CDB: conheça as vantagens e desvantagens desse título de renda fixa

Novos investidores ou os mais conservadores tendem a preferir investimentos em renda fixa, mas nem sempre conhecem a fundo no que estão investindo. Existem diversas opções de investimentos com baixo risco no mercado. Uma das mais tradicionais é o CDB. Mas será que todo mundo que investe nesses títulos conhece de fato como funcionam? Vale mesmo a pena, num cenário de inflação e juros altos, optar por eles? Relacionamos aqui, com a ajuda de especialistas, as vantagens e desvantagens dessa aplicação.

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O Certificado de Depósito Bancário, ou CDB, é um título de crédito, ou seja, uma promessa de pagamento futuro de um determinado valor com mais uma rentabilidade.

Na prática, esses títulos são como “uma dívida” que o banco tem junto aos donos desses ativos, feita com o objetivo de captar recursos financeiros. Em outras palavras, ao adquirir um CDB é você quem empresta dinheiro ao banco e ele te paga com juros, que corresponde à sua rentabilidade.

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Garantia pelo FGC é a grande vantagem do CDB

Além do baixo risco de investimento, já que há uma promessa de rentabilidade, outra vantagem do CDB é a garantia dada pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).  Para Walter Fogolin Filho, Head de produtos da Investsmart, essa é a grande vantagem desse tipo de ativo.

“Quando você fala do risco de crédito, isso traz para o investidor um conforto, uma segurança muito grande. O FGC tem lá suas limitações de R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, enfim. Mas aqui na ponta eu vejo que a preferência do investidor se dá muito por essa questão da garantia”, destaca ele.

Fabrício Faria De Lucca, Coordenador da Assessoria de Investimentos da Terra Investimentos, também aponta  que “é considerado um investimento conservador da classe de renda fixa emitido por instituições financeiras e  coberto pelo FGC em caso de algum problema de crédito com a instituição emissora. São garantidos até R$ 250 mil por conglomerado financeiro com um teto de até R$ 1 milhão por CPF, o que propicia maior segurança ao investidor, mitigando o risco de crédito na operação.”

Outra vantagem citada por Fogolin são os diferentes indexadores que os investimentos em CDBs oferecem. “Dentro do CDB, você tem o CDB Pós-fixado Lastreado em CDI. Você tem ainda o pré-fixado em que define a taxa de juros, tendo por exemplo como alternativa o IPCA +, com a variação da inflação, mais uma determinada taxa de juros que é contratada ali dentro”, diz o head de produtos.

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Entre essas vantagens, pode-se mencionar a ausência de taxas, já que os investidores não pagam nada para a corretora ou banco quando adquire um título. Outra é a liquidez, que pode ser diária em alguns casos. Ah, sim, claro: a rentabilidade é superior à da caderneta de poupança num momento em que os juros estão mais elevados.

Nem tudo é perfeito…

Por outro lado, assim como todos os investimentos, os CDBs também têm desvantagens. Veja algumas:

  • Imposto de renda cobrado sobre os CDBs pode retirar parte dos ganhos;
  • Valor mínimo do título, que pode representar uma barreira;
  • Risco de falência do banco, mesmo que o valor seja garantido pelo FGC

Em relação às desvantagens dos CDBs, Fabrício Faria destaca que “uma delas seria em caso desse CDB não possuir liquidez diária e o investidor precisar do recurso em uma emergência. Por isto, é importante sempre possuir uma reserva de emergência em produtos de investimento que permitam resgates a qualquer momento e que o crédito em conta seja imediato.”

O Head de produtos da Investsmart também vê a liquidez como uma possível ponto desfavorável desses títulos. “Existe um CDB com liquidez diária, em que se pode resgatar a qualquer momento. Até a data do vencimento pode-se pedir esse resgate. Mas, normalmente, os CDBs com liquidez diária, até por uma questão de estabilidade de caixa das instituições financeiras, oferecem menos taxa justamente por causa dessa disponibilidade imediata.”

“Os CDBs com prazo de vencimento e sem a possibilidade de liquidez antecipada impedem que o investidor faça o resgate antecipadamente. Então é preciso ter uma programação para que não tenha necessidade desse capital antes do tempo”, explica ele, reforçando que essa é a “grande desvantagem do CDB.”

Fogolin explica que no universo da renda fixa existem os títulos públicos e o crédito privado, que também são negociados no mercado secundário. Se o investidor quiser sair do título antecipadamente, vai encontrar uma situação de mercado que pode ou não ser favorável, pois a taxa de juros e preço do ativo são inversamente proporcionais.

“Se o cliente compra um título a uma taxa de 10% e a taxa sobe para 12%, não vai ser o melhor momento para ele sair, porque o título vai perder um pouco de valor. E o inverso é verdadeiro: se ele compra a 10% e a taxa cai para 8%, ele vai ter uma situação melhor de saída se ele precisar antecipadamente.”

