Ibovespa tem alta de 2,04% e se aproxima dos 106 mil pontos; Méliuz (CASH3) sobe 15%

Ibovespa hoje encerrou a quinta-feira (4) em forte alta de 2,04% aos 105.892,22 pontos, após oscilar entre 103.776,71 e 106.161,56 pontos. Na semana e no mês, o índice sobe agora 2,64%, voltando assim a ficar positivo no ano (+1,02%). Foi o terceiro avanço diário consecutivo para a referência da B3 e a maior alta em porcentual desde 7 de julho, quando também havia subido 2,04% naquela sessão.

A recuperação neste começo de agosto se faz acompanhar por entrada de recursos estrangeiros na B3: nos dois primeiros dias do mês, tal saldo ficou positivo em R$ 437,7 milhões, com aporte de quase R$ 528 milhões considerando apenas a sessão de terça-feira (2), quando sinais ‘hawkish‘ de autoridades de Federal Reserve e a cautela em torno de Taiwan descolaram a B3 do dia negativo no exterior, beneficiada por algum avanço nas commodities. No ano, o saldo de capital externo está agora perto de R$ 54,2 bilhões.

Nesta quinta, os ganhos se disseminaram pelas ações e setores de maior liquidez e peso no Ibovespa, com o apetite por renda variável sendo favorecido pela indicação do Copom, na quarta à noite, de que o ciclo de elevação de juros no Brasil está virtualmente concluído – ou muito próximo a isso, com a possibilidade de um aumento residual na próxima reunião, em setembro.

Assim, a expectativa majoritária é de Selic a 13,75%, o nível a que foi elevada na quarta, ou talvez ‘arredondada’ a 14% ao ano quando o comitê monetário voltar a se reunir, no mês que vem.

No comunicado de quarta-feira, o Copom “deixou de se comprometer com uma decisão para a próxima reunião, dizendo que ‘pode’ fazer um aumento menor”, observa Igor Barenboim, sócio e economista-chefe da Reach Capital.

Ele destaca que o BC inovou ao deslocar o horizonte relevante da meta de inflação para os 12 meses até março de 2024, “de modo a limpar o efeito das mudanças tributárias”. “Essa inovação aumenta a chance de o BC poder concluir o ciclo de aumento de juros” com a decisão da noite de quarta, acrescenta o economista.

Entre a quarta e esta quinta, a BGC Liquidez realizou nova pesquisa sobre a Selic, desta vez com 139 ‘players’ institucionais, no pós-Copom, levantamento que trouxe “certa dicotomia” entre a visão de traders/gestores e a dos economistas. O primeiro grupo ficou dividido entre percepção neutra (39%) e “mais dovish do que o esperado” (33%) quanto ao comunicado, considerado “mais dovish do que o esperado” por 57% do grupo de economistas ouvidos – ou seja, bem mais surpreendente para os economistas do que para os traders e gestores.

“Para a Selic terminal deste ano, vemos o mercado concentrando um pouco mais no ‘call’ de fim de ciclo em 13,75% (48%)”, comparado a 38% na pesquisa pré-Copom, aponta a BGC. “O ‘call’ de 14,00% ficou estável (38%)” e a “maioria entre traders e gestores (54%) acha que o ciclo se encerrou”, enquanto a maior parte entre os economistas “prefere ainda apostar no ‘call’ de ajuste residual de 25bps pontos-base”, acrescenta o levantamento.

Bolsas de Nova York

Os mercados acionários de Nova York não tiveram sinal único nesta quinta-feira. Investidores monitoraram balanços corporativos, mas o quadro geral foi de pouco impulso, após ganhos fortes no pregão anterior.

  • Dow Jones: -0,26%, aos 32.726,82 pontos;
  • S&P 500: -0,08%, aos 4.151,94 pontos;
  • Nasdaq: +0,41%, aos 12.720,58 pontos.

dólar à vista fechou em baixa de 1,09%, a R$ 5,2204, depois de oscilar entre R$ 5,1996 e R$ 5,2958.

O petróleo fechou em queda nesta quinta, em meio à preocupações renovadas com a economia global e com a possibilidade de recessão – o que poderia enfraquecer ainda mais a demanda pela commodity. Hoje, o Banco da Inglaterra (BoE) projetou que a economia britânica entrará em recessão a partir do último trimestre de 2022. Neste cenário, o barril do WTI ficou abaixo de US$ 90 pela primeira vez desde março, quando a guerra na Ucrânia estava no início.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI para setembro fechou em queda de 2,34% (US$ 2,12), a US$ 88,54, por barril. Enquanto o do Brent caiu 2,75% (US$ 2,66), a US$ 94,12 por barril.

O contrato futuro do ouro fechou em alta nesta quinta-feira. O metal foi favorecido pela queda nos juros da T-notes de 10 anos e pelo enfraquecimento do dólar ante rivais. Os temores sobre risco de recessão também estiveram no radar.

Na Comex, divisão para metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para dezembro subiu 1,72%, a US$ 1.806,90 por onça-troy.

No Ibovespa hoje, a reação positiva do mercado à decisão do Copom influenciou positivamente ações de vários setores, especialmente de varejo e aéreo, além de construtoras e techs.

