Semana do Fiagro

Ibovespa vira no fim do pregão e fecha em alta; Petrobras (PETR4) cai 2,9%

Ibovespa hoje encerrou a terça-feira (24) em alta de 0,21%, aos 110.580,79 pontos, após oscilar entre 108.399,23 e 110.635,27 pontos. O volume financeiro foi de R$ 30,2 bilhões. Na semana, sobe 1,93% e, no mês, 2,51% – no ano, o avanço é de 5,49%.

O dia trouxe um combinação de fatores negativos, que mantiveram o Ibovespa em baixa desde a abertura: nova troca de comando na Petrobras (PETR4), IPCA-15 acima do esperado para maio e fracas leituras sobre a atividade econômica nos Estados Unidos e na Europa, além dos números altos de casos de Covid em Pequim, China. Apesar disso, o índice conseguiu não apenas preservar a linha de 109 mil pontos como recuperar, no fim da tarde, a marca dos 110 mil.

Pela manhã, “o IPCA-15 veio acima das expectativas, a 0,59% frente a 0,45% de expectativa para maio, apesar da redução em relação ao mês anterior pelo efeito da bandeira tarifária de energia elétrica. A difusão continua bastante elevada, apesar de ter havido também uma desaceleração”, diz Eduarda Korzenowski, economista da Somma Investimentos.

“Têm havido surpresas positivas pelo lado da atividade, mas pelo da inflação as surpresas continuam negativas”, acrescenta a economista, que espera novo aumento da Selic na próxima reunião do Copom, e “muito provavelmente com porta aberta para novos ajustes”.

Troca da presidência da Petrobras

Eduarda chama atenção também para os receios persistentes quanto à desaceleração econômica não apenas nos Estados Unidos, mas também na Europa, e para a cautela suscitada desde a abertura dos negócios por nova troca de comando na Petrobras, anunciada na noite de segunda-feira.

“Após 40 dias, ocorre uma nova troca. Um canetaço para mudar a política de preços seria um tiro no pé para o próprio ministro Guedes da Economia, a quem o novo presidente indicado para a Petrobras, Caio Paes de Andrade, era subordinado, como secretário de Desburocratização do Ministério”, diz Arthur Schneider, responsável pela distribuição de produtos na Monte Bravo Investimentos. Ainda assim, em Nova York, pela manhã, os recibos da Petrobras caíam 12% antes da abertura dos negócios na B3.

“O mercado se pergunta: qual o motivo de uma troca tão rápida? A última era ainda bem recente e, além disso, já existe uma defasagem de preços para a gasolina e o diesel em relação à paridade internacional. E chegando nesse momento, perto da eleição, a incerteza cresce quanto à continuidade da política de preços da empresa”, diz Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos.

“A percepção de risco sobre a estatal cresce visto que, apesar dos bons resultados apresentados no último trimestre em relação ao lucro, ao operacional e à distribuição de dividendos, houve uma série de trocas recentes e o mercado enxerga isso como tentativa de interferência na tomada de decisões da estatal”, conclui Oliveira.

O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, deve permanecer no comando até a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da estatal, segundo apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), no Rio. A expectativa é de que a assembleia seja convocada na quarta-feira, na reunião do Conselho de Administração.

Nos corredores do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, evitou falar da nova mudança de comando da Petrobras, reporta o enviado especial do Broadcast, Altamiro Silva Junior. Nas reuniões privadas que tem feito, o ministro afirmou que não tem sido perguntado sobre a empresa. “O presidente Jair Bolsonaro escolhe o ministro Adolfo Sachsida, e o ministro escolhe o presidente da Petrobras”, disse Guedes em conversa com jornalistas.

O conselho da empresa ratifica o nome escolhido e a diretoria da estatal, completou Guedes. “E eles definem a política de preço dos combustíveis”, disse também o ministro. José Mauro Ferreira Coelho foi o terceiro presidente da estatal no governo Bolsonaro, sucedendo Joaquim Luna, que também caiu por divergências com o Planalto sobre a política de preços dos combustíveis, que busca ajuste ao câmbio e às cotações internacionais da commodity.

Por sua vez, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou nesta terça que o novo presidente da Petrobras precisa de autonomia para trocar as diretorias da empresa, e o vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que o governo federal deseja dar “previsibilidade” aos reajustes dos combustíveis anunciados pela Petrobrás.

“Tivemos a troca do comando do ministério, para o ministro (Adolfo) Sachsida (das Minas e Energia). Acho que a política que diz respeito a esse setor no país, apesar de a Petrobras ter independência de gestão, tem que estar completamente alinhada com o novo ministro. Então, já era esperado”, disse Nogueira em entrevista ao SBT News.

Cenário internacional

Para piorar, os dados do dia nos Estados Unidos, e também na Europa, não contribuíram e mantiveram as três referências de Nova York no vermelho ao longo da maior parte da sessão, assim como as principais praças do velho continente, onde os índices de atividade PMI, nas prévias de maio, decepcionaram na zona do euro, na Alemanha e também no Reino Unido, no momento em que o Banco Central Europeu (BCE) se prepara para elevar os juros de referência no bloco da moeda única.

