em que a pessoa sabe o que é bom para sua jornada profissional e tem, ainda, um parâmetro objetivo claro de onde e quando quer chegar. Por isso, variações de modelos de negócio estão surgindo rapidamente para atender a esse tipo de demanda — já que, além dos cursos tradicionais não preencherem todas as vagas abertas no mercado, boa parte dos conhecimentos adquiridos neles tende a ficar obsoleta.

Uma dessas variações é o modelo de financiamento de Income Share Agreement (ISA) — em português, “Contrato de Compartilhamento de Renda” —, em que o aluno só paga o curso depois de estar formado e empregado com uma remuneração mínima. Esse formato gera um alinhamento de interesses e compromisso muito maior entre estudante e escola quando falamos de oportunidades de aumento de renda e de empregabilidade. Fim dos juros altos, novos profissionais capacitados e maior acessibilidade ao ecossistema de tecnologia são alguns dos diversos benefícios vistos nesse modelo.

Para a educação adulta, as possibilidades e o potencial de métodos alternativos de aprendizagem ainda são muito novos. Além do o mercado de educação sempre ter sido visto com certa desconfiança, especialmente pela sua ligação teimosa e duradoura com métodos antigos, foi só nos últimos anos, com a popularização da tecnologia, que as soluções oferecidas pelas edtechs receberam maior atenção.

Hoje, já podemos dizer que a maioria das pessoas que atuam com UX Designers, Cientistas de Dados ou Desenvolvedores — carreiras com altíssima demanda no mercado de trabalho — não se formaram originalmente nestas áreas, mas buscaram formatos alternativos de educação para se qualificar e acessar novas oportunidades.

Para os próximos anos, segundo dados do Fórum Econômico Mundial, a projeção é de que 75 milhões de ocupações passarão a ser feitas por robôs e de que, por outro lado, 133 milhões de empregos serão criados (27% ligados ao eixo de habilidades relacionadas à tecnologia). Com um saldo positivo em 58 milhões, vemos que mais de um quarto de todos os novos postos de trabalho ficarão dentro de categorias relacionadas à criação, produção e distribuição de produtos, serviços e soluções de base hi-tech.

Mais do que nunca, e com mais opções do que nunca, é hora de investir em educação.

Nota

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Leandro Herrera

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