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    Radar do Mercado: Pão de Açúcar (PCAR4) – Resultado positivo e alteração no comando são bons sinais?

    Radar do Mercado: Pão de Açúcar (PCAR4) – Resultado positivo e alteração no comando são bons sinais?

    O GPA anunciou ontem (20) os resultados do 4º trimestre e do acumulado do ano de 2017 e, de acordo com a companhia, foi registrado uma receita líquida de R$ 12,5 bilhões no 4T17, crescimento de 6,6 % na comparação anual.

    O Grupo Pão de Açúcar (GPA) reportou, também, um lucro líquido consolidado de R$ 297 milhões no quarto trimestre de 2017, com margem de 2,4%. Em 2017, o lucro líquido dos acionistas controladores, considerando as operações em continuidade e as descontinuadas, totalizou R$ 619 milhões, revertendo o prejuízo frente a 2016.

    Com isso, o lucro líquido por ação ordinária foi de R$ 1,04855 e de R$ 1,14962 por ação preferencial. No acumulado do ano, o lucro líquido por ação ordinária foi de R$ 2,18073 e de R$ 2,39074 por ação preferencial.

    Já o Ebitda consolidado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do GPA atingiu R$ 756 milhões entre outubro e dezembro, um aumento de 62,0% na comparação anual.

    A companhia divulgou ainda um Ebitda ajustado, que exclui receitas e despesas extraordinárias, de R$ 931 milhões no terceiro trimestre, alta de 28,2% ante o mesmo período de 2016.

    Também no quarto trimestre, o resultado financeiro da Companhia atingiu R$ 206 milhões, ou 1,6% da venda líquida, melhoria de 0,5 p.p. em relação ao 4T16. A redução é principalmente explicada pelo menor nível de juros no período (CDI passou de 13,8% no 4T16 para 7,5% no 4T17).

    No acumulado do ano de 2017, o resultado financeiro totalizou R$ 730 milhões, ou 1,6% da receita líquida, redução de 0,6 p.p. em relação ao ano anterior, basicamente explicado pelo menor custo da dívida bruta em cerca de R$ 200 milhões em função da queda do CDI, que passou de uma média de 14,0% em 2016 para 10,0% em 2017. No geral, os demais componentes do resultado financeiro apresentaram estabilidade como percentual da receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Já a dívida líquida ajustada pelos recebíveis não antecipados alcançou R$ 354 milhões, melhoria de R$ 162 milhões em relação ao ano passado.

    A relação dívida líquida / Ebitda melhorou de -0,32x no 4T16 para -0,15x no 4T17, e a posição de caixa totalizou R$ 3.792 milhões e o saldo de recebíveis não antecipados R$ 414 milhões, totalizando R$ 4,2 bilhões de recursos disponíveis, além de R$ 1,1 bilhão de linhas de crédito pré-aprovadas/confirmadas.

    A Companhia Brasileira de Distribuição – também conhecida como Grupo Pão de Açúcar – é controlada pelo Grupo Casino, de capital francês e teve origem com a fundação da doceria Pão de Açúcar, que posteriormente se tornou uma rede de supermercados.

    É interessante destacar que, na véspera da divulgação de seu resultado, a companhia informou ao mercado que seu Conselho de Administração, em reunião realizada na mesma data, indicou o Sr. Peter Paul L. Estermann para o cargo de Diretor Presidente da Companhia, até então exercido pelo Sr. Ronaldo Iabrudi Pereira.

    O Sr. Peter teve uma carreira de destaque em empresas de diversos setores econômicos, tendo sido Diretor de Operações da Companhia até outubro de 2015, data a partir da qual assumiu a Presidência da Via Varejo, empresa controlada da CBD.

    O novo Diretor Presidente será também responsável pelo segmento Multivarejo; o atual Diretor Financeiro Sr. Christophe Hidalgo será também responsável pela liderança executiva do segmento de negócios Malls; e o segmento de Atacarejo continuará sob a liderança do Sr. Belmiro Gomes. Além disso, o Sr. Luís Moreno Sanchez passará a atuar como consultor, focado em projetos de grande relevância, como transformação digital, marcas próprias e fidelidade.

    Foi informado, também, que o Sr. Ronaldo permanecerá no cargo e fará a transição até a data de posse do Sr. Peter, que ocorrerá em 27 de abril de 2018.

    Além disso, o Sr. Ronaldo continuará como membro do Conselho de Administração da Companhia, e será indicado pelo acionista controlador a Co-Vice-Presidente de referido órgão, na primeira Assembleia Geral de acionistas a ser realizada em 2018.

    Ainda, o Sr. Ronaldo permanecerá como membro do Conselho de Administração da Via Varejo e a CBD também indicará o Sr. Peter para integrar o mesmo colegiado.

    Geraldo Samor, respeitado jornalista o qual admiramos bastante, escreveu uma matéria bastante completa no seu portal, o Brazil Journal, sobre o assunto. Recomendamos a leitura.

    No mais, na posição de uma das maiores varejistas do Brasil, a CBD atualmente conta com mais de 2.000 lojas e passa a ter mais de 139.000 mil funcionários espalhados pelo Brasil. Também conta com importantes sites de comércio eletrônico em sua estrutura de negócios.

    Mesmo assim, entendemos que, com a expansão das atividades no Brasil da gigante mundial do varejo – a Amazon – enxergamos que não só a CBD, mas também a grande maioria das empresas do segmento, encontrarão um player fora do comum e que sabe operar com excelência nessa área de atuação.

    É claro que, como consumidores, ficamos satisfeitos com o aumento da concorrência e da qualidade do entendimento que o livre comércio oferece ao mercado, porém, ao observarmos com uma ótica de acionistas de longo prazo, tendemos a achar que um desafio muito grande será imposto para todas as empresas brasileiras que atuam neste segmento.

    Ademais, com suas ações – PCAR4 – cotadas no fechamento do pregão de ontem a R$ 67,55 – após uma forte queda observada logo após a divulgação dos resultados da companhia – preferimos apenas observar os desenvolvimentos estratégicos da empresa e esperar o desenrolar dos fatos dessa possível interessante disputa comercial que está se desenhando no mercado de varejo no Brasil.

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    Tiago Reis
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