IPOs: Nova safra de empresas na bolsa deve levantar volume recorde

IPOs: Nova safra de empresas na bolsa deve levantar volume recorde
IPO da Smart Fit é o mais aguardado da semana, mas além da rede de academias, outras 15 companhias farão sua oferta inicial - Foto: Divulgação

Uma “nova safra” de ofertas iniciais de ações (IPO, da sigla em inglês) se inicia nesta segunda-feira (12), com previsão de movimentar um montante de mais de R$ 9 bilhões na semana e possibilidade de alcançar um novo recorde ao longo dos próximos meses, segundo os bancos responsáveis por estruturar as operações.

Considerando as próximas 16 ofertas protocoladas, a possibilidade é de uma janela de R$ 45 bilhões somando cada IPO recentes – valor superior ao período anterior, que já foi recorde, com R$ 33 bilhões.

Até então, em 2021, foram 29 IPOs realizados neste ano, superando os 28 feitos em 2020. Além disso, as ofertas, até o fim do ano, também pode quebrar um novo recorde e movimentar R$ 250 milhões no acumulado de 12 meses.

Confira o calendário de IPOs desta semana:

  • 12 de julho: Estreia prevista das ações da BBM Logística após IPO
  • 12 de julho: Definição do preço por ação da Smartfit em IPO
  • 13 de julho: Definição do preço por ação em IPO da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)
  • 14 de julho: Estreia prevista das ações da Smartfit na B3
  • 14 de julho: Definição do preço por ação da InterCement em IPO
  • 15 de julho: Estreia prevista das ações da Companhia Brasileira de Alumínio na B3
  • 15 de julho: Definição de preço por ação em IPO da Multilaser
  • 15 de julho: Definição do preço por ação em follow-on da Méliuz
  • 16 de julho: CSN Cimentos deve definir faixa indicativa de preço para seu IPO

Os especialistas indicam, no entanto, que os sinais são positivos, com as projeções do Produto Interno Bruto (PIB) favorecendo o humor dos investidores.

Para explicar o otimismo, eles apontam ainda para um maior número de ofertas de grande porte, o que dá conforto aos investidores, pois estão relacionadas a empresas fortes. Também há a expectativa de que, desta vez, os preços não cheguem inflados demais, ao contrário do que ocorreu no primeiro semestre.

O desempenho favorável das ações que chegaram à Bolsa desde janeiro também deve dar sustentação à nova leva de IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) e nos lançamentos subsequentes (follow-ons), na opinião do responsável pelo banco de investimento do Santander (SANB11), Gustavo Miranda.

Ele cita que, dos 29 IPOs feitos de janeiro até agora, 20 têm suas ações com desempenho positivo na Bolsa desde a precificação, sendo que 18 superam o desempenho do Índice Ibovespa, referência para o mercado nacional. Segundo Miranda, entre as 16 ofertas subsequentes, apenas 5 tiveram desempenho negativo.

“A revisão das expectativas para um cenário macroeconômico mais favorável, somada a ofertas maiores de boas empresas e a um histórico de desempenho positivo das ofertas anteriores, impulsiona a performance dos gestores e os incentiva a seguir participando das boas histórias”, ressalta Miranda

Receio da bolsa de valores com o campo fiscal

Por outro lado, ele afirma que a Bolsa tem estado sujeita a volatilidade, lembrando que, na semana passada, o mercado financeiro reagiu com baixas às renovadas preocupações fiscais. Segundo Miranda, questões hidrológicas, que elevam o risco energético do País, e o cenário eleitoral ainda não entraram de forma contundente nas discussões de mercado.

O executivo também observa que os gestores estão mais rigorosos nas discussões de valor das ofertas, algo que começou na segunda janela do ano, e, de acordo com ele, passou a ser uma constante.

O sócio e responsável pelo banco de investimento da XP, Pedro Mesquita, vai mais longe e diz que o ambiente positivo deve permitir que até R$ 200 bilhões em ofertas em Bolsa sejam feitas este ano, superando com folga o recorde de R$ 117 bilhões do ano passado.

“Quando se olha os indicadores como economia, resultados das empresas e perspectivas de reformas, assim como o avanço da vacinação apontando para o controle da pandemia de covid-19, essa é uma projeção que pode até ser considerada conservadora”, enumera.

Mesquita chama também a atenção para o fato de que as novas histórias seguem atraindo investidores, como as empresas menores do setor de telecomunicações – entre elas a Brisanet, a Unifique e a Desktop – aproveitando o momento. A Unifique, por exemplo, já chega com cerca de 70% de sua oferta com investidores interessados.

IPO das empresas Smart Fit, Multilaser, CBA e InterCement

A rede de academias Smart Fit (SMFT3), que abre a semana com seu IPO de até R$ 3 bilhões, tem atraído demanda suficiente para mais de dez vezes a oferta, de acordo com fontes.

A precificação acontece hoje, e a tese da retomada têm atraído investidores que olham como espelho o desempenho de ações do segmento de academias nos EUA, onde a vacinação e flexibilização estão aceleradas.

De setores mais tradicionais, mas que também miram histórias focadas na retomada, mais especificamente a econômica, estão as ofertas da Companhia Brasileira de Alumínio, a CBA (CBAV3) , nesta terça (13), e da InterCement (ICBR3), segunda maior produtora de cimentos do País, na quarta-feira, 14.

A expectativa é de que movimentem cerca de R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente. A Multilaser (MLAS3) deve fazer seu IPO no dia 19, com expectativa de R$ 2 bilhões.

Com informações do Estadão Conteúdo

Eduardo Vargas

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