Mercado Livre (MELI34) resiste aos juros, enquanto Magalu (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) patinam
O Mercado Livre (MELI34) segue como a principal aposta do Safra no comércio eletrônico da América Latina, mesmo após a piora do cenário macroeconômico no Brasil. O banco revisou estimativas e preços-alvo para empresas do setor, levando em conta juros mais altos, pressão sobre consumo e maior custo financeiro para as companhias.
Apesar do ajuste, a recomendação de compra para Mercado Livre (MELI34) foi mantida. O preço-alvo em 12 meses passou de US$ 2.400 para US$ 2.300. Segundo o Safra, a companhia continua combinando crescimento acelerado, ganho de eficiência e posição financeira sólida.
O banco destaca que o Mercado Livre acumula mais de 30 trimestres consecutivos com crescimento acima de 30%. Além disso, estima retorno sobre capital investido médio de 39% entre 2025 e 2028.
Mercado Livre (MELI34) segue favorito no e-commerce
Na avaliação do Safra, o Mercado Livre (MELI34) continua bem posicionado para capturar o avanço estrutural do comércio eletrônico na América Latina, apoiado por investimentos em tecnologia e expansão logística.
Outro ponto citado pelo banco é o valuation. A companhia negocia a cerca de 36 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica de 55 vezes.
Ainda assim, o cenário não é livre de pressão. O Safra espera margens mais apertadas nos próximos trimestres, por causa da abertura de novos centros de distribuição, expansão da oferta de crédito e campanhas comerciais mais agressivas, como frete grátis e cupons promocionais.
Com isso, a estimativa de margem operacional de longo prazo foi reduzida de 10,5% para 9%. Mesmo assim, o banco projeta crescimento médio anual de 32% na receita líquida do Mercado Livre (MELI34) entre 2025 e 2028.
Magalu e Casas Bahia enfrentam cenário mais difícil
Para Magazine Luiza (MGLU3), o Safra manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 10 para R$ 6. O banco avalia que os juros elevados continuam pressionando categorias de consumo mais dependentes de crédito, o que limita a recuperação operacional da varejista.
A geração de caixa também segue como ponto de atenção. Nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, o Magazine Luiza (MGLU3) registrou fluxo de caixa operacional após investimentos negativo em R$ 600 milhões.
No caso de Casas Bahia (BHIA3), o Safra manteve recomendação de venda e cortou o preço-alvo de R$ 3 para R$ 1,20. A principal preocupação segue sendo o consumo de caixa. Segundo o banco, a companhia queimou R$ 1,6 bilhão nos últimos 12 meses.
O Safra também projeta retorno sobre capital investido médio de apenas 4% para Casas Bahia (BHIA3) entre 2025 e 2028, patamar bem abaixo do estimado para Mercado Livre (MELI34).
Riscos do setor seguem no radar
Entre os principais riscos para o comércio eletrônico na América Latina, o Safra cita a piora do cenário macroeconômico, com impacto sobre consumo e inadimplência, dificuldade de execução operacional, competição mais intensa de plataformas internacionais e exposição do Mercado Livre (MELI34) à economia argentina.
Mesmo com esse cenário mais duro, o Mercado Livre (MELI34) segue como o nome preferido do banco no setor, apoiado por crescimento consistente, múltiplos abaixo da média histórica e retorno sobre capital investido estimado em 39% entre 2025 e 2028.