Ele completa: o investidor que busca uma liquidez antecipada deve escolher um título de liquidez diária, “para que não seja penalizado no caso de um resgate antecipado.”

Quando a poupança é a melhor opção?

Quando questionado se, em relação à liquidez, a poupança seria a melhor opção sobre os CDBs, o Head de produtos lembra que poupança tem liquidez, “mas, mesmo que você opte por um CDB com liquidez, ele ainda sim, descontando o imposto de renda, seria mais rentável que a poupança.”

“Os bancos grandes oferecem taxas menores, porque a dificuldade de captação é muito pequena. Mesmo assim, se o cliente contrata um CDB com uma taxa de 100% do CDI, tirando imposto de renda na maior alíquota de 22,5%, vai cair pra 77,5% do CDI. Se eu for olhar para poupança, por exemplo, que paga 70% da Selic, você vê que os dois indexadores andam juntos (Selic e CDI). Ainda assim, o CDB te oferece liquidez diária com uma taxa um pouquinho maior e a poupança, não. Se você faz um depósito no dia 10, seu rendimento vai ser sempre no dia 10 de cada mês. E se precisa de um resgate no dia 4, você perdeu toda rentabilidade daquele período, enquanto no CDB com liquidez diária, não.”

Mas afinal, qual é a remuneração ideal que um CDB deve ser ofertado, para valer a pena a migração da conta poupança?

Fogolin destaca que poupança é um investimento com liquidez diária: o investidor pode sacar a qualquer momento independente de perder ou não rendimento, “mas, se não for de 100% do CDI para cima, não vale a pena.”

“Imagina que você contrata um CDB hoje a 95% do CDI e acaba resgatando com menos de 6 meses. A alíquota de imposto vai ser de 22,5% — ou seja, quando eu tiro o imposto desse componente, o que me sobra são 73% desse CDI. A poupança dá 70%: então fica um pouquinho mais vantajoso. À medida que essa taxa vai caindo, chegará um determinado momento que, se CDB foi inferior a 91% do CDI, não vale a pena, porque o imposto acaba penalizando de uma forma o rendimento. Aí a poupança se torna um investimento mais atrativo.”

“Eu preciso encontrar uma taxa de 91% do CDI para cima. Abaixo disso, melhor ir para a poupança que é o melhor caminho”, explica ele.

O Coordenador de Assessoria de Investimentos da Terra Investimentos também pontua que a partir de 95% CDI já é um rendimento mais vantajoso. “Porém um grande diferencial é o fato de a rentabilidade do CDB ocorrer todo dia útil e não por data de aniversário mensal, como é remunerada a poupança. Ou seja, na poupança, se o investidor não aguardar a data de aniversário para efetuar um resgate, perde toda a rentabilidade daquele período”, completa Fabricio.

Qual tipo de investidor deveria ter CDBs em carteira?

Fabricio acredita que todos os investidores podem ter CDBs na carteira, desde o conservador ao arrojado, mas depende do seu objetivo. “Um CDB com indexador de remuneração pós fixado e que tenha liquidez diária pode ser utilizado como uma reserva de emergência e/ou oportunidades. Já o CDB IPCA+ é muito oportuno para o investidor que deseja se proteger da inflação no período. Um CDB pré-fixado com bom prêmio pode ser interessante em momentos em que o mercado tem expectativa de queda na taxa de juros. Assim saberá a rentabilidade exata que receberá no vencimento do título”, explica.

Walter acredita que todos os tipos de investidores deveriam ter CBD na carteira: “O investidor conservador vai mais na linha do CDB porque oferece menos risco, Apesar dessas questões de liquidez ou não liquidez”.

E pondera: “Agora o investidor agressivo, de uma forma ou de outra, vai precisar de um ativo que seja indexado a juros. Nesse caso ele vai contratar uma pequena parcela da carteira e aí a proporção vai ser menor. Mas ele vai ter na carteira um ativo que seja pós fixado, um pré-fixado e outro atrelado ao IPCA.” Walter diz que o investidor com perfil agressivo vai optar não só pelo CDB, mas também por outras linhas de investimento de renda fixa,  pela questão do risco de crédito.

CDBs funcionam como reserva de emergência?

“Eu entendo reserva de emergência como aquilo que você possa acessar a qualquer momento. Se for um CDB com liquidez diária, sim, entendo como reserva de emergência”, afirma Fogolin. “Se for um CDB com carência, essa regra não vale, porque eventualmente, se o investidor quiser sair, vai sair com uma perda, Não seria o melhor caminho.”

Investir com cuidado 

Antes de qualquer investimento, como um CDB ou outro, de renda fixa ou variável, é importante ressaltar que quitar as dívidas e fazer uma reserva de emergência deve sempre ser a prioridade. Os analistas da SUNO Research sempre ressaltam que é necessário antes poupar dinheiro para depois investir, e nunca se endividar para investir ou investir endividado. Esta matéria não é uma recomendação de investimento.

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Laura Moutinho

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