Ibovespa sobe com IPCA-15 mais fraco; Petrobras (PETR4) dribla queda do petróleo
O Ibovespa fechou esta terça-feira (28) em alta, impulsionado pela surpresa positiva com a prévia da inflação brasileira e pelo recuo dos juros futuros. O principal índice da B3 avançou 0,70%, aos 176.564,75 pontos, após alcançar 178.538,64 pontos na máxima do dia.
O IPCA-15 subiu apenas 0,06% em julho, abaixo das projeções do mercado, reforçando a percepção de desaceleração da inflação e as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic. O resultado aumentou o apetite por ações mais sensíveis aos juros, embora investidores ainda mantenham cautela diante dos riscos externos e dos possíveis efeitos das tarifas dos Estados Unidos.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: operou praticamente estável, negociado na faixa de R$ 5,11, após devolver os ganhos registrados no início da sessão.
Segundo Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a moeda americana chegou a ganhar força diante do real acompanhando a valorização inicial do dólar no exterior e as expectativas para a decisão de juros do Federal Reserve.
Ao longo do pregão, porém, o IPCA-15 mais fraco, o recuo do petróleo e a perda de força do dólar no mercado internacional contribuíram para que a moeda devolvesse o avanço.
IPCA-15 derruba juros e ajuda o Ibovespa
A leitura mais benigna da inflação provocou uma queda dos juros futuros ao longo da curva, ao reduzir parte da pressão sobre o Banco Central às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom.
Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, afirma que o IPCA-15 abaixo do esperado e os dados positivos das transações correntes ajudaram o mercado a incorporar uma perspectiva mais favorável para a inflação.
“A queda do petróleo no exterior também ajuda a aliviar os temores inflacionários e favorece os mercados, em meio à trégua momentânea entre Estados Unidos e Irã e à expectativa de um possível acordo”, explica.
Apesar do alívio, o mercado não considera que a batalha contra a inflação esteja vencida. A trajetória dos preços de serviços, o comportamento do câmbio e os possíveis impactos das tarifas americanas seguem no radar e devem influenciar as próximas decisões do Banco Central.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre os destaques positivos, Vamos (VAMO3) figurou entre as maiores altas do índice, apoiada pelas expectativas de redução do endividamento da companhia.
Na ponta negativa, TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3) recuaram após divulgarem resultados ligeiramente abaixo das expectativas. Segundo Bresciani, como as ações acumulavam valorização relevante, parte do movimento também refletiu uma realização de lucros.
Mesmo com a queda de cerca de 5% do petróleo Brent, para pouco acima de US$ 83 por barril, Petrobras (PETR4) conseguiu terminar o pregão em leve alta, com investidores aguardando a divulgação dos dados de produção e vendas da estatal. Já Vale (VALE3) encerrou o dia em queda.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: alta de 1,03%, aos 52.747,32 pontos;
- S&P 500: avanço de 0,21%, aos 7.428,78 pontos;
- Nasdaq: queda de 0,22%, aos 24.876,91 pontos.
O mercado americano apresentou desempenho misto, com o Dow Jones apoiado por resultados corporativos positivos, enquanto as ações de fabricantes de chips pressionaram o Nasdaq. Os investidores também aguardam a decisão de juros do Federal Reserve, prevista para esta quarta-feira.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de segunda-feira (27), foi de 175.334,46 pontos, com alta de 0,74%.