Totvs (TOTS3) pode subir 37%? Ação está barata, aponta relatório
As ações da Totvs (TOTS3) podem avançar 37%, segundo relatório da XP Research divulgado nesta quinta-feira (17). A casa manteve a recomendação de compra para os papéis e estabeleceu preço-alvo de R$ 47 para o fim de 2027.
O potencial foi calculado com base na cotação de R$ 34,20 considerada no estudo. Para os analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas, a recente desvalorização da ação reflete principalmente o receio de que a inteligência artificial prejudique empresas de software — e não uma piora nos fundamentos da companhia.
Por que a ação da Totvs (TOTS3) ficou para trás?
Segundo a XP, o mercado passou a tratar as empresas de software como um único bloco diante do avanço da inteligência artificial. A preocupação é que agentes de IA reduzam a demanda por sistemas tradicionais ou pressionem os modelos de cobrança dessas companhias.
Essa percepção afetou a Totvs mesmo durante um período no qual a empresa apresentou crescimento operacional. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou adições brutas recordes de receita recorrente anualizada, acima de R$ 400 milhões, com crescimento de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A margem Ebitda também avançou 1,9 ponto percentual na comparação anual, conforme os dados citados pela XP. Ainda assim, a correlação entre TOTS3 e o desempenho das empresas globais de software aumentou de 0,12, em 2024 e 2025, para 0,49 em 2026.
A exclusão da Totvs do índice MSCI Brazil também teria pressionado os papéis, ao provocar vendas por parte de fundos que acompanham o indicador.
Atualmente, a ação negocia perto de 15 vezes o lucro estimado para 2027, múltiplo aproximadamente 30% inferior à média dos últimos cinco anos, segundo os cálculos da casa. O desconto também seria de cerca de 30% em relação à SAP.
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Inteligência artificial é ameaça para a Totvs?
A avaliação da XP é que a Totvs está relativamente protegida contra uma substituição acelerada por ferramentas genéricas de inteligência artificial.
Os sistemas da empresa são utilizados em processos como folha de pagamento, contabilidade, gestão tributária, finanças e cadeia de suprimentos. Essas atividades exigem elevado nível de precisão e envolvem riscos fiscais, trabalhistas e operacionais.
A casa ressalta que a companhia controla os chamados sistemas de registro de mais de 70 mil clientes. Isso significa que dados fiscais, históricos contábeis e informações sobre salários e transações ficam armazenados nas plataformas da Totvs.
Uma eventual troca de fornecedor exigiria migração de dados e integração com bancos, sistemas tributários e operações logísticas. Para a XP, esses custos e riscos funcionam como uma barreira à entrada de concorrentes.
O relatório também destaca a experiência da Totvs com regras brasileiras. A companhia acumula mais de 40 anos de dados e conhecimento sobre processos empresariais, além de atuar em 12 segmentos econômicos.
De acordo com os números apresentados pela casa, aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já teria transitado pelos sistemas da companhia. Entre as empresas listadas na B3 que utilizam seus produtos, 62% são clientes há mais de dez anos.
Como a companhia pretende ganhar dinheiro com IA?
Além da proteção do negócio atual, a XP considera que a Totvs pode transformar a inteligência artificial em uma nova fonte de receita.
Um dos pilares dessa estratégia é a LYNN, plataforma criada para integrar agentes de IA aos sistemas empresariais. A companhia também oferece recursos como organização de bancos de dados, atualização de sistemas e ampliação do consumo de APIs.
Segundo o relatório, os produtos que ajudam os clientes a preparar seus sistemas para a inteligência artificial responderam por um terço do aumento da receita recorrente da divisão de gestão desde o quarto trimestre de 2025. No segundo trimestre de 2026, representaram 28% das adições líquidas de receita recorrente anualizada.
Apesar da visão positiva, a XP aponta riscos que precisam ser monitorados. Um deles é a possibilidade de a automação reduzir o número de usuários nos sistemas, afetando contratos cobrados por licença ou assento.
Outro ponto de atenção é o custo de processamento das ferramentas de IA, especialmente nos contratos com pequenas e médias empresas. Caso as despesas de infraestrutura aumentem mais rapidamente do que as receitas, as margens podem ser pressionadas.
O que esperar do resultado do terceiro trimestre?
A XP projeta que a Totvs apresentará receita líquida de R$ 1,970 bilhão no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 12,8% na comparação anual. A receita recorrente deve avançar 15%.
As adições líquidas de receita recorrente anualizada são estimadas em R$ 210 milhões. Já o Ebitda ajustado deve atingir R$ 505 milhões, aumento de 17,9% sobre o mesmo período de 2025.
A margem Ebitda ajustada é projetada em 25,7%, avanço de 1,12 ponto percentual. A melhora seria sustentada pela alavancagem operacional, pela integração das estruturas de gestão e RD Station e pelas sinergias com a Linx.
Em sentido contrário, o lucro líquido ajustado deve recuar 10,1%, para R$ 234 milhões. Segundo a XP, o resultado ainda será pressionado pelo aumento das despesas financeiras após a aquisição da Linx.
Para a Techfin, considerando 100% da operação, a casa estima receita líquida dos custos de financiamento de R$ 120 milhões e Ebitda ajustado de R$ 9 milhões.
XP mantém recomendação de compra
Para 2026, a XP estima receita líquida de R$ 7,801 bilhões, crescimento anual de 12,7%. O Ebitda ajustado deve alcançar R$ 2,009 bilhões, com margem de 25,8%.
Em 2027, a projeção é de receita de R$ 8,751 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,352 bilhões. O lucro líquido ajustado é estimado em R$ 1,277 bilhão, alta de 26,4% em relação à previsão para 2026.
A casa considera que o desconto atual é excessivo diante da combinação de receitas recorrentes, geração de caixa, ganhos de eficiência e capacidade de adaptação à inteligência artificial. Por isso, reiterou a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 47.
A concretização desse potencial dependerá da execução da estratégia, da captura das sinergias com a Linx e da capacidade de rentabilizar os novos produtos de IA. Ainda assim, na avaliação da XP, a relação entre risco e retorno da Totvs (TOTS3) é mais favorável do que a precificação atual sugere.