Ambev amplia canais de e-commerce para lidar com crise do coronavírus

Ambev amplia canais de e-commerce para lidar com crise do coronavírus
Brahma (divulgação)

A crise global desencadeada pelo coronavírus (Covid-19) tem afetado diversos setores do mercado, na maioria dos países do mundo. No Brasil, muitos estabelecimentos comerciais tiveram que fechar as portas temporariamente, como: restaurantes, bares e baladas. Esses tipos de comércio são essenciais para as empresas de bebidas alcoólicas e, por consequência, fazem parte dos principais canais de venda de bebidas das marcas da Ambev (ABEV3).

A cervejaria informou ao Suno Notícias que ainda não conseguiu ter um cenário completo da atual situação em seus negócios, porém, para driblar a crise, a Ambev tem reforçado o seu comércio online. “Adaptamos e ampliamos nossos canais de e-commerce. Ampliamos o Zé Delivery, por exemplo, principalmente para dar acesso aos pequenos pontos de vendas para que possam ter um canal de venda”, informou a companhia.

A Ambev também salientou ao Suno Notícias que está trabalhando muito para estar próximo de seus parceiros, clientes e consumidores. “Os nossos clientes precisam garantir que tenham produtos para atender os consumidores e também para conseguirem passar por essa fase tão dura para os negócios”, informou a empresa ao falar sobre os estabelecimentos comerciais que estão com as portas fechadas ou notaram uma queda na demanda por conta do isolamento social.

Saiba mais: Suno One: O primeiro passo para alcançar a sua independência financeira

A Ambev disse estar trabalhando para atender todos os canais de venda da empresa, como medida para que nenhum de seus parceiros também sejam prejudicados. “Também abrimos o Empório da Cerveja para que pequenos produtores de cerveja possam vender seus produtos”, destaca a companhia. O “Empório da Cerveja” é um site, com formato de marketplace, que abriga diversas marcas de cervejas desde importadas até pequenos produtores nacionais.

Perguntada sobre uma potencial queda na demanda pelas marcas premium de cervejas, a Ambev afirmou que não possui o panorama sobre o assunto ainda. Porém, para a assessora de investimentos, Luciana Ikedo, o segmento ‘premium’ de bebidas alcoólicas pode ser o mais impactado com esta crise. “Com a redução da renda das famílias, pode haver uma queda no consumo de itens não essenciais e de preço mais elevado. No mercado de bebidas alcoólicas, especialmente o de cervejas, as mais baratas tendem a se beneficiar”, explicou Ikedo ao Suno Notícias.

Ambev cancela guidance para 2020

A Ambev anunciou no dia 23 de março que suspendeu projeções de resultados de seus negócios para 2020. A gigante do setor de bebidas considera que a pandemia de coronavírus avançou bastante desde sua última publicação de balanço e que as restrições para conter a doença têm efeito sobre seu mercado de atuação.

Queda na venda de bebidas alcoólicas na segunda quinzena de março

A venda de bebidas alcoólicas no Brasil registrou queda a partir da segunda quinzena de março, segundo dados coletados pelo Suno Notícias, da empresa global de análise de dados: Nielsen.

A cesta de bebidas caiu 6,2% nos últimos 15 dias do mês, em relação a semana anterior. Enquanto isso, nas duas primeiras semanas, havia sido registrada uma alta de 6,9% apenas no segmento de cervejas.

Isso mostra uma mudança no comportamento do brasileiro devido ao avanço da Covid-19 no País, segundo a gerente de atendimento do varejo no Brasil [da Nielsen], Fernanda Vilhena.

A Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), que inclui fabricantes de vinho, cerveja, cachaça e destilado, informou nesta semana que as vendas de bebidas alcoólicas na segunda quinzena de março tiveram queda de 52% em receita, se comparada ao período entre 15 e 31 de março do ano passado.

A Abrabe também comunicou que está tentando apoiar o setor com algumas medidas, como o adiamento da cobrança de todos os tributos e disponibilização de linhas de crédito para as empresas associadas.

Veja também: Heineken cancela guidance para 2020 por impacto do coronavírus

Para Ikedo, isso não é um grande problema para as grandes empresas que possuem um caixa preparado. “Penso que ainda é difícil ter clareza sobre a recuperação, mas o fato é que as empresas com robustez de caixa passarão com mais facilidade por essa turbulência e tendem a ter uma recuperação mais rápida”, disse a especialista em investimentos.

Mesmo assim, ela destaca que as últimas projeções que apontam redução do PIB, aumento do desemprego e redução da renda dos trabalhadores, tanto formais quanto informais, em todos os níveis da sociedade, também contribuem para a redução das estimativas de lucro de grandes empresas, como a Ambev, por exemplo. O Grupo Petrópolis, dono da Itaipava, Petra e outras grandes marcas de cerveja foi procurado pela reportagem do Suno Notícias para falar sobre o impacto da crise em seus negócios, mas não deu resposta.

Juliano Passaro

Compartilhe sua opinião