Nos Estados Unidos, “as leituras preliminares do PMI mostraram uma desaceleração mais acentuada na atividade econômica à medida que as pressões inflacionárias persistem”, aponta em nota Edward Moya, analista da OANDA em NY, na qual observa que a atividade manufatureira caiu para mínima de três meses, “e o que surpreendeu muitos foi uma deterioração ainda maior na atividade do setor de serviços”, de 55,6 para 53,5, em mínima de quatro meses.

“A cartilha que a maioria dos ‘traders’ estava usando era que a produção industrial enfraqueceria, mas isso deveria beneficiar o setor de serviços”, acrescenta o analista da Oanda. “Parece que as pressões inflacionárias estão tendo um impacto pior na economia dos EUA e que o crescimento da demanda está enfraquecendo acentuadamente”, diz Moya, chamando atenção também para o índice de atividade industrial regional do Fed de Richmond, em leitura “abismal, bem abaixo da previsão mais pessimista”.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam na maioria em baixa nesta terça-feira, em uma sessão na qual sinalizações sobre a conjuntura para empresas de tecnologia e da economia americana pesaram sobre as ações. A gigante de redes sociais Snap publicou perspectivas negativas para suas operações, incluindo dificuldades com a inflação e anúncios, o que levou a uma queda de mais de 40% nos papéis da companhia, o que se espalhou pelo setor. Já indicadores sobre indústria, serviço e vendas de moradia nos Estados Unidos apresentaram dificuldades para a economia local, reforçando temores por uma recessão.

  • Dow Jones em alta de 0,16%, a 31.928,62 pontos
  • S&P 500 caiu 0,81%, a 3.941,48 pontos
  • Nasdaq recuou 2,35%, a 11.264,45 pontos.

dólar à vista fechou em alta de 0,14%, a R$ 4,8123, depois de oscilar entre R$ 4,7765 e R$ 4,8535.

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta terça-feira, em sessão na qual as perspectivas para a demanda e as dificuldades da União Europeia para impor o embargo às importações russas pesaram nos preços. Ainda assim, analistas acreditam que dificilmente as cotações terão uma queda rápida, sustentando um nível próximo de US$ 100 por algum tempo. Um elemento destacado como importante para o futuro dos preços é a velocidade na qual países exportadores irão aumentar sua produção.

O petróleo WTI para junho fechou em baixa de 0,47% (US$ 0,52), a US$ 109,77 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o Brent para agosto recuou 0,08% (US$ 0,09), A US$ 110,69 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta, em uma sessão na qual os rendimentos dos Treasuries recuam, em um cenário de aversão a risco em grande parte impulsionado por preocupações econômicas nos Estados Unidos, incluindo o ambiente empresarial. Além disso, o dólar, moeda na qual o metal é cotado, recua, impulsionando os preços. As perspectivas para alta de juros em outros bancos centrais para além do Federal Reserve seguem pressionando o ativo americano.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para junho encerrou a sessão em alta de 0,95%, a US$ 1.865,4 a onça-troy.

No Ibovespa hoje, com a mudança inesperada no comando da Petrobras (PETR3, PETR4), houve uma forte queda nos papéis da estatal, com -2,85% e -2,92%, respectivamente. Por outro lado, com a preocupação com a ingerência governamental, ativos de outras petrolíferas acabaram se beneficiando no dia.

Quem liderou as maiores altas do dia foi PetroRio (PRIO3), com +3,90%, com o par 3R Petroleum (RRRP3) também subindo 3,39% e figurando na lista. Outro setor que foi bem no dia foi o de elétricas, com os investidores em busca por ativos defensivos e de olho na aprovação na Câmara da redução da alíquota de ICMS sobre energia.

Equatorial (EQTL3) subiu 3,56%, Energisa (ENGI11) ganhou 2,85%, CPFL Energia (CPFE3) teve alta de 2,49%, Taesa (TAEE11) registrou +2,35% e Cemig (CMIG4) teve elevação de 2,23%. Já Eletrobras (ELET3, ELET6) subiu 1,99% e 2,04%, respectivamente

A Vale (VALE3) valorizou 1,35%.

O setor bancário também avançou, com exceção de Banco do Brasil (BBAS3), que caiu 0,42%. Santander (SANB11) teve +1,42%, Itaú (ITUB4) subiu 1,51%, Bradesco (BBDC3, BBDC4) avançou 1,95% e 2,10%, respectivamente.

O pregão foi desfavorável para ações de companhias aéreas e de turismo, também afetados pelas perspectivas da economia. CVC (CVCB3) liderou o ranking das maiores perdas, com -6,30%, seguida de Azul (AZUL4), que caiu 5,78%, Embraer (EMBR3) cedendo 5,61% e Gol (GOLL4) recuou 4,01%.

