JGPX11: Fiagro da JGP prioriza dividendos e investimentos ESG na carteira

Uma das principais gestoras de recursos do Brasil, a JGP está no mercado desde 1998 com a oferta de fundos de investimentos. Atualmente, seu patrimônio sob gestão é de R$ 24 bilhões, com destaque para os fundos multimercado. Mas a gestora também trabalha com outros fundos e recentemente estreou no mais novo produto do mercado de capitais ao lançar o Fiagro JGPX11.

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Regulamentados no ano passado, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) são primos dos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), porém com foco em ativos do agronegócio. O Fiagro da JGP, JGPX11, é um “fundo de papel” que tem posição em títulos de crédito de empresas agroindustriais.

Os títulos investidos pelo JGPX11 são FIDCs, debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), sempre com lastro no mercado agropecuário. Mas essas não são as únicas possibilidades dos Fiagros: também é possível investir em terras e adquirir participação em empresas agrícolas por meio do fundo, embora essas opções não estivessem em linha com a estratégia que a JGP queria adotar neste momento.

Alexandre Muller, sócio da gestora, explica que a escolha por um Fiagro “de papel” teve dois principais motivos. O primeiro é o ciclo mais curto de rendimento, que permite a periodicidade mensal do pagamento de dividendos aos cotistas.

Alexandre Muller, sócio da JGP e gestor do JGPX11. Foto: Divulgação.

“Os investidores desses fundos estão familiarizados com o pagamento mensal de dividendos e os títulos de crédito têm um ciclo mais curto que permite essa regularidade de distribuição. Por ser um produto novo, consideramos que manter essa característica era importante num primeiro momento”, diz Muller.

Já o segundo tópico é a maior flexibilidade que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dispõe para emissão de CRAs. Segundo o gestor, é possível encontrar uma grande diversidade de culturas, de localidades e até mesmo de empresas emissoras, o que enriquece o portfólio em termos de diversificação de investimentos.

Estratégia de alocação do JGPX11

Desde a estreia do JGPX11, em novembro do ano passado, o Fiagro já possui 11 ativos diferentes no portfólio, com 100% do montante levantado na oferta inicial alocado. Para selecionar esses títulos, a equipe de gestão da JGP analisou 65 ativos ao todo.

Isso porque são vários os critérios pelos quais os ativos devem passar para entrar na carteira do JGPX11. O primeiro deles é ter um balanço auditado para diligências e análise de crédito. Além disso, os negócios são restritos a pessoas jurídicas, já que operações com produtores pessoas físicas são mais arriscadas e sujeitas a problemas contábeis.

Em meio a tudo isso, também existem os critérios ESG que fazem parte de toda a gestão de recursos da JGP, não apenas do Fiagro. “O agronegócio é o setor que mais emite gases de efeito estufa. Então, quando tomamos uma decisão de investimento voltada para o agronegócio, vamos considerar todo o impacto gerado naquela alocação de capital”, explica José Pugas, sócio e responsável pelas estratégias de crédito sustentável da JGP.

Para Pugas, o olhar minucioso da gestora para o ESG melhora a estratégia de investimentos para o Fiagro em muitos sentidos, pois trata-se de uma visão mais completa sobre o setor. Ele explica que, ao ponderar e analisar questões climáticas, a gestora consegue antecipar fenômenos naturais que podem prejudicar uma plantação em determinada região.

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Outro exemplo é o olhar para a cadeia produtiva, de fornecedores até os clientes. Questões relacionadas a desmatamento, condições análogas à escravidão no tratamento de funcionários, controle de produtos químicos, entre outros monitoramentos permitem um “pente fino” na escolha dos ativos da carteira do JGPX11.

Agronegócio e sustentabilidade caminham juntos na JGP e nosso Fiagro já nasce alinhado com essa estratégia. É muito claro para nós que as melhores práticas ESG não significam perda de capital ou menor rentabilidade, o retorno pode ser o mesmo, se não maior”, garante Pugas.

E não só pela qualidade do produto, da gestão ou da própria empresa, mas também pela prevenção de danos, explica Julia Bretz, sócia e analista de crédito da JGP. “Existem vários riscos financeiros atrelados às controvérsias de práticas não-sustentáveis. Se um banco descobre algo, pode cortar a linha de crédito, ou o cliente pode suspender seus contratos, entre outros problemas sérios que podem afetar a receita do fundo”.

Agronegócio. Foto Pixabay
Agronegócio. Foto Pixabay

Reciclagem da carteira e rentabilidade

A carteira atual do JGPX11 conta com 11 ativos divididos entre CRAs, debêntures e FIDCs. Nesse portfólio, 70% dos títulos têm rating superior a A e podem ser encontrados nomes de peso entre as empresas emissoras, como Cosan (CSAN3), Minerva (BEEF3) e Syngenta.

O principal indexador de referência do Fiagro é o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que acompanha a taxa básica de juros do Brasil. Mas, como estratégia de diversificação, alguns poucos ativos estão atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A taxa média do portfólio do JGPX11 é de CDI +3,6%, com um duration (prazo médio de recuperação do investimento feito ao adquirir o papel) de 2,9 anos.

Em dezembro, o Fiagro fez sua primeira distribuição de dividendos, de R$ 1,04 por cota, equivalente a 1,06% de dividend yield. Em janeiro, o valor aumentou para R$ 1,05 (DY 1,08%).

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Embora as alocações sejam recentes (visto que o Fiagro estreou em novembro), já está no radar do gestor Alexandre Muller começar a reciclar algumas das posições. Faz parte da estratégia do fundo acompanhar o mercado agro conforme ele dá sinais de recuperação. Dos 11 ativos em carteira, quatro deles são posições de giro para esses movimentos.

“É importante estar atento para olhar perfis de títulos melhores, com mais qualidade, sem mudar muito o spread. Em alguns casos ainda é possível vender posições no mercado secundário e conseguir ganhos com a operação. São todos movimentos válidos e que podem agregar qualidade à carteira e os cotistas”, diz Muller.

No último relatório gerencial, o Fiagro da JGP registrou 2.602 cotistas, crescimento de 8,5% frente à estreia em Bolsa. O valor médio de negociação diária é de R$ 412 mil, com 848.097 cotas em mercado.

No fechamento de ontem, as cotas do JGPX11 estavam avaliadas em R$ 99,21, com um valor patrimonial por cota de R$ 95,05.

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Monique Lima

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