Banco Inter (BIDI4): queda de 30% em 30 dias; entenda o que está por trás do tombo

Banco Inter (BIDI4): queda de 30% em 30 dias; entenda o que está por trás do tombo
Banco Inter (BIDI4). Foto: Divulgação

O que há com o Banco Inter (BIDI4)? Ex-queridinha dos investidores, a ação preferencial do banco caiu mais de 30% desde que entrou no Ibovespa no início do mês passado, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade de seu crescimento frente à concorrência, em face do preço pago por isso.

Para intensificar as preocupações, o Banco Pan (BPAN4) anunciou a compra da Mosaico (MOSI3), dona dos sites Buscapé e Zoom. A instituição enxergou o mesmo oceano azul que o Banco Inter viu, e quer entrar com força no marketplace.

A Mosaico possui um valor geral de vendas (GMV, na sigla em inglês) de R$ 4,2 bilhões nos últimos 12 meses, sendo que o Inter Shop no mesmo período entregou R$ 2,4 bilhões.

Essa é uma tendência cada vez mais em voga no setor financeiro, sobretudo em função do open finance.

Contudo, essa foi a última peça colocada no mapa de temores dos investidores do Banco Inter. Há uma sequência de fatos.

Derrocada das ações do Banco Inter no último mês
Derrocada das ações do Banco Inter no último mês

Banco Inter e Stone: será que é um bom casamento?

Em maio, Stone e Banco Inter anunciaram uma parceria que tornou a empresa de maquininhas um dos investidores mais relevantes da instituição. 

À primeira vista, pode parecer promissor, com duas companhias ligadas ao segmento de tecnologia unindo forças. Mas pode não ser bem assim.

Quando, na última semana, foi divulgada a possibilidade de ampliação da parceria, que chegaria a uma fusão entre as partes, os investidores passaram a ponderar que a entrada do Inter no segmento de maquininhas não seria uma boa ideia. Isso porque o segmento gera margens baixas e tem concorrência feroz — vide a derrocada da Cielo (CIEL3) nos últimos cinco anos. 

As negociações, que ainda estão em estágio preliminar entre as empresas, acontecem enquanto a Stone enfrenta uma perda em empréstimos de R$ 400 milhões com uma operação de crédito recém-lançada.

Na contramão do mercado

Rodrigo Crespi, membro da equipe de análise da Guide Investimentos, enxerga com cautela a proximidade cada vez mais estreita entre Inter e Stone.

“Ao passo que o Banco Inter já possui uma escala importante, a Stone vem sofrendo por conta de redução de margens, por conta da concorrência e principalmente pelo surgimento do Pix, que vem crescendo de maneira bastante acelerada”, disse Crespi em entrevista ao Suno Notícias.

O movimento de fusão entre as empresas iria na contramão do que o Santander (SANB11) está fazendo com a GetNet, uma cisão da subsidiária que passaria a ser listada em Bolsa.

“A GetNet conta a com a terceira maior participação de mercado, estando à frente da Stone. Não acreditamos que seja positivo para o Inter entrar no segmento de adquirência”, comentou o especialista, salientando que o resultado da Stone no segundo trimestre foi “bem ruim”.

Boatos de maiores provisões assombram investidores

Um dos grandes pivôs dessa maré negativa para o lado do Banco Inter foi a queda da última terça-feira (28). Os papéis do banco mineiro caíram 11,7% naquele dia após rumores de que a instituição ampliaria suas provisões nos trimestres seguintes.

Agentes do mercado exprimiram sua desconfiança em relação aos números de provisionamento apresentados pela empresa, que ficam distantes dos aproximadamente 7% praticados pelos pares.

Em nota, a instituição disse que não existiam fundamentos para tal. A prévia operacional do terceiro trimestre, divulgada na última segunda-feira (4), confirmou a posição do banco.

O documento, não auditado, mostrou que a provisão da instituição continua em 2,5% da carteira de crédito ampliada. 

Enquanto isso, a originação de crédito do banco atingiu R$ 5,5 bilhões, avanço de 121% em comparação ao mesmo período do ano passado e de 15% ante o segundo trimestre deste ano. 

Originação de crédito do Banco Inter. Foto: Reprodução Banco Inter
Foto: Reprodução Banco Inter

Um dos atores por trás da grande baixa das ações nas últimas semanas, segundo o site Brazil Journal, é o Itaú BBA, com a venda da posição de seus fundos no Inter. Quando questionado sobre a razão, o banco de investimento rechaçou os rumores ligados às provisões.

“Os índices de cobertura do banco são bons e sua qualidade de crédito está se comportando como esperado. Acreditamos que essa narrativa se alimentou de um cenário de baixo apetite por ações de crescimento”, comentaram os analistas, também citando o “desempenho recente decepcionante” na parte de crédito.

A dúvida também paira entre os grandes: Banco Inter vale a pena?

Por mais que o futuro do Banco Inter — embora promissor — traga receios, há gente grande otimista com os papéis da instituição.

Em relatório divulgado no início do mês passado, o Bank of America recomendou a compra das ações do Banco Inter com preço-alvo de R$ 80 por unit até o fim de 2022. Hoje, isso equivale a um upside de mais de 80%. 

Segundo o banco estadunidense, o Inter está bem posicionado para apresentar “sólido crescimento de ganhos no decorrer dos próximos anos, à medida que aprimora a rentabilização de sua base de clientes”. Atualmente, essa base conta com 14 milhões de pessoas.

Crescimento do número de clientes. Foto: Reprodução Banco Inter
Foto: Reprodução Banco Inter

O documento do BofA coloca à favor do banco a parceria com fortes parceiros de negócios, investidores estratégicos relevantes e uma dinâmica favorável do segmento. 

Já o Citi, por sua vez, recentemente elevou a recomendação do Inter de “venda” para “neutra”, mas ressaltou que ainda não possui uma visão otimista sobre a capacidade de subscrição de crédito da instituição.

“Na nossa visão, o motor de crédito do banco ainda não está rodando em velocidade de cruzeiro, o que a administração nega”, mostra o documento.

Para Crespi, da Guide, parte do movimento baixista no último mês diz respeito a uma realização de lucros, visto que os papéis do banco ainda sobem quase 40% no ano.

Entretanto, a preocupação generalizada também conversa com o desempenho de empresas de tecnologia no mundo inteiro, impactadas pela expectativa de diminuição de estímulos monetários, reduzindo a liquidez dos mercados, e possibilidade de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos — algo que já é realidade por aqui.

Crescimento e sinergias operacionais sustentam lado otimista

Após uma conversa exclusiva com os executivos do Inter, a Genial Investimentos disse que o banco atingiu a principalidade (clientes que usam a instituição como seu principal banco) em 50% de sua base de clientes.

“Além disso, o Inter tem ganho market share em volume financeiro transacionado no Pix, correspondendo a 8% do total.”

“Acreditamos que o banco ainda pode capturar mais do crescimento operacional do lado financeiro, com destaque para o crédito, o que justifica a nossa recomendação de compra”, disse a Guide. O preço-alvo da corretora para as units do Banco Inter é de R$ 80, upside de 84%.

Jader Lazarini

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