Casas Bahia (BHIA3), Mercado Livre (MELI34) ou Magazine Luiza (MGLU3): quem se destacará no e-commerce nos próximos anos?

Em relatório recente sobre o varejo, o BTG Pactual (BPAC11) atualizou as estimativas para os três players de e-commerce (plataformas horizontais) cobertos pelo banco – Casas Bahia (BHIA3), Mercado Livre (MELI34) e Magazine Luiza (MGLU3) – e os seus preços-alvos para refletir as tendências para os próximos anos.

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O BTG enxerga que no Brasil, apesar dos melhores esforços dos players, e embora alguns possam apresentar um crescimento decente, a maioria enfrentará uma escolha entre crescimento e rentabilidade.

“O e-commerce continua sendo uma tese estrutural para nós, e preferimos a exposição ao setor no longo prazo através de players horizontais com muito mais liquidez, sendo o Mercado Livre a nossa top pick, enquanto o Magalu deverá ser um dos principais beneficiários da queda das taxas de juro locais nos próximos trimestres (bem como um foco crescente na lucratividade)”, escrevem os analistas Luiz Guanais, Gabriel Disseli, Pedro Lima e Luis Mollo.

Mercado Livre superou pares no e-commerce, avalia BTG

No caso do e-commerce do Mercado Livre, o BTG acredita que a companhia manteve o desempenho superior do setor em relação aos pares, reforçando sua vantagem competitiva (solidificada nos últimos anos) como ecossistema – uma tendência que o banco enxerga persistir nos próximos trimestres, apesar do efeito negativo dos menores volumes no mercado argentino.

A casa ainda vê uma “tendência secular de crescimento para o e-commerce brasileiro (bem como para alguns mercados latino-americanos)”, com GMV (Volume Bruto de Mercadorias) mais alto do que os níveis pré-pandemia.

“Nos últimos quatro anos, já ajustamos nossas estimativas de mercado endereçável total para refletir as receitas muito melhores dos principais players, um legado que deverá persistir muito depois do fim da pandemia (com mais vendedores, tráfego mais forte, melhor sortimento, maior frequência e mais investimentos em nível de serviço – todas vantagens competitivas para o MELI)”, pontuam os analistas.

O BTG também ajustou as estimativas para MELI34, considerando os desenvolvimentos atuais e as perspectivas competitivas nos segmentos de e-commerce e pagamentos na América Latina, bem como o efeito cambial argentino.

“Em média, nossas estimativas de GMV e TPV (volume total transacionado) não mudaram em relação aos nossos números anteriores para 2024-2027, e assumimos uma margem EBIT de 17,4% em 2027 (vs. 18,4% anteriormente)”, acrescentam.

No geral, embora permaneça conservador na exposição ao e-commerce (em termos setoriais), o valor do seu ecossistema faz o BTG enxergar o Mercado Livre à frente da concorrência, com take rates melhores e lucratividade saudável, mais do que compensando sua exposição ao enfraquecimento do mercado argentino (que deve impactar as margens no curto prazo), reforçando seu status de ‘top pick’.

O BTG tem recomendação de ‘compra’ para as ações de Mercado Livre, com preço-alvo a R$ 83,00 (antes R$ 85,00). A ação é negociada hoje a R$ 61,34.

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BTG: Magazine Luiza deverá se beneficiar de melhores condições macro

O BTG aponta que as ações da Magazine Luiza, em queda, continuem pressionadas no curto prazo:

  • Crescimento mais lento do GMV online devido à sua exposição a categorias altamente cíclicas, como eletrônicos e eletrodomésticos, implicando em margens mais baixas;
  • Fraco desempenho das lojas físicas;
  • Impacto das altas taxas de juros (levando a níveis de inadimplência elevados) nos resultados da Luizacred;
  • Um alto custo de financiamento para desconto de recebíveis, prejudicando os resultados financeiros e os lucros.

Mesmo assim, o banco acredita que o Magazine Luiza deverá se beneficiar de melhores condições macro (com efeitos positivos em 2024), de uma abordagem mais racional dos take rates e do seu modelo de negócio multicanal para alavancar a operação do marketplace do Magalu, enquanto a rentabilidade e o fluxo de caixa deverão ser destaques positivos nos próximos trimestres.

“Assumimos um custo de capital próprio (em USD) de 12,4% e um crescimento de longo prazo de 4% (também em USD)”, avalia o BTG.

O banco tem recomendação de ‘compra’ para as ações MGLU3, com preço-alvo a R$ 4,00 (antes R$ 6,00). O papel do Magalu vale hoje R$ 1,52.

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Casas Bahia: BTG ainda enxerga cenário difícil, com financiamentos elevados

Segundo o BTG, a Casas Bahia (BHIA3) seguiu os passos dos principais players e investiu em níveis de serviço para reduzir prazos e custos de entrega. Apesar disso, e de sua sobreposição relevante de produtos com a Americanas (AMER3), ainda enxerga um cenário difícil, com desaceleração do comércio local para categorias essenciais (eletrônicos e eletrodomésticos), altos custos de financiamento e suas provisões para os próximos anos.

Ainda de acordo com o banco, uma recuperação potencial após a queda das ações nos trimestres anteriores dependerá da monetização de créditos fiscais, de uma recuperação sustentável no tráfego de lojas, do seu negócio de e-commerce e da monetização do GMV, que deverá ser difícil dada a forte concorrência, e será fundamental para sua alavancagem financeira e operacional.

“Assumimos um custo de capital próprio (em USD) de 14,3% e um crescimento de longo prazo de 2,5% (também em USD). Permanecemos assim com uma recomendação neutra em resposta a uma perspectiva competitiva, forte exposição a produtos eletrônicos/eletrodomésticos, elevados custos de financiamento, incerteza sobre provisões futuras e monetização de créditos fiscais, o que pode prejudicar sua capacidade de investir no crescimento de suas operações”, ressalta o BTG, que tem preço-alvo a R$ 9,00 para as ações.

O banco também revisou sua estimativa de receita bruta para a Casas Bahia em 12% e a estimativa de Ebitda em 20% para os próximos quatro anos, em comparação com seu modelo anterior.

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Giovanni Porfírio Jacomino

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