Grana na conta

Investimentos: como começar a montar uma estratégia entre 45 e 60 anos? Veja dicas

A ideia de precisar começar a investir na sua juventude para ter uma vida financeira estável não poderia estar mais longe da verdade. É perfeitamente possível que pessoas entre os 45 e 60 anos possam começar a investir e colher frutos de investimentos pensando em sua aposentadoria ou realização pessoal.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2024/05/Lead-Magnet-1420x240-3.png

Afinal, alguém que casou e já está com os filhos criados, por exemplo, não precisa mais pagar escola e acaba sobrando um valor maior no mês, lembra Ale Boiani, especialista em investimentos há mais de 20 anos, CEO, gestora e fundadora do 360iGroup.

“Um dos principais erros é achar que é tarde e, portanto, considerar melhor não fazer nada. Sempre há tempo de se planejar, o que muda é o nível de esforço”, diz Boiani.

Ale Boiani, CEO, gestora e fundadora do 360iGroup/Divulgação

A importância de se planejar e se informar sobre os produtos de investimentos

Entretanto, como toda fase da vida, há vantagens e desvantagens em começar a acumular patrimônio em uma idade mais madura. O desafio é saber aproveitar as oportunidades e desviar dos obstáculos financeiros.

Na avaliação de Luciana Ikedo, educadora financeira e assessora de investimentos, a principal vantagem é aproveitar a fase de maturidade financeira para que seja feito um esforço maior para

poupar e investir, buscando sempre a melhor rentabilidade para que os juros compostos trabalhem a favor do investidor.

Além disso, após os 45 anos, a vida está mais estabilizada e a despesa mensal cai, fazendo com que se consiga poupar um valor maior mensal, salienta Boiani. “Por ser mais maduro, geralmente também se é mais disciplinado.”

Erros que podem ser cometidos no meio do caminho são justamente procrastinar, manter-se na inércia, não começar ou pensar que é “tarde”.

“O grande perigo é que essa fase passa bem depressa e a procrastinação e a inércia podem comprometer drasticamente a dignidade para a próxima etapa da vida”, aponta Ikedo.

Além de começar a investir imediatamente, é importante se planejar e se informar sobre os produtos de investimentos ideais para o seu objetivo.

É importante evitar investir em produtos de investimentos muito arriscados, segundo as duas especialistas.

Tomar risco demais, querer encurtar o caminho com altas rentabilidades e se esquecer de que, quanto maior a possibilidade de retorno, maior o risco, é um erro comum, diz Boiani.  “Importante quando estiver chegando a data que gostaria de aposentar-se, tomar menos risco, pois se precisará utilizar os valores como complemento de renda. O ideal é que não tenha rentabilidade negativa.”

Mulheres podem ter uma certa insegurança em investir tarde, porque na idade mais madura muitas acabam priorizando a família em prejuízo da família – sem contar que, até 1962, as mulheres não tinham direito a ter uma conta no banco sem a autorização do marido ou do pai, conta Ikedo.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2024/05/1420x240.jpg

“Pode parecer muito tempo, mas, para alguns leitores, esse fato pode ter sido a realidade da sua mãe e ou da sua avó”, explica a educadora. A desigualdade no mercado de trabalho ainda é grande, infelizmente, comprova a maioria das pesquisas e estudos.

É preciso mudar também essa realidade da inclusão apenas parcial da mulher no mercado financeiro.

Em fevereiro de 2022, o número de mulheres no mercado financeiro, ou seja, investindo na bolsa chegou a 1,2 milhão. Mas apesar do número expressivo, ele ainda é pequeno quando comparado com a predominância masculina no mercado financeiro. Isso porque das 5 milhões de contas de pessoas físicas abertas em corretoras no país, 3,8 milhões são de homens.

Muitas mulheres têm medo de lidar com dinheiro, mas uma pesquisa do Reino Unido revela que bolsa é sim lugar de mulher. Um estudo da Warwick Business School apontou que as investidoras obtêm em média uma rentabilidade 1,8% maior que os homens. Além disso, outra pesquisa americana revelou que as mulheres no mercado financeiro são mais pacientes ao esperar um investimento render.

Segundo a pesquisa da FINRA (Autoridade Reguladora do Setor Financeiro dos EUA) as mulheres investem menos, em parte, porque não se consideram experientes em investimentos. O estudo revelou que 71% dos homens acham que têm um alto nível de conhecimento, contra apenas 54% das mulheres.

