Cristiane Quartaroli

Selic: para o alto e avante

Por mais que o livro texto nos diga que o efeito do aumento de juros comece a aparecer na inflação em aproximadamente 9 meses após início do ciclo, nem sempre é assim

O Copom (Comitê de Política Monetária) irá se reunir na próxima quarta-feira (2) e deve elevar a Selic para 10,75% a.a.. Será o oitavo aumento desde que o Banco Central iniciou o ciclo de aperto monetário – em março de 2021 – para tentar conter o avanço da inflação. Contudo, desde então, os números de inflação não param de surpreender negativamente. Todo mês é a mesma história e a cada resultado novo do IPCA vemos o mercado ajustando as projeções de inflação. Adivinhem? Para cima!

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Mas, se o Banco Central aumenta os juros para evitar que tanto a inflação corrente aumente ainda mais, quanto as projeções futuras parem de subir, por que diabos, mesmo depois de todo o ajuste já feito em nossa taxa básica de juros, a inflação continua subindo?

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Porque economia não é uma ciência estritamente exata e, na maioria das vezes, a conta não fecha com apenas duas variáveis. Então, por mais que o livro texto nos diga que o efeito do aumento de juros comece a aparecer na inflação em aproximadamente 9 meses após início do ciclo, nem sempre é assim. E talvez seja isso que estamos vivendo atualmente.

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Embora a expectativa seja de que a Selic encerre o ano acima dos 11%, as projeções de inflação não param de subir. Hoje, o mercado projeta que o IPCA chegará ao final de 2022 em 5,38%. Sinceramente, acho que será até mais alto, forçando o Banco Central a prolongar o ciclo de ajuste na taxa de juros ou até mesmo intensificar o ritmo de aumento. Vamos ter uma ideia de qual será sua intenção na próxima quarta-feira.

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Enquanto isso, seguimos na expectativa de que a teoria esteja certa e que após o nono ajuste do Banco Central, a inflação comece a arrefecer. Será que a teoria vai prevalecer à prática dessa vez? Acho que não!

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Nota

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Cristiane Quartaroli
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