IPCA sobe 0,95% em novembro, melhor do que as expectativas

IPCA sobe 0,95% em novembro, melhor do que as expectativas
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, teve uma alta de 0,95% no mês de novembro, segundo os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10). Os analistas projetavam um ambiente com preços levemente mais elevados, com o índice em 1,08%.

No anualizado, a variação da inflação medida pelo IPCA fica em 10,74% ante projeções 10,88%.

“A desaceleração em ritmo maior do que o esperado da inflação traz alívio às preocupações com a alta dos preços na economia local e isto se reflete nos mercados. O Ibovespa futuro já reagiu positivamente, subindo ao redor de 1% às 9h30, e a curva de juros também mostrou redução nos contratos futuros, com DI para janeiro de 2025 aos 10,54%, contra 10,69% do ajuste de ontem”, analisa Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da BRA.

Novamente, o indicador teve a sua maior influência por parte dos combustíveis, dada a alta de 3,35% nos preços dos transportes. Nesse sentido, a gasolina teve alta de 7,3% dentro do segmento.

Foto: Reprodução/IBGE
Foto: Reprodução/IBGE

Apesar disso, os alimentos e bebidas tiveram leve retração de preço junto com o segmento de saúde e cuidados pessoais.

“A Black Friday ajuda a explicar a queda tanto no lanche quanto nos itens de higiene pessoal. Nós observamos várias promoções de lanches, principalmente nas redes de fast food no período. E no caso dos itens de higiene pessoal, várias marcas nacionais deram descontos nos preços dos produtos em novembro. No Brasil, diferente de outros países, os descontos não são centrados em um único dia. Os descontos acabam sendo dados ao longo do mês”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Vestuário, habitação e artigos de residência seguem com preços em escalada. Destaca-se ainda a alta de 2,12% no gás de botijão, que já subiu 38,88% nos últimos 12 meses.

Apesar de o índice geral ter desacelerado ante outubro, foi a maior variação para um mês de novembro desde 2015 (1,01%).

Foto: Reprodução/IBGE
Foto: Reprodução/IBGE

“Além da bandeira tarifária da Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, em vigor desde setembro, houve reajustes nas tarifas em Goiânia, Brasília e São Paulo. Em Belém e Porto Alegre o recuo decorreu da redução da alíquota de PIS/Cofins”, segue Kislanov.

Inflação em outubro

Em outubro o índice que mensura a inflação teve uma alta de 1,25% no mês, ante 1,16% em setembro.

Trata-se do maior resultado para outubro desde 2002, quando o indicador subiu 1,31%. Em outubro de 2020, o IPCA registrou alta de 0,86%. Com isso, a inflação oficial do País acumula alta de 8,24% no ano e de 10,67% nos últimos 12 meses.

Os valores vieram acima do esperado pelos especialistas. De acordo com a pesquisa Projeções Broadcast, a alta do IPCA viria entre 0,92% e 1,19%, com a mediana de expectativas em 1,05% na comparação com setembro. Já a mediana anual prevista era de 10,45%.

Focus mira IPCA de 5% ano que vem

No Boletim Focus desta segunda-feira (6), o mercado elevou a projeção para o IPCA para 10,18% neste ano.

Para a inflação em 2022, o mercado espera um acumulado de 5,02% para o ano, ante previsão de 5,00% na semana passada e de 4,63% há um mês.

Com isso, a 35ª revisão registrada no Boletim Focus desta semana aumenta em 0,03 ponto percentual (p.p.) a inflação do Brasil prevista na última projeção, que era de 10,15%. Há um mês, o relatório indicava que o IPCA fecharia 2021 em 9,33%.

Eduardo Vargas

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