CRA: o que é e como investir

O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) é um título de renda fixa ligado ao financiamento do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, ganhou relevância por unir três características bastante procuradas pelos investidores: rentabilidade elevada, isenção de imposto de renda para pessoas físicas e exposição ao setor agro.

Na prática, o CRA permite que produtores rurais, cooperativas, tradings e empresas da cadeia agroindustrial antecipem receitas futuras por meio da securitização de recebíveis. Em troca, investidores recebem pagamentos periódicos ou remuneração no vencimento do título.

O crescimento desse mercado acompanha a expansão do próprio agronegócio brasileiro. Com o avanço das exportações agrícolas, aumento da produção de commodities e crescimento das operações de crédito privado, os CRAs passaram a ocupar um espaço ainda mais importante.

Além disso, o CRA se tornou uma alternativa relevante para investidores que desejam diversificar a carteira com ativos ligados ao agro sem precisar investir diretamente em ações, Fiagros ou empresas do setor.

O que é CRA

O CRA é um título de renda fixa emitido por companhias securitizadoras e lastreado em recebíveis originados no agronegócio.

Esses recebíveis representam valores que produtores rurais ou empresas do setor têm a receber futuramente em suas operações comerciais. Entre os exemplos mais comuns estão:

  • Vendas futuras de grãos;
  • Contratos de exportação;
  • Operações de comercialização agrícola;
  • Recebíveis de frigoríficos;
  • Créditos ligados à cadeia de insumos;
  • Operações com cooperativas agroindustriais.

O funcionamento do CRA está diretamente ligado ao processo de securitização.

Nesse modelo, uma empresa do agronegócio cede seus recebíveis para uma securitizadora. A companhia securitizadora transforma esses créditos em títulos negociáveis no mercado financeiro: os Certificados de Recebíveis do Agronegócio.

Os investidores compram esses títulos e passam a receber os fluxos financeiros gerados pelos recebíveis da operação.

Esse mecanismo se tornou uma importante fonte de financiamento para o agronegócio brasileiro, reduzindo a dependência do crédito bancário tradicional.

Hoje, o CRA financia diferentes segmentos da cadeia agro:

  • Produção agrícola;
  • Pecuária;
  • Armazenagem;
  • Industrialização;
  • Logística;
  • Exportação;
  • Cadeia de fertilizantes e insumos.

Por isso, o crescimento do mercado de CRA acompanha diretamente a expansão do crédito privado do agronegócio e o fortalecimento do setor agro na economia brasileira.

Como funciona

O funcionamento do CRA é mais sofisticado do que o de produtos bancários tradicionais, como CDBs e LCAs.

Enquanto uma LCA representa um empréstimo feito pelo investidor para um banco, o CRA financia diretamente operações estruturadas do agronegócio.

O fluxo costuma seguir esta estrutura:

  1. Uma empresa do agronegócio possui recebíveis futuros;
  2. Esses créditos são cedidos para uma securitizadora;
  3. A securitizadora estrutura a operação;
  4. Os CRAs são emitidos no mercado;
  5. Os investidores compram os títulos;
  6. Os pagamentos são realizados conforme o fluxo dos recebíveis.

Na prática, o investidor está financiando atividades ligadas ao agro por meio do mercado de capitais.

Essas operações frequentemente utilizam instrumentos típicos do financiamento agrícola, como:

  • CPR (Cédula de Produto Rural);
  • Duplicatas;
  • Contratos de exportação;
  • Recebíveis agrícolas;
  • Direitos creditórios ligados à produção rural.

Além disso, muitos CRAs contam com mecanismos adicionais de proteção para investidores, incluindo:

  • Alienação fiduciária;
  • Garantias reais;
  • Seguros;
  • Fianças corporativas;
  • Subordinação entre cotas;
  • Cessão fiduciária de recebíveis.

Por conta dessa estrutura mais complexa, o CRA é considerado um produto de renda fixa mais técnico e que exige análise detalhada de crédito.

Rentabilidade

A rentabilidade do CRA costuma ser superior à de títulos bancários tradicionais justamente porque o investimento envolve maior risco.

Além disso, o CRA é um investimento isento de IR para pessoas físicas, o que aumenta sua competitividade frente a aplicações tributadas.

Os títulos podem possuir diferentes formatos de remuneração.

CRA pós-fixado

Nesse modelo, a rentabilidade acompanha um indexador, normalmente o CDI.

Exemplos:

  • 110% do CDI;
  • 115% do CDI;
  • 120% do CDI.

Esse formato costuma ganhar força em cenários de juros elevados.

CRA pré-fixado

A taxa é definida no momento da aplicação.

Exemplos:

  • 11% ao ano;
  • 12% ao ano;
  • 13% ao ano.

Nesse caso, o investidor sabe exatamente qual será o retorno caso carregue o título até o vencimento.

CRA híbrido

Combina inflação com uma taxa fixa.

Exemplos:

  • IPCA + 6%;
  • IPCA + 7%;
  • CDI + 2%.

Esse tipo de CRA costuma ser utilizado por investidores que desejam preservar ganho real acima da inflação no longo prazo.

Na prática, muitos investidores utilizam o CRA como alternativa para aumentar a rentabilidade líquida da carteira de renda fixa, especialmente em comparação com produtos bancários tributados.

InvestimentoPossui IR?Garantia FGC?RiscoPotencial de retorno
CRANãoNãoMédio/altoElevado
LCANãoSimBaixo/médioMédio
CDBSimSimBaixo/médioMédio

Riscos

Apesar da rentabilidade atrativa, o CRA possui riscos relevantes que precisam ser analisados com atenção.

