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Klabin (KLBN11): após boa demanda no 4T21, CFO vê 2022 aquecido com o varejo

Klabin (KLBN11): após boa demanda no 4T21, CFO vê 2022 aquecido com o varejo
Klabin teve resultado acima do esperado no 4T21, mas ações caem cerca de 5% nos últimos cinco pregões

Praticamente unânime com recomendação de compra entre as corretoras e casas de análise, a Klabin (KLBN11) teve um lucro líquido de R$ 1,050 bilhão no quarto trimestre de 2021 com uma demanda forte e aquecida, mesmo que o segundo semestre do ano tenha sido pior do que o anterior.

Com um market share relevante – em que uma a cada quatro caixas de papelão ondulado são da Klabin -, a empresa projeta um crescimento contínuo e sólido no ano de 2022. A expectativa é de que o segmento de e-commerce em alta siga como um driver relevante, dado que o setor demanda um grande volume de embalagens.

“A perspectiva segue as tendências e o PIB, com demanda mais morna. Ainda assim, em um patamar elevado. Isso por causa das compras por internet. As demandas de caixa de papelão ondulado cresceram muito nos últimos anos. Praticamente todas as pessoas aumentaram suas compras pela internet. Os especialistas de varejo apontam que estamos somente no começo desse crescimento”, explica Marcos Ivo, CFO da Klabin, em entrevista exclusiva ao Suno Notícias.

Além disso, a solidez do resultado financeiro demonstra que o crescimento deve se manter nos próximos meses e anos com a diversificação. Em suma, a companhia consegue ser resiliente em termos de demanda quando há uma retração da economia, por causa do braço de exportação.

“Entregamos um trimestre sólido, com crescimento. Esse foi o 12º ano consecutivo em que a Klabin cresceu seu resultado por meio do Ebitda. Somos uma empresa que produz papel e celulose, vamos da floresta até as embalagens. Temos um modelo de negócio integrado, diversificado e flexível, que exporta para vários países”, explica o CFO.

“Nessa segunda parte do ano, tivemos uma acomodação da demanda. Direcionamos o restante da produção para exportação. Conseguimos nos adaptar com os ciclos de demanda, tendo sempre bons resultados”, segue.

Klabin tem 4T21 acima das projeções mais otimistas

Com preços-alvo diferentes, tanto a XP Investimentos quanto o BTG, o BB e o Inter recomendam compra para as ações da Klabin.

“A Klabin reportou mais um conjunto de bons resultados, em linha com nossas estimativas. O EBITDA recorrente foi de R$ 1.884 milhões e ficou em linha com nossas estimativas, queda de 2% no trimestre (no comparativo trimestral) e alta de 44% no comparativo anual, com margem EBITDA de 41% (-3p.p. no comparativo trimestral)”, dizem os analistas da XP.

Para a corretora, os principais destaques positivos foram os preços mais altos em diversos produtos e melhor mix de vendas de celulose, ainda que com um aumento de custos.

As units já alcançaram 2,7% de valorização durante o pregão que sucedeu o balanço da Klabin, contudo, os papéis seguiram desvalorização nos dias seguintes e ficam cotados a R$ 24, com queda de 4,7% nos últimos 5 dias.

Veja os targets para a cotação de KLBN11:

  • XP Investimento: R$ 31,20
  • Inter: R$ 38
  • BB Investimentos: R$ 32
  • BTG Pactual: R$ 39
  • Goldman Sachs: R$ 30

“A Klabin apresentou números sólidos no 4T21, em linha com as expectativas do mercado. Como sempre, são números altamente previsíveis, que valorizamos como analistas de negócios. O EBITDA foi de R$ 1,88 bilhão, 3% acima da nossa previsão”, diz o BTG Pactual.

“A tese de investimento continua se desdobrando bem com métricas de alavancagem melhorando, resultados operacionais expandindo em volumes crescimento e ROICs elevados. Dada a nossa visão otimista sobre o estado dos mercados de celulose, acreditamos que o consenso para 2022 deve ser revisado para cima e esperar que a ação tenha um bom desempenho”, reitera o banco de investimento.

Vendo pouca folga para alta nos papéis, com upside de cerca de 19%, o Goldman Sachs é o único que destoa das outras avaliações e mantém recomendação neutra.

“Semelhante ao trimestre anterior, o desempenho operacional foi bom, com a nova máquina de kraftliner funcionando a 70% no trimestre (após o start up do 3T21), volumes de vendas ainda próximos da capacidade total (ajustado por algum atraso logístico) e aumento de preço percebido no mercado local moeda para todos os negócios (o preço da celulose realizado é uma boa surpresa)”, diz o banco de investimento.

Para 2022, o Inter vê um cenário ainda mais positivo, é é uma das casas mais otimistas com as ações da empresa.

“Recomendamos compra. Vemos o mercado de celulose ainda mais forte neste início de ano, com a manutenção dos principais fundamentos da companhia para o médio e longo prazo, em especial quanto à substituição do plástico por papel, avanço do consumo de embalagens sustentáveis e, consequentemente, maior consumo de celulose. Além disso, destacamos a diversificação da companhia, tanto em produtos quanto em geografia, o que a coloca em posição vantajosa perante seus pares”, diz o time de research do banco.

Além disso, os analistas que cobrem o papel frisaram que a empresa tem avançado na agenda ESG e ranqueado bem em índices internacionais, além de ter fundamentos sólidos.

” A produção no 4T21 somou 1.48 kton, em razão do maior volume advindo da aquisição da International Paper e volumes adicionais da MP27, no Puma II. O volume de vendas totalizou 950 kton, em linha com o observado no 3T21 e alta de 1% no ano. Com isso, a receita líquida consolidada totalizou R$ 4.581 milhões, 3,5% acima das nossas projeções, 5,1% maior no comparativo trimestral e 40% superior ao 4T20″,segue.

BB destaca desalavancagem e melhora na demanda

Ainda nos dados financeiros, o BB investimentos observa que os bons números também reduziram a relação de endividamento da empresa, caminhando junto com a melhora na demanda.

“Destacamos a leve redução de sua alavancagem financeira, mesmo considerando os desembolsos relevantes para investimentos. Consideramos positivos, ainda, os anúncios de um novo projeto de expansão no segmento de papel ondulado no Ceará – para atender o crescente mercado de frutas no Nordeste – e da distribuição de dividendos“, diz o BB.

“Após a forte recuperação nos últimos meses de 2021, as units da Klabin acumulam queda de 1,2% em 2022. Apesar disso, continuamos com uma visão positiva com relação ao papel e entendemos que as cotações poderão reagir ao longo ano, refletindo a entrega de resultados potencialmente fortes e mostrando contínua criação de valor para os acionistas”, segue o banco.

Eduardo Vargas

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