Carbyne vê ‘tudo muito barato’ no private equity e fecha parceria com Portfolio Advisors no Brasil

A gestora Carbyne Investimentos enxerga oportunidades no mercado de private equity em meio ao desgaste do cenário Brasil e fechou com a Portfolio Advisors para representá-la no Brasil.

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A Carbyne estrutura junto à nova parceria um investimento secundário — em fundos já estabelecidos por meio do mercado secundário — que deve oferecer uma rentabilidade de 15% até o fim do ano. A gestora especializada em private equity ainda está de olho em três negócios de impacto. A expectativa é de que o resultado das conversas saia até o final de 2021.

De acordo com o sócio-fundador da Carbyne Filipe Caldas, o estresse pelo qual atravessa o mercado contribuiu para a emergência de oportunidade atraentes: “Estamos com o dinheiro em caixa e está tudo muito barato.”

Fundada há pouco mais de um ano, a gestora tem hoje R$ 4,5 milhões integralizados e prevê a entrada de mais R$ 4,5 milhões. Do total, quase 90% vêm do bolso dos sócios. Até junho de 2022, a meta é chegar aos R$ 150 milhões.

Como a Carbyne pretende democratizar os investimentos em private equity?

Nosso produto é único no mercado brasileiro, pois é um multimercado, não um FIP. O multimercado tem uma estrutura melhor para pessoa física. O FIP é operacionalmente mais complexo, faz chamadas de capital para comprar a empresa A, B ou C. Isso requer agilidade do investidor, que por vezes está no Rio, de férias, e precisa ligar o computador.

Os FIPs são medidos em TIR e múltiplos. Quando um gestor vende uma posição, tem o incentivo de devolver o dinheiro para conseguir uma TIR alta para cobrar taxa de performance. Se você é um investidor profissional, que tem uma equipe, recebe a distribuição e reinveste em outras oportunidades para trabalhar rápido o dinheiro. Um engenheiro ou médico comuns não têm capacidade para reinvestir na mesma TIR. O dinheiro ficará em caixa e um retorno de 25% vai virar um retorno de 12-14%. É muito bonito ter uma TIR alta, mas você não vai ao supermercado e compra arroz, feijão e leite. Nossa ambição é simples: o cliente entra no fundo e terá uma cota. Se essa cota hoje vale R$ 100 e no final do ano vale R$ 120, você ganhou 20%. Você pode olhar para a variação e avaliar a performance mais facilmente. Cobramos uma taxa sobre o capital integralizado. Comparando com concorrentes, cobramos 2% sobre capital, enquanto outros chegam a cobrar 20%. Essas poupanças se refletirão no retorno.

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O investimento mínimo é R$ 10 mil, muito diferente do que era antigamente, de cerca de R$ 5 milhões, R$ 1 milhão. Se você tem R$ 1 milhão, que é o necessário para se tornar um investidor qualificado, R$ 10 mil são 1% da sua carteira. O fundo também tem liquidez. Os tradicionais de private equity são fechados por 10 anos. O nosso tem um lock up de três anos e liquidez. Não é preciso ficar preso. Não sei o que vai acontecer em 10 anos.

Quanto a gestora tem sob gestão e qual a meta para o ano que vem?

Temos integralizados R$ 4,5 milhões, tudo dos sócios. Entrarão mais R$ 3,5 milhões dos sócios e R$ 1 milhão de um investidor de fora. Até junho do próximo ano, queremos chegar a R$ 150 milhões.

Me conte um pouco sobre a estratégia de investimentos baseados em algoritmos.

No mercado de private equity, todos trabalham manualmente. Analisam e digerem a informação para escrever relatórios. Isso virou um problema de big data. O ser humano não tem capacidade de fazer o trabalho certo, correto. É humanamente impossível. Dirão que trabalham ‘no mercado há 20 anos’. Isso é intuição, não ciência. Desenvolvemos algoritmos de machine learning para fazer a análise, com os quais conseguimos eliminar os vieses cognitivos, correlacionar informações e gerar um relatório que depois será lido e avaliado por um ser humano. Estamos na fase de colocar dados dentro da base e de treinar o algoritmo. Até o final do primeiro trimestre do próximo ano sistema terá começado a rodar.

Não inventei a roda. Sou quem carregava nas costas e passei uma usar a roda quando vi outro fazendo o mesmo. Antigamente existia o contador que fazia contas à mão e de repente surgiu a planilha do Excel. Substituiu o contador? Não. Continuamos precisando do contador, mas a função ficou mais eficiente. É difícil a velha guarda admitir que ficou obsoleta.

Com toda a tecnologia, a Carbyne já está de olho em algum investimento?

Fizemos alguns investimentos já aprovados em comitês. Um deles foi no X8, um fundo de growth focado em impacto. Do mesmo jeito que há uma revolução tecnológica — empresas que não abraçarem a era da digitalização e da inteligência artificial não sobreviverão —, também acho companhias que não tiverem uma política forte de ESG não resistirão.

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Assinamos um contrato de parceria com a Portfolio Advisors, uma empresa com US$ 30 bilhões sob gestão com a tese de democratização do private equity. Somos responsáveis pela representação no Brasil. Há uma transação de secundário que estamos fechando junto à Portfolio Advisors que deve oferecer uma rentabilidade de 15% até o fim do ano.

No mais, estamos olhando hoje para três empresas, também de impacto.

De que setores?

Um é de energia limpa. Outro é de fibra ótica. O terceiro é de saúde popular.

Tem previsão para sair?

Até o final do ano, mas ainda correm o risco de não sair.

Qual a análise do sr. quanto ao cenário de risco brasileiro e como isso afeta os investimentos da Carbyne?

São o bom e ruim do Brasil, grandes oportunidades e grandes perdas que se podem ter. No nosso caso específico, é bom, pois estamos com o dinheiro em caixa e está tudo muito barato. Na operação de secundário que faremos, compraremos com deságio de quase 50%. Conseguimos isso por causa do estresse do mercado. Se não fosse isso, não haveria oportunidades tão boas. Outra coisa boa é a alta da taxa de juros, porque parte da estratégia do fundo é de crédito privado e distress. Com o Copom elevando a taxa Selic, nosso retorno aumenta.

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O que está ruim é a dificuldade de captar. Quando a taxa de juros estava a 2% ao ano, investidores estavam desesperados à procura de ativos alternativos. Agora se consegue com um fundo de crédito privado 10-12%. Meu maior concorrente é o CDI.

Aonde vai o segmento de private equity?

Os grandes investidores de private equity institucionais já fazem o que nós fazemos, mas internamente, com liquidez e reinvestimento. Damos acesso ao profissional qualificado, que não conseguiria fazê-lo internamente. Por um lado é positivo ser pioneiro, por outro é preciso desbravar o mar sozinho. A Carbyne como asset nasceu no ano passado, temos que nos provar, mas acho que a maneira como abordamos a classe de ativos é o futuro, é o século 21. O resto está todo no século 20.

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Arthur Guimarães

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