Pix Internacional está mais perto? Banco Central avança em plano para conectar pagamentos entre países

Mandar um Pix para alguém do outro lado da cidade leva poucos segundos. O próximo passo pode ser fazer o dinheiro atravessar uma fronteira com a mesma facilidade. O Banco Central passou a tratar de forma mais concreta a possibilidade de conectar o sistema brasileiro a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países, abrindo caminho para o chamado Pix Internacional.

A novidade aparece na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, divulgada nesta segunda-feira (10). O documento coloca a integração internacional entre as frentes de evolução do sistema e aponta dois caminhos possíveis: conexões diretas com outros países ou a participação em estruturas capazes de interligar diferentes sistemas nacionais de pagamentos instantâneos.

Pix começa a mirar além das fronteiras

Apesar do nome, o Pix Internacional não significa simplesmente pegar a chave usada no Brasil e começar a transferir dinheiro para qualquer pessoa no exterior. Para isso funcionar, será necessário conectar a infraestrutura brasileira aos sistemas de pagamentos instantâneos existentes em outros países.

Uma das possibilidades estudadas envolve acordos bilaterais. Nesse modelo, o Brasil poderia conectar diretamente o Pix ao sistema de determinado país. Outra alternativa seria participar de hubs multilaterais, que funcionariam como pontes entre plataformas de diferentes economias.

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Na prática, essa integração poderia permitir, por exemplo, que um brasileiro pagasse uma compra no exterior usando recursos de sua conta no Brasil, enquanto o comerciante receberia o valor na moeda local. O mesmo princípio poderia valer para transferências entre pessoas e operações realizadas por empresas.

Há uma diferença importante em relação ao que já existe hoje. Brasileiros conseguem usar Pix em alguns estabelecimentos fora do país por meio de empresas que fazem a intermediação da operação. Isso, porém, não representa uma conexão oficial entre o Pix e o sistema de pagamentos de outra economia.

Pagamentos mais rápidos — e potencialmente mais baratos

O tamanho da oportunidade fica mais claro quando se olha para uma transferência internacional tradicional. O dinheiro pode passar por diferentes instituições, envolver conversão cambial e acumular tarifas antes de chegar ao destinatário.

Ao conectar sistemas de pagamentos instantâneos, o Banco Central vê espaço para reduzir etapas desse caminho, tornando as operações mais rápidas, transparentes e potencialmente mais baratas.

Para pessoas físicas, isso poderia simplificar desde pagamentos durante uma viagem até o envio de dinheiro para alguém que vive fora do Brasil. Para empresas, especialmente aquelas que compram, vendem ou prestam serviços internacionalmente, a integração pode facilitar recebimentos e pagamentos e reduzir a dependência de cadeias mais longas de intermediários.

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A dimensão alcançada pelo Pix ajuda a explicar por que essa expansão entrou no radar. O sistema encerrou 2025 com quase 80 bilhões de transações, crescimento de 25,7% em um ano, e movimentou mais de R$ 35 trilhões no período.

Regulação ainda é o principal desafio

Fazer o Pix cruzar fronteiras, no entanto, é mais complicado do que fazê-lo cruzar bancos dentro do Brasil.

Cada país tem suas próprias regras para câmbio, identificação de clientes, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção de dados e supervisão das instituições financeiras. Uma integração internacional também precisa definir como será feita a conversão das moedas, quais participantes poderão operar e quem ficará responsável por cada etapa da transação.

O diálogo entre as autoridades já começou. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, o Banco Central mantém acordos de compartilhamento de informações sobre o Pix com 65 autoridades estrangeiras, incluindo representantes de países como Canadá, Alemanha, África do Sul e Turquia.

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Esse trabalho regulatório será fundamental para que a expansão preserve uma das características que ajudaram a popularizar o Pix no Brasil: a simplicidade para quem está na ponta. A operação pode ser complexa por trás da tela, mas precisa continuar parecendo simples para quem paga ou recebe.

Quando o Pix Internacional pode chegar?

Ainda não existe uma data oficial para o lançamento.

O Banco Central incluiu a interoperabilidade internacional entre as frentes futuras do Pix, mas não apresentou um cronograma para que brasileiros possam realizar transferências diretamente para sistemas estrangeiros.

O avanço também dependerá dos acordos firmados com outros países e do modelo escolhido para conectar as diferentes infraestruturas.

Por enquanto, portanto, o Pix Internacional continua em desenvolvimento. A mudança é que a internacionalização começa a deixar o campo das possibilidades para ganhar contornos mais concretos dentro dos planos do Banco Central. Depois de transformar a maneira como os brasileiros movimentam dinheiro dentro do país, o próximo desafio do Pix será descobrir como fazer essa mesma experiência funcionar quando há uma fronteira — e outra moeda — no meio do caminho.

Maíra Telles

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