Grupo Casas Bahia, ex-Via (VIIA3), sobe e tenta recuperação, enquanto Magazine Luiza (MGLU3) cai no Ibovespa; veja motivos

As ações da Via (VIIA3) subiram nesta terça-feira (19) no Ibovespa, liderando as altas do índice, enquanto as de Magazine Luiza (MGLU3) caíram, em linha com um movimento mais técnico das ações e com o mercado repercutindo a divulgação dos últimos indicadores econômicos. Os investidores também monitoram o principal evento da semana, que é a reunião o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).

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No fechamento, as ações ordinárias da Via (VIIA3) avançaram 2,73%, cotadas a R$ 0,75, enquanto as do Magazine Luiza (MGLU3) recuavam 2,31%, a R$ 2,56. O Ibovespa recuou 0,37%, aos 117.845 pontos.

Cotação VIIA3

Gráfico gerado em: 19/09/2023
1 Dia

Segundo Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, no caso do Magazine Luiza, o movimento de queda é mais técnico após a alta de ontem, após a previsão de IPCA mais baixo para o fim do ano, mostrado pelo Boletim Focus.

“Aliado à isso, há uma expectativa de crescimento maior para o PIB. Inclusive o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), um dos termômetros para o Produto Interno Bruto (PIB), divulgado hoje, cresceu 0,44% em julho, acima do consenso de crescimento de 0,3%, o que traz sinais positivos para a economia”, destacou.

Ainda de acordo com Lemos, isso também ocorre com a VIIA3, após forte queda de quase 4% na segunda-feira (18). “Neste caso específico, faz-se necessário observar o percentual do free floating de posição vendida no ativo extremamente alta e que pode também causar distorções eventualmente com a oscilação da taxa. Por ora, VIIA3 ainda é um ativo extremamente pressionado por juros, concorrência no e-commerce e agora, também, essa questão de aluguel de ações para pressionar”, acrescentou.

BB Investimentos rebaixa recomendação para as ações de Via; veja motivos

Em relatório divulgado na terça-feira (18), analistas do BB Investimentos decidiram rebaixar a recomendação da companhia, apesar de manter algum otimismo após a divulgação do Plano de Transformação do Grupo Casas Bahia, novo nome da Via.

Os especialistas cortaram o preço-alvo das ações da Via de R$ 2,30 para R$ 1,40, e rebaixaram a recomendação para neutra.

“Entendemos que, no último mês, as ações do Grupo Casas Bahia passaram por momentos bastante desafiadores. Em nosso último relatório, referente ao resultado do 2T23, comentamos que, apesar dos números fracos, a divulgação de um plano de transformação de 2 anos tendo como prioridades a geração de caixa e melhoria da rentabilidade poderia ser um catalisador de resultados mais construtivos já nos próximos trimestres, razão pela qual elevamos nossa recomendação para compra naquela ocasião”, diz o BB Investimentos.

Desde o fim de agosto, as ações VIIA3 somam retração de 56%. Em uma janela maior, de 12 meses, os papéis mostram retração de 77%.

Um dos principais catalisadores para essa retração foi a recente decisão da empresa de realizar uma emissão de bilhões de papéis – já precificados a R$ 0,80, patamar abaixo do preço de fechamento da véspera do anúncio da operação ao mercado.

“Pesou sobre a nossa decisão de rebaixamento da recomendação o fato de a administração da companhia prosseguir com uma oferta que precificou suas ações a R$ 0,80, desconto de 30% sobre o preço de fechamento do dia da precificação (13/09) e 57% abaixo do preço em 11/08, transmitindo uma mensagem negativa aos minoritários, em nossa visão”, dizem os analistas.

Para o BB-BI, com esse movimento, a companhia chancelou um novo patamar de preço para suas ações e sinalizou aos investidores a necessidade de captação de recursos ‘a qualquer preço’ ao invés de aguardar até que o mercado pudesse vislumbrar os primeiros sinais positivos decorrentes do plano de transformação.

A casa também observou medidas tomadas pela companhia que pressionaram o desempenho das ações, em especial no que se refere à oferta pública de ações (778.649.283 ações), precedida da necessidade de convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar acerca da alteração do capital autorizado para até 3 bilhões de ações ordinárias.

“Esse movimento implicou em uma queda de cerca de 35% do preço das ações entre o dia 05/09 e 11/08. Ao nosso ver, essa queda refletiu a preocupação dos investidores com a iniciativa da companhia em captar recursos em um momento delicado em que, apesar da boa recepção do plano de transformação, ainda é incipiente para observar melhoras concretas decorrentes dos projetos ora em curso”, completa.

Assim, o BB-BI optou por rebaixar a recomendação para neutra, mesmo diante do alto potencial de valorização entre o preço corrente e nosso preço-alvo para o final de 2024, por entender que o destravamento de valor ocorrerá somente após avanços no plano de transformação, sendo esperados resultados pressionados no 2S23 em decorrência das despesas não recorrentes relacionadas às iniciativas de redução de pessoal e fechamento de lojas, por exemplo.

“Monitoraremos os resultados dos próximos trimestres, bem como o equilíbrio da relação risco-retorno – que hoje se encontra em patamar desfavorável para os nossos investidores – para revisitar as
premissas atribuídas à nossa recomendação atual”.

A partir desta quarta-feira (20), a Via terá uma alteração relevante. A companhia passará a se chamar Grupo Casas Bahia, demonstrando os esforços da nova gestão em focar no ‘core’ da empresa nas suas decisões.

Com isso, as ações da Via serão negociadas sob o ticker BHIA3.

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Papéis da Via caem mais 30% após precificação de oferta de ações

Na última quinta-feira (14), os papéis da Via chegaram a cair mais de 30%, após a precificação de sua oferta de ações, fazendo com que a empresa perdesse cerca de R$ 32 bilhões em valor de mercado desde 2020. Os ativos chegaram a recuar 96% desde a máxima atingida há três anos, quando dispararam em meio ao salto do comércio eletrônico impulsionado pela pandemia.

Em fato relevante divulgado no mesmo dia, a Via precificou sua ação no follow-on em R$ 0,80 por papel, cerca de 27,9% abaixo da sua cotação atual, que é de R$ 1,11, após cair 5,13% na Bolsa de Valores na quarta-feira (13).

Assim, a varejista captou R$ 622,9 milhões, abaixo dos R$ 981 milhões previstos inicialmente.

Do preço por ação de R$ 0,80, o valor de R$ 0,40 será destinado à conta de capital social da companhia, totalizando a quantia de R$ 311,5 milhões em aumento de capital social. Já o valor remanescente de R$ 0,40 mira a formação de reserva de capital, em conta de ágio na subscrição de ações, totalizando a quantia de R$ 311,5 milhões destinada à reserva de capital.

Desta forma, o capital social da companhia foi aumentado para R$ 5,449 bilhões, dividido em 2.377.080.572 ações.

O conselho de administração do Grupo Casas Bahia também aprovou a emissão de até 622.919.426 bônus de subscrição aos subscritores das ações, que foram ofertados e alocados aos subscritores à razão de 4 bônus de subscrição para cada 5 ações subscritas.

Segundo a Via, caso a totalidade dos 622.919.426 bônus de subscrição seja emitida e exercida, o montante captado pela companhia por meio da oferta será de R$ 1,121 bilhão.

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Giovanni Porfírio Jacomino

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