Último dia de negociações das Lojas Americanas: o que acontece com quem tem as ações LAME3 e LAME4?

Último dia de negociações das Lojas Americanas: o que acontece com quem tem as ações LAME3 e LAME4?
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As ações das Lojas Americanas, até então sob os tickers LAME3 e LAME4, não serão mais negociadas na bolsa brasileira após o pregão de sexta-feira (21).

Isso acontece por causa de uma reorganização societária das Americanas, que já é negociada na bolsa também sob o ticker AMER3. Com o andamento da operação, os investidores que detêm os papéis LAME3 e LAME4 terão influência da unificação da base acionária das companhias.

Essa mudança, vale lembrar, foi explicada e detalhada nos planos divulgados pela companhia no início de novembro, concretizados após a aprovação dos acionistas.

A partir do pregão de segunda (24), quem tiver papéis ordinários (LAME3) ou preferenciais (LAME4) passará a tê-los substituídos, na mesma proporção, pelas novas ações das Americanas, de ticker AMER3.

Finalizada a reorganização societária, acaba o “desconto de holding” das Lojas Americanas e aumenta-se a liquidez dos papéis da companhia resultante, com somente um ticker sendo negociado em bolsa.

LAME3 teve direito de reembolso

Em alguns casos, vale lembrar que o acionista também pode optar por ser reembolsado em dinheiro pelos papéis, sendo que desde terça (14) os acionistas dissidentes podem solicitar a retirada.

Quem pode reembolsar as ações em dinheiro na corretora são os acionistas que não votaram a favor da unificação da base acionária nas assembleias.

Ou seja, essas pessoas puderam optar por não se tornarem acionistas de AMER3, recebendo o reembolso dos papéis LAME3, desde que tenham as ações a partir de 3 de novembro de 2021. Quem comprou os papéis no pregão do dia 4 de novembro ou mais tarde não possui esse direito de retirada.

O prazo para o exercício do direito se encerrou no dia 13 de janeiro de 2022 — ou seja, quem não votou favoravelmente à unificação e possui papéis ordinários LAME3, pelo menos desde 3 de novembro, receberá R$ 5,49 por ação ordinária.

“Foi exercido o direito de retirada por acionistas titulares de 2.934.085ações ordinárias de emissão de Lojas Americanas, durante o prazo que se encerrou em 13de janeiro de 2022”, diz o comunicado da companhia.

O pagamento será realizado no dia 21 de janeiro de 2022, último dia de negociação das ações LAME3 e LAME4.

E quem ficar com AMER3?

Quem optar por seguir sócio das americanas receberá um montante de 0,188964 da ação AMER3 para cada ação ordinária ou preferencial de Lojas Americanas de sua titularidade, tanto LAME3 quanto LAME4.

Para estes, o crédito das ações só irá ocorrer no dia 26 de janeiro de 2022. Contudo, quem quiser negociar os papéis pode fazer isso já a partir do dia 24.

Desempenho de AMER3 nos últimos seis meses - Foto: Status Invest
Desempenho de AMER3 nos últimos seis meses – Foto: Status Invest

O que os analistas falam sobre ações das Americanas

Desde meados do fim de 2021, quando a reorganização já era pública, os analistas já citavam o aumento de liquidez para AMER3, o único ticker futuro. Apesar disso, e de prognósticos de alta no preço-alvo, nem sempre a recomendação é de compra.

O Goldman Sachs, em dezembro de 2021, ao tomar contato com mais detalhes da reorganização societária, mirou um preço-alvo de R$ 39 para os papéis AMER3 nos próximos 12 meses, mas frisou uma recomendação neutra para o papel.

“Acreditamos que essa reorganização seja um ponto estratégico positivo, pois poderia aumentar o poder de voto das minorias (que detêm a maioria da empresa), além de potencialmente aumentar a liquidez das ações e encerrar o histórico ‘desconto de retenção’ em LAME3 e LAME4″, diz o relatório assinado pelos analistas Felipe Rached, Gustavo Fratini e Irma Sgarz.

Segundo o documento, dada a atual mudança e repasse de 0,188964 ação da AMER3, há a implicação de seguir com a mesma proporção de participação que possuem atualmente na AMER3 (direta ou indiretamente).

Além disso, vale lembrar que foi aprovada uma cláusula poison pill, instrumento que estipular que qualquer acionista que atinja uma participação acima de 15% deve estender uma oferta para adquirir todas as ações de emissão da empresa para ‘comprá-la por inteiro’.

Segundo o banco de investimento, os pontos positivos para essa unificação são:

  • Direito de voto proporcional à participação
  • Aumento de liquidez e ausência de desconto de holding
  •  Estrutura do conselho

Apesar disso, os analistas frisam que há eventos que podem ocasionar quedas nos papéis e adicionam risco na operação, o que contribui para que a recomendação do banco siga neutra.

“Os principais riscos negativos incluem a eliminação gradual do estímulo fiscal, o poder discricionário elemento no mix do volume de vendas que poderia mais do que compensar os benefícios da mudança, além do aumento da concorrência entre os principais players de e-commerce que estão bem capitalizados, como Mercado Livre (MELI34) e Magazine Luiza (MGLU3) e com novos participantes”, diz o relatório.

Além disso os analistas destacam, negativamente:

  • O aumento de custo e despesas com entrega e iniciativas de infraestrutura e omnichannel
  • A relação entre déficit e guidance para expansão e maturação mais lentas em novas lojas
  • O aumento das despesas associadas à construção de uma iniciativa própria de pagamentos [a Ame Digital]
  • Os riscos usuais de execução em torno de potenciais Atividade de fusões e aquisições

À época do relatório, em dezembro, os papéis ordinários das Americanas estavam cotados a R$ 28,50, mas atualmente ficam cotados a R$ 30,47. Já os papéis LAME3 e LAME4 fecharam o último pregão, na quinta (20), cotados a R$ 6,43 e R$ 6,42, respectivamente.

Eduardo Vargas

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