“É uma realidade que está mudando, melhorando e evoluindo, mas proporcionalmente os homens são em maior número de investidores”, afirma Boiani.

Dá para chegar ao R$ 1 milhão aos 70 anos, começando a investir aos 45?

O Suno Notícias pediu a Ale Boiani fazer uma simulação de investimento de um investidor mais maduro e a rentabilidade que poderia ser adquirida.

Para alguém que quer chegar a R$ 1 milhão aos 70 anos começando hoje com 45 anos seria necessário guardar R$ 625 por mês durante os 25 anos, com o dinheiro investido a uma taxa de juros de 12% ano, considerada conservadora nos dias de hoje, conta a especialista.

“Somando as contribuições mensais ela teria enviado um total de R$ 187.500,00, que é menos de 20% do milhão que terá acumulado sem a correção, isso pela atuação dos juros compostos ao longo do tempo.”

Por outro lado, nas mesmas condições, começando a investir na idade mais avançada, aos 60 anos, a mesma pessoa precisaria guardar R$ 4.749,00 por mês ao longo dos dez anos, tendo contribuído com um total de R$ 569.880,00, valor superior à metade do objetivo de 1 milhão.

Portanto, fica ainda mais evidente a necessidade de se começar a investir desde cedo, para ter maior vantagem nos juros compostos, completa Boiani.

Lembrando que o primeiro passo é começar, mas, depois disso, não é ideal que se deixe abater pela inércia e desmotivação.

“Nesta fase costuma acontecer o auge da vida laboral e financeira, e é a etapa em que a aposentadoria, ou conquista da independência financeira deve estar no centro do foco do investidor”, explica Ikedo.

A dica de ouro para a pessoa na idade de ouro é trabalhar nas premissas essenciais para o planejamento da aposentadoria, como o valor da renda  almejada depois dos 65 anos e o cálculo do quanto é preciso acumular nesta fase.

Prefira investimentos de renda passiva

Antes de qualquer coisa, a recomendação de Boiani é de que cada investidor deve respeitar seu perfil de risco: conservador, moderado ou arrojado e sua necessidade de liquidez, ou seja, quando precisa acessar o capital ou a rentabilidade.

Uma pessoa que quer ter uma rentabilidade para a aposentadoria, por exemplo, pode optar por ativos de renda fixa, que tem um perfil mais conservador.

“Sim, é essencial pensar e investir em ativos que gerem renda passiva na fase em que a pessoa não troque mais a força de trabalho por dinheiro para sobreviver”, aconselha a educadora financeira Ikedo.

Outros ativos que Ikedo recomenda para a pessoa nesta faixa etária são:

A primeira opção é boa para quem deseja obter uma rentabilidade no longo prazo. Títulos atrelados ao IPCA (Índice de Preços do Consumidor Amplo) têm seus preços marcados a mercado todos os dias, de forma que a rentabilidade pode ficar negativa caso o investidor precise resgatar o investimento antes do prazo estipulado.

Ações boas pagadoras de dividendos, ou seja, que pagam proventos periodicamente, embora sejam ativos de renda variável que tem uma volatilidade maior, são boas oportunidades pois acabam promovendo uma rentabilidade a mais para o investidor.

Já os fundos imobiliários, ou FIIs, também costumam remunerar dividendos periodicamente e são ativos de renda variável com uma volatilidade menor.

Os FIIs devem distribuir 95% do seu resultado financeiro a cada semestre, de acordo com a legislação, mas, normalmente, os FIIs fazem estes pagamentos de forma mensal.

Além disso, esses valores são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que é um grande atrativo para os investidores.

As debêntures incentivadas são ativos de renda fixa que têm a finalidade de captar recursos para projetos específicos e de interesse para o desenvolvimento do país. Esses títulos funcionam como um empréstimo. Quem investe em debêntures incentivadas está emprestando dinheiro para a empresa que emitiu o título.

Já os fundos de previdência são uma categoria de fundo de investimentos que funciona para complementar a aposentadoria governamental de um trabalhador.

“Quanto antes começar a poupar, melhor . Os juros compostos proporcionarão um crescimento exponencial, de forma que quanto mais tarde começar, maior será o valor que precisará investir mensalmente.”, completa Boiani.

Esta matéria não é uma recomendação de investimentos.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/07/1420x240-Minicurso-FIIS.png

Ana Clara Macedo

Compartilhe sua opinião