Mais um baque: Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e varejistas afundam no Ibovespa; veja os motivos

As ações das empresas do varejo brasileiro foram duramente penalizadas no pregão desta sexta-feira (14), após bons ganhos na véspera, refletindo hoje a alta dos juros futuros e os dados de vendas no varejo, divulgados pelo IBGE nesta manhã, que mostraram queda de 1% nas vendas em maio ante abril. O Magazine Luiza (MGLU3) e a Via (VIIA3) puxaram as perdas em dia ruim no Ibovespa.

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No fechamento os papéis ficaram com as seguintes cotações: Alpargatas (ALPA4) caiu 0,68% (R$ 8,70); Arezzo (ARZZ3) afundou 2,95% (R$ 77,88); Natura (NTCO3) recuou 3,68% (R$ 15,71); Grupo Soma (SOMA3) perdeu 2,10% (R$ 10,72); Lojas Renner (LREN3) cedeu 3,36% (R$ 17,83); Magazine Luiza teve baixa de 2,32% (R$ 2,95); Petz (PETZ3) desvalorizou 3,70% (R$ 6,25) e Via anotou queda de 1,03% (R$ 1,93).

Quatro das oito atividades que integram o varejo registraram recuos em maio de 2023 ante maio de 2022. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo os dados, na média global, o comércio varejista teve uma retração de 1,0%.

Houve perdas em Tecidos, vestuário e calçados (-18,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-17,4%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-6,7%) e Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-4,9%).

Os quatro setores com avanços foram Combustíveis e lubrificantes (10,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (7,6%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,5%) e Móveis e eletrodomésticos (0,3%).

No varejo ampliado – que inclui os segmentos de veículos, material de construção e atacado alimentício -, as vendas subiram 3,0% em maio de 2023 ante maio do ano anterior.

O volume vendido por Veículos, motos, partes e peças subiu 1,6% em relação a maio de 2022, Material de Construção teve recuo de 2,0%, e Atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 18,1%.

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Via (VIIA3) vai demitir até 15% de funcionários, a depender da área, revela jornal

Via (VIIA3), controladora da Casas Bahia e Ponto Frio, em um movimento de redução de gastos e estratégia de economias anunciou que irá fazer mais uma redução na equipe, conforme informou o Valor Econômico na quinta-feira (13).

Desde a mudança na direção da Via, com a entrada do ex-CEO da Movida, Renato Franklin, a varejista vem fazendo movimentações de enxugamento de equipe. O objetivo é, de maneira gradual, conseguir estreitar os custos e ainda impulsionar a produtividade. Apenas nesta semana, 100 pessoas foram desligadas da empresa, de vários departamentos e até médio escalão.

Na lógica de priorização aos projetos mais relevantes da varejista e enxugamento de cargos hierárquicos, a redução pode chegar entre 10% a 15% dos departamentos. No mês de junho, foi feita uma redução de pessoal no banco digital da rede, o banQi.

Em 2022, a Via, segundo informado à B3 contava com um quadro de 46 mil funcionários. O número representa uma alta em comparação ao volume de 45,9 mil em 2021.

Novos planos do alto escalão da Via (VIIA3)

Com a saída do líder Roberto Fulcherberguer em abril deste ano, também saiu o diretor-financeiro executivo Orivaldo Padilha, que operava como diretor-financeiro desde 2019 quando foi contratado por Fulcherberguer.

Em substituição a Padilha, entrou Elcio Mitsuhiro Ito (ex-Iochpe-Maxion) em junho deste ano.

O plano da nova diretoria, além da expansão no meio on-line, segundo fonte próxima que conversou com o Valor, é que a Via (VIIA3) consiga se destacar mais em seus pontos fortes, como financiamento e logística, aspectos que ela destoa da concorrência.

Além disso, a companhia precisará reconquistar a confiança dos investidores. De acordo com a apuração da reportagem do jornal, os bancos de investimento estão guiando a Via para uma oferta de ações para captação de capital aberto, o que não deixa de ser um plano das bancários para ter mais operações me andamento.

A renegociação de dívidas da Via de 2023 foram finalizadas no início do ano, com R$ 850 milhões de pagamento.

Magazine Luiza (MGLU3) ‘prepara o terreno’ para recuperação, diz Santander

Os analistas do Santander aumentaram o otimismo com as ações do Magazine Luiza (MGLU3), apesar de manter a recomendação neutra para os papéis.

“O início favorável do Magazine Luiza em 2023 mostra o enfraquecimento da competição entre online e offline, preparando o terreno para um ano de recuperação, em nossa opinião”, diz a casa.

A projeção é de que o acumulado do ano de 2023 mostre um prejuízo líquido do Magazine Luiza maior do que o acumulado de 2022, de R$ 476 milhões ante R$ 372 milhões do ano anterior.

Além disso, a ausência de um valuation atrativo no momento deixa o Santander ‘de fora da tese’.

“Sob nossas estimativas atualizadas, vemos MGLU3 negociando com um valuation ‘exigente’, de preço sobre lucro estimado para 2025 de 21 vezes, mantendo nossa recomendação Neutra”, diz a casa.

O preço-alvo do Santander é de R$ 4,30 por ação do Magalu, ao passo que os papéis são negociados a cerca de R$ 3.

“Ao nosso ver, o mercado já precificou a melhoria da dinâmica competitiva. A próxima etapa pode ser desencadeada por uma recuperação operacional que ainda não se concretizou, e assim preferimos esperar por um ponto de entrada melhor para equilibrar o risco de oportunidade”, concluem os especialistas.

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Allan Ravagnani

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