Copel (CPLE6) é ‘estatal com mindset de empresa privada’ ao dar mais espaço para o minoritário, diz Head de RI

Veja fala do Head de RI da Copel sobre Governança e ESG

Apesar de a maioria dos investidores – tanto institucionais quanto pessoa física – manter um pé atrás com o aporte em empresas estatais, a Copel (CPLE6) referencia-se como uma companhia destoante das demais, apesar de ainda manter o Governo do Paraná como acionista majoritário.

“Uma fala que talvez resuma um pouco o modo de a Copel se diferenciar, é uma frase que é utilizada com frequência pelo CEO, que é ‘uma estatal com mindset privado'”, comenta o Head de Relação com Investidores (RI) da companhia elétrica, Luiz Henrique de Mello, em entrevista ao vivo para o Suno Notícias.

O executivo destaca que a empresa já tinha um caráter que é alinhado com boas práticas de governança corporativa e o ESG de um modo geral, e que isso foi amplificado na gestão do atual CEO, Daniel Pimentel Slaviero, que comanda a Copel desde 2019.

“Essa é a nossa busca nessa gestão; um endereçamento de uma governança próxima ou no mesmo nível de companhias privadas. Precisávamos de um ‘colchão de governança’ muito forte. O ano de 2021 teve a consolidação, com a migração para o Nível 2 de Governança Corporativa”, diz Mello.

“Tivemos uma reforma estatutária que inclusive tem mais uma cadeira no Conselho de Administração, de um membro eleito pelos minoritários. Agora três dos nove conselheiros são eleitos pelos minoritários. Criamos comitês de assessoramento e criamos um alinhamento com o ESG. Já tínhamos isso nos anos anteriores, mas precisávamos de inovação e de um aprimoramento disso”, segue.

Além disso, na entrevista, destacou que para 2022 e os anos seguintes, a companhia estima manter a política atual de dividendos e pagar uma fatia relevante do seu lucro líquido apurado.

Segundo o executivo, quando a Copel tiver uma relação de dívida líquida por Ebitda (lucro operacional) – valor chamado de “alavancagem” que resulta da divisão de um indicador pelo outro – menor do que 1,5x, ela pagará 65%. Os dois últimos resultados trimestrais da elétrica mantiveram esse patamar.

Caso a companhia tenha 1,5x e 2,7x, o pagamento será de 50% em dividendos. Acima disso, seria pago somente o mínimo obrigatório, de 25%.

“O motivo desses níveis é porque a companhia vislumbra um endividamento ‘ideal’ da companhia em 2,5x. Esse é o nível de melhor performance em termos de estrutura de capital, o que não é um guidance, vale lembrar; a política de dividendos é o que é o importante aqui”, explica.

“Se a companhia ainda tiver uma geração de caixa relevante, os acionistas também poderão deliberar um pagamento de caixa extraordinário”, acrescenta.

Veja mais números do resultado financeiro da Copel

A Copel no dia 11 que o lucro líquido no primeiro trimestre de 2022 teve queda de 11,8%, em comparação com o mesmo intervalo de 2021, para R$ 669,7 milhões.

Segundo a empresa, a variação negativa deve-se principalmente ao maior valor de despesa financeira no período e do aumento da depreciação e amortização decorrente de novos ativos.

Receita Operacional Líquida do período totalizou R$ 5,587 bilhões, crescimento de 12,07% em base de comparação anual, enquanto o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) totalizou R$ 1,490 bilhão no período, alta de 8,77%.

O crescimento da receita deve-se a um aumento de 21,9% na receita de fornecimento de energia elétrica, em razão do crescimento do mercado cativo da Copel Distribuição, valorado pelo efeito médio de 11,32% nas tarifas aplicado ao 5º ciclo de revisão tarifária. No período a empresa também viu o volume de energia vendida para consumidores livres aumentar 48,5% para 2.922 gigawatts-hora (Gwh).

Já o Ebitda ajustado, excluindo itens não recorrentes foi de R$ 1,461 bilhões, crescimento de 12,2% em relação ao mesmo trimestre de 2021.

No trimestre, a margem Ebitda ficou em 26,7%, redução de 2,9 pontos porcentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano passado. Já a alavancagem, medida pela razão entre dívida líquida e Ebitda foi de 1,03 vez, ante 1,18 vez registrada um ano antes.

Apesar de resultados fortes e bons dividendos, analistas preveem valorização baixa para CPLE6

Após a divulgação do resultado financeiro da Copel, referente ao primeiro trimestre de 2022, as ações da elétrica já subiram 6%. Contudo, alguns analistas ainda mantêm cautela sobre o papel por causa da pressão nos múltiplos. A companhia subiu 22% nos últimos 12 meses – upside relativamente expressivo para companhias de um setor de grande solidez.

Alguns analistas ainda veem os dividendos atrativos como pontos positivos – os dividendos da Copel nos últimos 12 meses representam um dividend yield de 16,52%, segundo dados do Status Invest.

O Banco Safra, por exemplo, destaca ‘múltiplos convincentes’ e a oferta potencial de ações como um fator que, apesar da pressão, causou um “bom ponto de entrada”. O banco mira R$ 8 como preço-alvo para as ações da Copel. Nesta sexta (13) a Copel fechou em alta de 2,03%, cotada a R$ 7,05.

“Esperamos uma reação do mercado ligeiramente positiva, pois os resultados foram acima das expectativas. O EBITDA comparável ficou acima de nossas estimativas principalmente devido aos melhores resultados do braço G&T e foi parcialmente compensado por resultados abaixo do esperado do braço de distribuição”, diz o relatório do banco.

XP Investimentos por sua vez, mira um preço-alvo de R$ 8, vendo resultados acima das expectativas.

“A Copel apresentou bons resultados no 1T22, superando nossa expectativa (EBITDA ajustado de R$ 1.461 bilhões vs. R$ 1.192 bilhões Xpe). Os destaques positivos foram o melhor desempenho operacional da Copel GeT e da Copel Distribuição e a redução de -5,8% no PMSO como resultado de um programa de PDI bem-sucedido”, afirmam Herbert Suede e Maíra Maldonado, analistas do setor elétrico da XP.

Eduardo Vargas

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