Ibovespa cai mais de 1% com tensão no Oriente Médio e petróleo em disparada
O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (13) em queda, pressionado pela forte piora do cenário geopolítico após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O principal índice da B3 recuou 1,20%, aos 175.739,08 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes, enquanto investidores voltaram a precificar um cenário de inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo.
O avanço de quase 10% do petróleo Brent, após novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, sustentou as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) e evitou uma queda ainda mais intensa do Ibovespa. Por outro lado, papéis ligados ao ciclo doméstico, bancos e a Vale (VALE3) pressionaram o índice.
Cotação do dólar hoje
O dólar comercial fechou em alta de 0,81%, cotado a R$ 5,15, refletindo o aumento da aversão ao risco global após a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O movimento foi impulsionado pela disparada do petróleo, pelo fortalecimento do dólar no exterior e pela busca dos investidores por ativos considerados mais seguros.
Segundo a analista Rebecca Nossig, da Nomad, a escalada das tensões no Estreito de Ormuz elevou o receio de uma nova onda inflacionária global, fortalecendo o dólar e pressionando moedas de países emergentes, como o real.
Maiores altas e baixas
A disparada do petróleo beneficiou empresas do setor de óleo e gás. Petrobras (PETR3) avançou 3,44%, enquanto Petrobras (PETR4) subiu 2,55%. Também fecharam em alta Prio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3).
Na ponta negativa, a queda do minério de ferro pressionou Vale (VALE3), que recuou 1,79%. Entre os bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,76%, enquanto Bradesco (BBDC4) perdeu 0,48%. Empresas mais sensíveis aos juros, como construtoras, também ficaram entre as maiores baixas.
O movimento do mercado foi provocado por uma nova escalada nas tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Pela manhã, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA pretendem assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar taxas pela navegação na região. À tarde, Washington anunciou o bloqueio de portos e áreas costeiras iranianas, enquanto Teerã prometeu responder à medida. Relatos de novos ataques entre Iêmen e Arábia Saudita ampliaram ainda mais o clima de aversão ao risco.
A leitura predominante entre os investidores é de que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz pode pressionar os preços do petróleo, reacender preocupações com a inflação e reduzir o espaço para cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Além do cenário externo, o mercado já começa a voltar as atenções para a temporada de resultados do segundo trimestre, que ganha força nas próximas semanas e deve trazer novos direcionadores para as ações brasileiras.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de sexta-feira (10), foi de 177.866,37 pontos, com alta de 2,97%.