Bia Moraes

O Brasil está um caos: investir no exterior é a melhor opção?

Atualmente existem três formas básicas de se investir no exterior: BDRs, Fundos de investimentos e abrir conta numa corretora estrangeira e botar a mão na massa. Uma opção não exclui a outra

Por tudo que foi dito nas últimas edições dessa coluna, sinto que quem acompanha entende o cenário que estamos vivendo e sabe que o momento brasileiro não é um dos melhores. Apesar disso, sempre haverá investimentos mais adequados para cada cenário, caso da renda fixa no momento. Mas é importante não nos limitarmos geograficamente. Por isso, investir no exterior é sempre uma possibilidade. Mas como e onde investir?

Atualmente existem três formas básicas de se investir no exterior: BDRs, Fundos de investimentos e abrir conta numa corretora estrangeira e botar a mão na massa. Uma opção não exclui a outra, mas dependendo do seu perfil e estilo de vida, pode existir um deles que faça mais sentido para você agora. Vamos entender melhor cada uma das formas.

BDRs

Os BDRs são uma opção mais recente aos investidores brasileiros que querem investir lá fora.

É a sigla para Brazilian Depositary Receipt, que são títulos emitidos e negociados no Brasil e representam ações de empresas listadas em Bolsas de outros países como, por exemplo, a NASDAQ e a NYSE, dos Estados Unidos.

Por isso, quem investe em BDRs não compra as ações diretamente, mas títulos que representam esses ativos. Esses títulos são emitidos pelas chamadas instituições depositárias: instituições financeiras responsáveis por comprar os papeis no exterior e garantir que os BDRs estejam, de fato, lastreados nesses títulos, evitando um descasamento entre as ações no exterior com os BDRs emitidos no Brasil.

Essa é uma forma mais simples de brasileiros investirem em companhias negociadas em Bolsas internacionais, sem a necessidade de abrir conta em uma corretora estrangeira, mas sim investir diretamente da corretora brasileira que já está acostumado a usar por meio do homebroker.

Fundos de investimentos internacionais

No geral, fundos de investimentos funcionam como uma grande reunião de investidores que unem seus recursos numa carteira administrada por um gestor. Ele é que decide quais investimentos fazer seguindo uma estratégia.

O importante aqui é conhecer bem a estratégia e a qualidade da gestão para avaliar se vale a pena, ou não, comprar as cotas daquele fundo. No caso de querer investir no exterior, por meio dessa modalidade, é preciso conferir se o fundo apresenta investimentos atrelados ao mercado exterior que agradam e fazem sentido para você. Um fundo internacional pode ter alocação em diversos tipos de ativos de outros países, como renda fixa, ações, ETFs.

Assim, como os BDRs, os fundos internacionais podem estar disponíveis na prateleira da sua corretora brasileira, por isso seguem sendo uma alternativa simples e acessível para expor o seu capital ao mercado internacional. Mas além disso, por existir a figura de um gestor por trás de cada operação, pode ser uma alternativa boa para os investidores que não possuem conhecimento suficiente para escolher os ativos que irão para carteira.

Corretoras estrangeiras

Essa última opção é a menos prática, mas pode ser a que te dá um acesso mais amplo e direto aos investimentos estrangeiros, já que você não precisaria de um gestor e nem de uma instituição depositária, para investir no ativo que quiser.

Por exemplo, abrindo conta numa corretora americana, existe a possibilidade de se investir em ativos de outros países, por meio de ETFs listados nas bolsas de lá. No Brasil, temos poucas opções de ETFs, como o ASIA11, XINA11 e EURP11. Mas lá, por ser um mercado muito mais aquecido, há muitas opções. Você vai estar investindo diretamente em empresas estrangeiras e não em certificados de depósitos, no caso dos BDRs.

Só que essa vantagem vem acompanhada da desvantagem de ter que saber escolher os melhores ativos e de acordo com o seu perfil de investidor. Isso para quem está começando pode ser desafiador.

Além disso, há o spread cambial, ou seja, uma taxa de câmbio que incide sobre o envio de dinheiro para a corretora no exterior, com o trabalho de abrir conta em mais uma corretora, que, dependendo da escolhida, não vai ter o suporte e clareza que precisa.

Como vimos, todas as opções possuem vantagens e desvantagens sendo cada uma delas mais indicada para um tipo de investidor. Os BDRs são ótimos para quem busca facilidade e praticidade. Os fundos podem ser perfeitos para quem gostaria de contar com a expertise de um gestor. E, por último, a conta numa corretora internacional pode ser ideal pra investidores mais experientes, que buscam ampliar mais sua carteira com produtos que ainda não estão disponíveis por aqui.

Independente da opção escolhida, deve se ressaltar aqui a importância de escolher entre uma delas por uma questão simples e primordial: a diversificação. Estar limitado ao mercado nacional é a pior escolha. O Brasil vive instabilidades econômicas e políticas com frequência e que causam um grande impacto, na maioria das vezes, muito
negativo nas carteiras de investidores que mantêm seus ativos apenas no país. Então, a escolha entre as três opções para investir no exterior passa a ser um problema pequeno se comparado a esse. Independente da decisão, você estará mais bem servido do que ignorar o caos do Brasil e a importância da diversificação.

Nota

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Bia Moraes
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