O principal deles é o risco de crédito da operação.

Diferentemente de uma LCA, em que o investidor assume principalmente o risco do banco emissor, no CRA o risco está ligado à estrutura financeira da operação securitizada e à capacidade de pagamento das empresas envolvidas.

Risco de inadimplência

Se os devedores da cadeia do agronegócio não honrarem os pagamentos dos recebíveis, o fluxo financeiro do CRA pode ser comprometido.

Isso pode acontecer em cenários como:

  • Queda dos preços das commodities;
  • Problemas climáticos;
  • Quebra de safra;
  • Dificuldades operacionais;
  • Alavancagem excessiva das empresas.

Ausência de garantia do FGC

O CRA não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Isso significa que o investidor assume integralmente o risco da operação estruturada.

Baixa liquidez

O mercado secundário de CRA ainda possui liquidez reduzida.

Na prática, muitos investidores carregam o título até o vencimento.

Risco estrutural

Como o CRA depende de uma operação de securitização, a qualidade da estrutura jurídica e das garantias é fundamental.

Por isso, investidores mais experientes costumam analisar:

  • Rating da emissão;
  • Qualidade dos recebíveis;
  • Nível de alavancagem da empresa;
  • Garantias envolvidas;
  • Segmento do agronegócio financiado;
  • Histórico financeiro da companhia.

Essa característica torna o CRA um produto mais sofisticado dentro da renda fixa privada.

Diferença para LCA

CRA e LCA são investimentos ligados ao agronegócio, mas possuem estruturas completamente diferentes.

A principal diferença está no emissor do título e no risco assumido pelo investidor.

CaracterísticaCRALCA
EmissorSecuritizadoraBanco
Garantia FGCNãoSim
Risco principalOperação estruturadaInstituição financeira
ComplexidadeMais técnicaMais simples
LiquidezBaixaMaior
RentabilidadeMais elevadaModerada

Enquanto a LCA funciona como um empréstimo para instituições financeiras, o CRA financia diretamente empresas e operações ligadas ao agronegócio.

Por isso, o CRA tende a oferecer maior retorno potencial, mas também exige análise de crédito mais profunda.

Já a LCA costuma atender investidores conservadores que desejam exposição ao agro com proteção do FGC.

Além disso, o CRA é frequentemente utilizado por investidores que desejam ampliar a exposição ao agronegócio brasileiro além de produtos tradicionais, complementando posições em Fiagros, ações do setor agro e outros ativos ligados às commodities agrícolas.

Vale a pena investir em CRA?

O CRA pode ser uma alternativa interessante para investidores que desejam aumentar o retorno da carteira de renda fixa e investir no agronegócio.

A combinação entre rentabilidade elevada, isenção de imposto de renda e crescimento estrutural do setor agro faz com que esse investimento tenha ganhado espaço no mercado brasileiro.

Por outro lado, trata-se de um ativo mais sofisticado e sem garantia do FGC, o que exige análise criteriosa da operação.

O CRA tende a fazer mais sentido para investidores que:

  • Aceitam maior risco de crédito;
  • Buscam diversificação em renda fixa privada;
  • Possuem horizonte de longo prazo;
  • Querem exposição ao agronegócio;
  • Já investem em ativos ligados ao agro.

Antes de investir, é importante avaliar a qualidade dos recebíveis, as garantias da emissão, o rating da operação e a saúde financeira das empresas envolvidas.

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FAQ – PERGUNTAS FREQUENTES
CRA tem garantia do FGC?

Não. O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), diferentemente de investimentos como LCA, CDB e poupança. Isso significa que, em caso de inadimplência da operação ou problemas financeiros da securitizadora e dos devedores envolvidos, o investidor pode sofrer perdas. Por isso, antes de investir em CRA, é fundamental analisar a qualidade do crédito, as garantias da operação, o setor financiado e o histórico dos agentes envolvidos.

Qual a diferença entre CRA e LCA?

Apesar de ambos estarem ligados ao agronegócio, CRA e LCA possuem estruturas bastante diferentes. A LCA é emitida por bancos e conta com garantia do FGC, oferecendo perfil mais conservador. Já o CRA é emitido por securitizadoras e representa uma operação de mercado de capitais baseada em recebíveis do agronegócio, sem cobertura do FGC. Em geral, o CRA tende a oferecer rentabilidade maior, mas também apresenta risco de crédito mais elevado e menor liquidez.

CRA paga imposto de renda?

Para pessoas físicas, os rendimentos do CRA são isentos de imposto de renda, desde que o investimento siga as regras previstas pela legislação brasileira. Esse benefício fiscal é um dos principais atrativos do título, especialmente para investidores que buscam melhorar a rentabilidade líquida da carteira de renda fixa. Mesmo quando um CDB apresenta taxa bruta superior, o CRA pode entregar retorno líquido mais competitivo justamente pela ausência de tributação.

Vale a pena investir em CRA?

O CRA pode valer a pena para investidores que buscam diversificação na renda fixa, exposição ao agronegócio e rentabilidade potencialmente superior à de produtos mais conservadores. Porém, trata-se de um investimento mais técnico, que exige análise detalhada da estrutura da operação, das garantias e do risco de crédito dos recebíveis. Por isso, costuma ser mais indicado para investidores com horizonte de longo prazo e maior tolerância a risco dentro da renda fixa.

ACESSO RÁPIDO
Guilherme Serrano Silva
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