Vale (VALE3): ruído no conselho faz barulho, mas não muda tese, dizem analistas
A Vale (VALE3) voltou ao centro das atenções por causa da disputa em torno de seu conselho de administração, mas o BTG Pactual avalia que o ruído pode ser maior do que o impacto real para a companhia. Em relatório, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo mantiveram recomendação de compra para a mineradora, com preço-alvo de US$ 18 para o ADR.
Segundo o banco, os acontecimentos recentes no conselho “não são ideais”, mas ainda não indicam mudança na direção estratégica da empresa nem impacto relevante nas operações do dia a dia. A equipe de gestão deve continuar a mesma, o que reduz o risco de alterações mais profundas na tese de investimento.
Vale (VALE3): BTG vê risco político limitado
O episódio ganhou força após a Previ pedir formalmente, em 11 de junho, a saída de Daniel Stieler da presidência do conselho da Vale (VALE3) e apoiar a indicação de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para o cargo.
Stieler inicialmente resistiu à renúncia, e a maioria do conselho votou contra a proposta de remoção em 22 de junho. No entanto, ele acabou deixando o cargo em 6 de julho. Com isso, os acionistas não votarão mais sobre sua destituição na assembleia marcada para 22 de julho.
Para o BTG, o movimento parece mais relacionado a dinâmicas internas da Previ, incluindo mudanças recentes na liderança do fundo de pensão, do que a um problema específico da Vale (VALE3). O banco também afirma que o risco de interferência do governo segue limitado, mesmo com a Previ sendo ligada ao Estado, por reunir funcionários do Banco do Brasil (BBAS3).
Segundo os analistas, a Previ influencia a Vale (VALE3), na prática, por meio de 2 dos 13 assentos do conselho. Por isso, o BTG não espera que a próxima assembleia altere a estratégia de longo prazo da mineradora.
O que será votado na assembleia da Vale?
Com a renúncia de Stieler confirmada, a pauta da assembleia de 22 de julho ficou mais enxuta. Os acionistas votarão em dois pontos principais: a eleição do novo presidente do conselho e a escolha de um novo membro para o colegiado.
Na disputa pela presidência do conselho estão Ollie e Marcelo Gasparino. Segundo o BTG, ambos são conselheiros respeitados e vêm apoiando a estratégia atual da Vale (VALE3) há anos. Ollie tem experiência no setor de mineração, enquanto Gasparino já ocupa a vice-presidência do conselho.
Para a nova vaga no conselho, os nomes são José Maurício Coelho, indicado pela Previ, e Ieda Gomes Yell, independente e ex-executiva da BP. Na visão do banco, nenhum dos candidatos representa uma ruptura. A leitura é de continuidade, não de mudança.
Compra mantida apesar do barulho
Apesar do risco de novas manchetes sobre governança, o BTG afirma que não vê motivo para mudar sua visão sobre a tese da Vale (VALE3). O banco segue esperando foco em excelência operacional, investimentos de menor porte em cobre, disciplina de capital e retorno de caixa excedente aos acionistas.
Os analistas reconhecem que os resultados do 2T26 não devem ser especialmente fortes e podem refletir alguma pressão de custos externos. Ainda assim, avaliam que a tese de longo prazo permanece intacta.
O BTG estima potencial de valorização de 24,5% para o ADR da Vale, além de dividend yield projetado de 5,8%, o que leva o retorno total esperado a 30,3%. O banco também destaca que as ações ainda negociam com um yield de fluxo de caixa ao acionista de 9% neste ano.
Para os analistas, o capítulo recente no conselho da Vale (VALE3) foi “longe do ideal”, mas também está “longe de ser uma virada de jogo”. A avaliação é que o barulho de governança não se traduz, por enquanto, em dano concreto aos fundamentos da mineradora.