Na liderança entre as maiores altas Méliuz (CASH3) subiu 15,04%, seguida por Gol (GOLL4), com +14,81%, Magazine Luiza (MGLU3), que subiu 13,99%, MRV (MRVE3), com ganhos de 12,73%, Via (VIIA3), que valorizou 12,60%, Cyrela (CYRE3), com +11,42% e Azul (AZUL4), com +10,53%.

O setor bancário também fechou no azul, ainda que não tão intensamente quanto os outros mencionados: Itaú (ITUB4) subiu 2,43%, Bradesco (BBDC3, BBDC4) teve ganhos de 2,43% e 1,84%, Banco do Brasil (BBAS3) cresceu 1,90% e Santander (SANB11), +1,38%.

Entre as blue chips, Petrobras (PETR3, PETR4) ganhou 1,54% e 0,97%, respectivamente, enquanto Vale (VALE3) caiu 0,58%.

O temor de que uma possível recessão nos EUA possa afetar o consumo de carne afetou os frigoríficos, que se destacaram entre as maiores baixas do índice. BRF (BRFS3) desvalorizou 2,00%, Minerva (BEEF3) recuou 1,63% e JBS (JBSS3) perdeu 0,73%. Também figuraram a lista negativa PetroRio (PRIO3), com -1,73% e Braskem (BRKM5), -1,53%.

Maiores altas do Ibovespa:

Maiores baixas do Ibovespa:

Outras notícias que movimentaram o Ibovespa

  • Petrobras (PETR4) anuncia redução de 3,5% no preço do diesel a partir de amanhã
  • Embraer lucra R$ 200 milhões no 2T22, superando expectativas

Petrobras (PETR4) anuncia redução de 3,5% no preço do diesel a partir de amanhã

A Petrobras (PETR4) anunciou que vai diminuir o preço do diesel em 3,5% a partir da sexta-feira (5), nas suas refinarias. O litro do combustível teve uma queda de R$ 0,20, passando a custar R$ 5,41, informou a estatal. Sem reajuste há quase 50 dias, o diesel estava sendo negociado em média no Brasil acima do preço internacional.

“Essa redução do diesel acompanha a evolução dos preços de referência, que se estabilizaram em patamar inferior para o diesel, e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado global, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”, disse a empresa me nota.

Em videoconferência com analistas na semana passada, o diretor de Comercialização e Logística da estatal, Claudio Mastella, havia indicado que ainda observava o movimento de queda do preço do diesel “com cautela”, apesar das pressões do governo para que a estatal reduzisse o preço.

Segundo a Petrobras, considerando a mistura obrigatória de 90% de diesel A e 10% de biodiesel para a composição do diesel comercializado nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 5,05, em média, para R$ 4,87 a cada litro vendido na bomba.

Embraer lucra R$ 200 milhões no 2T22, superando expectativas

Embraer (EMBR3) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 199,8 milhões no período do segundo trimestre de 2022 (2T22). A cifra representa uma queda de 6,1% em relação ao mesmo período de 2021. O resultado fica acima da projeção média de analistas consultados pelo consenso Refinitiv, de R$ 43,32 milhões de prejuízo.

resultad0 da Embraer foi divulgado pela fabricante de aviões nesta quinta-feira (4), em comunicado arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A companhia teve como lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado, R$ 622,8 milhões no 2T22, queda de cerca de 25% em relação a igual período do ano anterior. A margem Ebitda foi de 12,3%, queda de 1,8 p.p..

Já a receita líquida de empresa foi de R$ 5,044 bilhões no trimestre, representando baixa de 14,8% na comparação com igual etapa de 2021.

Segundo as anotações da administração, esse impacto negativo se deu por conta da retração da Aviação Comercial, Defesa & Segurança – que foi parcialmente compensada por uma receita maior em Serviços & Suporte.

O consenso Refinitiv mirava um Ebitda de R$ 490,93 milhões e uma receita de R$ 6,137 bilhões para a Embraer no 2T22.

A companhia também reportou que fechou o mês de junho com dívida líquida de R$ 6,273 bilhões, ante R$ 6,9 bilhões no trimestre anterior e R$ 9,2 bilhões no segundo trimestre de 2021.

A carteira de pedidos firmes (backlog) fechou o período em US$ 17.8 bilhões, representando um crescimento de US$ 500 milhões no comparativo com o trimestre anterior.

Segundo a companhia, este é o maior nível pós-pandemia, impulsionado por um nível de pedidos consistente.

A empresa entregou 32 jatos, sendo 11 comerciais e 21 executivos (12 leves e 9 médios). No acumulado de janeiro a junho, o total de aeronaves entregues pela Embraer foi de 46 (17 comerciais e 29 executivas).

O índice foi impulsionado por novas vendas de aeronaves e serviços, aumento de 12% na comparação anual, sendo US$ 15,9 bilhões registrados no 2T21.

Desempenho dos principais índices

Além do Ibovespa, confira o fechamento dos principais índices da bolsa hoje:

  • Ibovespa hoje: +2,04%
  • IFIX hoje: +0,18%
  • IBRX hoje: +1,97%
  • SMLL hoje: +4,28%
  • IDIV hoje: +2,22%

Cotação do Ibovespa nesta quarta (3)

Ibovespa fechou o pregão da última quarta-feira (3) com alta de 1,11% aos 103.361,70 pontos.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

Victória Anhesini

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