Plano estratégico da Petrobras (PETR4) sai em em meio a ruídos políticos. Como ficam as ações e os dividendos?

A Petrobras (PETR4) divulgou seu plano estratégico para o quinquênio 2024-2028, com expectativa de que os investimentos da empresa somem US$ 102 bilhões nos próximos 5 anos. O novo capex é 31% maior do que o do plano estratégico anterior.

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Do valor total dos investimentos da Petrobras, cerca de US$ 91 bilhões devem ser alocados em projetos da carteira de implantação, de acordo com o Plano Estratégico da estatal. Outros US$ 11 bilhões devem ser investidos em projetos que estão na carteira em avaliação. Esses projetos da Petrobras estão sujeitos, porém, a estudos adicionais sobre a viabilidade financeira, antes mesmo de serem contratados e executados.

Em entrevista após a divulgação do plano estratégico da Petrobras, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, reforçou que a petroleira não tem a intenção de vender mais refinarias, uma vez que o novo plano foca na sustentabilidade da petroleira no longo prazo.

O que dizem os analistas?

A Genial entende que o plano de investimentos da Petrobras é negativo, mas está longe de ser ruim como se temia. A principal desvantagem, na visão da casa, é o capex maior em refino. Mesmo assim, segundo os analistas, o risco de má alocação de capital está afastado. Os analistas reduziram o preço-alvo da Petrobras (PETR4) de R$ 38 para R$ 35.

Já para o Goldman Sachs, o plano divulgado pela companhia veio em linha com o esperado e retirou o peso da ação. A casa projeta dividendos entre US$ 40 e US$ 45 bilhões entre 2024 e 2028, e acredita que a petroleira poderia pagar de US$ 5 a US$ 10 bilhões em dividendos extras no período. Assim, o dividend yield seria de 9%, com +1,5% em relação aos proventos extras. Os analistas reiteram recomendação de compra para Petrobras (PETR4), com preço-alvo em R$ 42,30.

A XP também mantém recomendação de compra para os papéis preferenciais da Petrobras, embora afirme que a companhia dá mais um passo em direção à deterioração da sua tese de investimentos. A casa afirma que o atual plano de investimentos tem uma mudança ligeiramente negativa em relação ao anterior. 

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Petrobras passa por ruídos políticos

A divulgação do novo plano estratégico da Petrobras acontece em meio a ruídos políticos que derrubaram a ação no início desta semana. Tudo começou quando o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou publicamente uma redução no preço dos combustíveis por parte da estatal.

A resposta veio por meio do X (antigo Twitter), e Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, reforçou que a companhia não mais adota a política de paridade internacional dos preços, criada durante o governo Michel Temer, e portanto, fará ajustes “quando os parâmetros indicarem pertinência”, de acordo com o CEO.

Prates complementou ainda dizendo que, se o Ministério de Minas e Energia quiser orientar a companhia a baixar os preços de combustíveis diariamente, seria necessário seguir a Lei das Estatais e o Estatuto Social da companhia.

Consequência ou não da rusga pública, o jornal O Globo publicou, no início da semana, que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, estaria articulando um plano para tirar Prates do cargo de CEO. A alternativa seria a indicação do atual secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Posteriormente, a Reuters também publicou uma notícia parecida. Segundo a agência, o alto escalão do governo, insatisfeito com o trabalho de Prates, estaria conversando sobre uma possível mudança no cargo, ainda que não houvesse nenhum nome definido para assumir a cadeira de CEO.

Ainda segundo a publicação, o presidente da república seria um dos descontentes com o rumo da empresa. Lula teria, inclusive, pedido mudanças no plano de investimentos da Petrobras, que à época, estava prestes a ser publicado.

Após as duas notícias, que derrubaram a cotação dos papéis da estatal,  Lula realizou uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o CEO da Petrobras, Jean Paul Prates, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Depois do evento, Prates afirmou que a reunião foi “positivíssima”, que a redução dos preços dos combustíveis não foi solicitada e que “não há problema algum”.

Independentemente das cenas dos próximos capítulos, é fato que essa novela repercute de forma muito negativa nos papéis da Petrobras. O consenso de boa parte dos analistas de mercado é que a companhia está em um ótimo momento, mas que as questões políticas seguem sendo o principal risco.

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Guilherme Serrano Silva

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