Maiores altas do Ibovespa:

Maiores baixas do Ibovespa:

Outras notícias que movimentaram o Ibovespa

  • Banco Inter (BIDI4) movimenta R$ 1,13 bilhão com ‘saque de ações’
  • Demitido por telefone, presidente da Petrobras (PETR4) foi o CEO que ficou menos tempo no cargo

Banco Inter (BIDI4) movimenta R$ 1,13 bilhão com ‘saque de ações’

Banco Inter (BIDI11), que está de saída da bolsa de valores brasileira, movimentou um volume de R$ 1,13 bilhão com as suas opções de cash-out – quando o acionista prefere receber o valor das suas ações em dinheiro. A informação foi divulgada em Comunicado ao Mercado arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na segunda-feira (23) após o pregão.

Os acionistas do Banco Inter tinham até o dia 20 para informar se prefeririam receber BDRs ou dinheiro no lugar das ações BIDI11 ou BIDI4 que serão deslistadas, já que a fintech migrará a sua base societária para os Estados Unidos, negociando seus papéis na Nasdaq.

Quem não decidiu entre as duas opções automaticamente receberá o BDR do Banco Inter, já que o cash-out tinha um volume máximo de limite de 10% do capital circulante.

O valor que foi movimentado com as opções de cash-out foram justamente esses 10%, segundo levantamento da companhia, atingindo assim o limite.

Segundo o Inter, até o fim da Reorganização Societária, “será vedada a negociação, pelos Acionistas Legitimados, das ações de emissão do Inter por eles detidas que tenham sido validamente alocadas à Opção Cash-Out“.

A opção de cash-out foi disponibilizada apenas para donos de ações em custódia em 15 de abril de 2022. Quem adquiriu os papéis no pregão seguinte já não teve direito a essa opção.

O Banco Inter pagou o cash-out com base na média ponderada dos últimos 30 dias de negociação antes do anúncio, equivalente a R$ 19,35 por unit.

Demitido por telefone, presidente da Petrobras (PETR4) foi o CEO que ficou menos tempo no cargo

José Mauro Ferreira Coelho foi demitido do cargo de presidente da Petrobras (PETR4) pelo telefone nesta segunda (23). O executivo soube que deixaria a estatal meia hora antes do anúncio oficial do governo sobre seu desligamento. As informações são do colunista Lauro Jardim, de O Globo.

Coelho soube da demissão pelo ministro das Minas e Energia Adolfo Sachsida, diz Jardim. O executivo foi o CEO que ficou menos tempo no comando da Petrobras desde a criação da estatal, em 1953, pelo presidente Getulio Vargas.

Foram 39 dias no cargo. José Mauro superou o general Osvino Ferreira Alves (1897-1981). O militar, nascido no Rio de Janeiro, ficou no posto de 28 de janeiro de 1964 a 3 de abril. Acabou, na verdade, sem o cargo e, em seguida, preso pelo governo militar – que dia antes tirou o presidente João Goulart do poder no golpe que instaurou a ditadura. Ferreira Alves permaneceu assim 66 dias como presidente da Petrobras.

Antes de ser tirado do posto, José Mauro Coelho havia alertado o ministério das Minas e Energia um documento em que alertava para o risco de desabastecimento de diesel no país, com a diminuição da oferta do produto no segundo semestre, de acordo com informações apuradas pela agência Reuters.

O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou nesta terça-feira, 24, que a troca de comando na Petrobras era algo esperado. Ele atribuiu a mudança à posse de Adolfo Sachsida no Ministério de Minas e Energia.

“Tivemos a troca do comando do ministério, para o ministro Sachsida. Acho que a política que diz respeito a esse setor no país, apesar de a Petrobras ter sua independência de gestão, tem que estar completamente alinhada com o novo ministro. Então, já era esperado”, disse o ministro em entrevista ao SBT News.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, demitiu José Mauro Coelho da presidência da Petrobras e indicou para o cargo o secretário especial de desburocratização do Ministério da Economia, Caio Paes de Andrade.

Coelho foi demitido em meio à revolta do chefe do Executivo com o aumento dos preço dos combustíveis.

O mesmo aconteceu com Bento Albuquerque, demitido do Ministério de Minas e Energia e substituído por Sachsida, que também integrava a equipe de Guedes.

De acordo com Ciro Nogueira, José Mauro também foi demitido pela relação com Albuquerque. “O José Mauro é um grande brasileiro, tentou fazer todo possível, mas tinha alinhamento maior com outro grande brasileiro, que era o ministro Bento. Estamos vivendo outro grande momento”, declarou Nogueira na entrevista.

Desempenho dos principais índices

Além do Ibovespa, confira o fechamento dos principais índices da bolsa hoje:

  • Ibovespa hoje: +0,21%
  • IFIX hoje: +0,06%
  • IBRX hoje: +0,21%
  • SMLL hoje: -0,65%
  • IDIV hoje: +0,89%

Cotação do Ibovespa nesta segunda (23)

Ibovespa fechou o pregão da última segunda-feira (23) em alta de 1,71%, aos 110.345,82 pontos.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

Victória Anhesini

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