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IPCA sobe 1,06% em abril, acima do esperado e na maior alta para o mês desde 1996

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, subiu 1,06% no acumulado do mês de abril, levemente acima do consenso dos analistas, que projetava 1% de alta. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quarta-feira (11).

Essa variação mensal do IPCA foi a maior alta para o mês de abril desde 1996, quando o país teve 1,26% de alta.

O índice, que é o principal dado de inflação do Brasil, soma 12,13% no acumulado dos últimos 12 meses e 4,29% desde o início de 2022. O IPCA-15, considerado a ‘prévia do IPCA’, já indicou o patamar de 12% anualizado em sua última divulgação, há duas semanas.

“Acredito que o IPCA tinha mais potencial de segurar o mercado se viesse abaixo de 0,90%. Com esses dados de inflação subindo, o mercado vai seguir com expectativa cada vez mais negativa. O IPCA de abril era um indicador que poderia segurar a queda do mercado e os juros futuros, mas acabou decepcionando, ficando um pouco acima das expectativas”, comenta Fabio Louzada, economista e analista CNPI.

Marcelo Oliveira, CFA e fundador da Quantzed, também frisa que o índice foi “muito influenciado pela gasolina”.

“A Bolsa se comporta bem, no zero a zero. Dólar subindo por causa do exterior. Curva de juros subindo com o mercado percebendo que BC deve continuar com o ciclo de alta em julho, além do já previsto para junho. Curva deve começar a mostrar a Selic terminando o ano em 13,5% ou até 14% por causa dessa inflação persistente”, analisa.

Gasolina e alimentos puxam IPCA

O IPCA de Abril foi puxado pelos segmentos de alimentação, bebidas e transporte, sendo que a gasolina e o leite longa vida foram os dois itens de destaque.

Variação por grupo do IPCA em Abril - Foto: Reprodução/IBGE
Variação por grupo do IPCA em Abril – Foto: Reprodução/IBGE

Alimentos e transportes, que já haviam subido no mês anterior, continuaram em alta em abril. Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos preços dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). Houve alta de mais de 10% no leite longa vida, maior contribuição (0,07 p.p.), e em componentes importantes da cesta do consumidor como a batata-inglesa (18,28%), o tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%)”, explica o analista da pesquisa do IBGE, André Almeida.

“A gasolina é o subitem com maior peso no IPCA (6,71%), mas os outros combustíveis também subiram. O etanol subiu 8,44%, o óleo diesel, 4,74% e a ainda houve uma alta de 0,24% no gás veicular”, acrescenta.

Além disso, também foi registrada uma alta da inflação nos grupos de saúde e cuidados pessoais (+1,77%) e artigos de residência (+1,53%).

O único segmento que teve uma retração nos preços foi o de habitação, com queda de 1,14% em abril.  O de Educação ficou razoavelmente estável, em 0,06% de alta.

O IBGE demonstra que a retração de preços no segmento de habitação se dá por conta da queda nos preços da energia elétrica (-6,27%), motivada pela derrubada da bandeira tarifária de escassez hídrica. Ela foi substituída pela bandeira verde, que não tem cobrança extra na conta de luz.

“A partir de 16 de abril, houve mudança na bandeira tarifária, que saiu de bandeira de escassez hídrica, para bandeira tarifária verde, em que não há cobrança extra na conta de luz. Desde setembro do ano passado, estava em vigor a bandeira de Escassez Hídrica, que acrescentava R$14,20 a cada 100Kwh consumidos”, explica Almeida, analista do IPCA.

Eduardo Vargas

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