Petróleo: Rússia está preparada para reduzir produção, apontam fontes

Após semanas de divergências, a Rússia comunicou que está pronta para cortar a produção de petróleo, em 1,6 milhão de barris por dia (bpd). As informações foram divulgadas pela a agência de notícias TASS.

O veículo citou uma autoridade não identificada, do Ministério de Energia russo. A Rússia havia rejeitado a oferta Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em cortar adicionalmente 1,5 milhão de barris de petróleo por dia até o final deste ano.

A Opep, no entanto, tentou evitar a quebra dos esforços realizados desde 2017 para o controle sadio da cotação da commodity, evitando o excesso de oferta no mercado.

Além disso, a agência Interfax também noticiou que o país está preparado para participar do acordo com Opep+, grupo que integra os países Opep a aliados da Organização, como a Rússia. O veículo informa que os russos estão prontos para trégua, em linha com a sua parcela na produção total dos países envolvidos no pacto.

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Ao longo dos primeiros meses do ano, ao passo que a economia global dava sinais de queda na demanda pelo petróleo, a Opep permaneceu atenta sobre a sua produção diária do insumo e seu preço mundial. No dia 5 e 6 de março, a organização se reuniu com a Rússia, mas não chegaram a um acordo para cortar a produção e conter a queda nos preços do petróleo.

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“A partir de 1º de abril, levando em consideração a decisão tomada hoje, nenhum país, nem a OPEP, nem a OPEP +, é obrigado a reduzir a produção”, afirmou o ministro da Energia da Rússia, Alexandre Novak, após longas negociações em Viena, na Áustria.

Devido ao pessimismo dos investidores quanto ao futuro dessa conturbada relação entre os países, no dia 8 de março, a cotação da commodity chegou a cair 31% nos mercados asiáticos, o barril Brent era negociado a US$ 36,62 naquele dia. Essa foi a maior queda diária desde justamente a Guerra do Golfo.

Conforme o relatório da Opep, a estimativa da demanda por petróleo passou de 990 mil barris de petróleo por dia (bpd) para 920 mil bpd em 2020. A entidade salientou que caso a disseminação do Covid-19 continue avançando, as próximas projeções poderão serão menores, o que pressiona ainda mais os preços.

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Em retaliação ao posicionamento da Rússia, o Ministério da Energia da Arábia Saudita informou no dia 17 de março que as exportações de petróleo devem aumentar nos meses seguintes para acima de 10 milhões de barris por dia. A última vez que o país havia aumentado sua produção diária foi há mais de 10 anos.

Na última terça-feira (17), entretanto, o ministro do petróleo do Iraque, Thamer al-Ghadhban, solicitou uma reunião de emergência entre os membros e não membros da Opep. O intuito da reunião é encontrar ações para ajudar o equilíbrio do mercado da commodity.

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No documento enviado ao cartel, o ministro pede que a Opep “realize urgentemente” reuniões extraordinárias para “discutir todos os caminhos possíveis para chegar a ações sérias e imediatas”. As partes envolvidas procuram encontrar um acordo para não agravar a crise internacional, impulsionada pelo vírus que assola o planeta.

O barril de petróleo Brent iniciou o ano cotado a US$ 68,75, e fechou a última sexta-feira (20) negociado a US$ 27,58, uma desvalorização de mais de 59%.

Já o barril WTI começou o ano a US$ 60,99 e está cotado a US$ 22,43, uma queda ainda mais acentuada, de 63,22%. Diferentemente das outras crises, esse incidente recai sobre a demanda, o que fez os preços caírem e os exportadores, principalmente os menores, sofrerem.

Arthur Guimarães

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