Selic em 13,75%: o que muda no crédito, na poupança e no financiamento

A redução da taxa Selic para 13,75% ao ano, esperado para ocorrer nesta quarta-feira (16), começa a mudar o cenário para consumidores, empresas e investidores, mas os efeitos não aparecem todos ao mesmo tempo. O corte de 0,25 ponto percentual tende a aliviar o custo do crédito gradualmente, reduzir a rentabilidade de algumas aplicações e melhorar as condições para quem pretende financiar um imóvel.

A Selic é a principal referência para os juros da economia. Quando o Banco Central reduz a taxa, o custo de captação das instituições financeiras pode cair, mas a velocidade de repasse depende do tipo de operação, do risco de cada cliente e das condições do mercado.

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Crédito pode ficar mais barato, mas não imediatamente

As linhas de crédito que acompanham de perto o CDI e a Selic tendem a ser as primeiras a sentir o efeito do corte. Entre elas estão empréstimos pessoais, capital de giro para empresas e algumas modalidades de financiamento de veículos.

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Na prática, porém, a redução da taxa básica não significa que os bancos diminuirão as taxas cobradas no dia seguinte. As instituições também consideram inadimplência, custos operacionais, impostos, margem de lucro e o perfil de risco do tomador.

O efeito costuma aparecer de forma gradual, principalmente em novas contratações. Para quem já tem um empréstimo prefixado, a parcela geralmente não muda. Já contratos pós-fixados podem ser beneficiados conforme o indexador utilizado.

Cartão e cheque especial continuam exigindo cuidado

O cartão de crédito e o cheque especial costumam cobrar taxas muito superiores à Selic. Por isso, mesmo com a queda dos juros básicos, essas modalidades continuam entre as mais caras do mercado.

A redução pode ajudar a diminuir o custo dessas linhas ao longo do tempo, mas não elimina o risco de endividamento. O consumidor deve comparar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas, impostos e outros encargos.

No cartão, pagar apenas o valor mínimo da fatura pode fazer a dívida crescer rapidamente. A queda da Selic melhora o ambiente de crédito, mas não transforma o rotativo em uma opção barata.

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Poupança mantém regra de rendimento

A remuneração da poupança não muda automaticamente com um corte de 14% para 13,75%. Como a Selic permanece acima de 8,5% ao ano, continua valendo a regra de rendimento equivalente a 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR).

Isso significa que o corte reduz pouco o retorno relativo da poupança em comparação com aplicações que acompanham diretamente o CDI. CDBs, fundos de renda fixa e Tesouro Selic podem continuar oferecendo remuneração superior, dependendo das taxas, dos custos e da tributação.

Ainda assim, a comparação precisa considerar liquidez, risco de crédito e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), quando aplicável.

Financiamento imobiliário reage mais devagar

O financiamento de imóveis não acompanha a Selic de forma automática. Grande parte do crédito habitacional utiliza recursos da poupança, por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que possui regras próprias de captação e aplicação.

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Por isso, uma redução isolada de 0,25 ponto percentual pode ter impacto limitado nas taxas imobiliárias. O efeito tende a ser maior se o ciclo de cortes continuar e melhorar as condições de captação dos bancos.

Para quem pretende comprar um imóvel, a queda pode ajudar a reduzir o custo de novos contratos no médio prazo, mas é importante comparar taxas, sistema de amortização, entrada, prazo e valor total pago.

Investimentos de renda fixa também sentem a mudança

Com a Selic mais baixa, aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI tendem a oferecer retorno menor no futuro. O investidor que busca manter a rentabilidade pode avaliar títulos prefixados ou papéis indexados à inflação, desde que aceite os riscos de prazo e de oscilação dos preços.

Títulos prefixados podem se valorizar quando o mercado passa a projetar juros menores, mas também podem registrar perdas se forem vendidos antes do vencimento em um cenário de alta das taxas.

Para o consumidor, o principal efeito da taxa Selic em 13,75% será gradual: algum alívio no crédito, menor remuneração em aplicações pós-fixadas e possível melhora nas condições de financiamento, enquanto cartão e cheque especial continuam exigindo disciplina.

Maíra Telles

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