Europa fecha as portas para carne brasileira e pressiona JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3)

As ações de frigoríficos tiveram desempenho misto em setembro após a União Europeia suspender a entrada de produtos de origem animal brasileiros. Na consulta realizada em 4 de setembro, JBS (JBSS32) recuava 3,12% no mês, a R$ 67,35, enquanto MBRF (MBRF3) caía 3,22%, a R$ 17,75, segundo o Status Invest. Já a Minerva (BEEF3) subia 3,92%, para R$ 4,00..

O movimento ocorre depois de a União Europeia fechar temporariamente seu mercado para carne bovina, frango, pescado, ovos, mel e outros produtos de origem animal do Brasil. A medida entrou em vigor em 3 de setembro e pode afetar cerca de US$ 1,84 bilhão em exportações anuais, segundo a Reuters.

O que a União Europeia proibiu?

Embora o mercado use a palavra “embargo”, trata-se de uma suspensão das autorizações de entrada. Na prática, os produtos brasileiros ficam impedidos de acessar o mercado europeu enquanto a restrição estiver em vigor.

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A União Europeia afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Essas substâncias incluem medicamentos e antibióticos que, quando utilizados de forma inadequada, podem contribuir para o surgimento de bactérias resistentes.

O governo brasileiro contesta a decisão e afirma cumprir as exigências sanitárias europeias. Também avalia recorrer a mecanismos internacionais e adotar medidas de reciprocidade caso as negociações não avancem.

A restrição atinge um mercado menor em volume, mas relevante em valor. A União Europeia representa cerca de 4,6% das exportações brasileiras de carne bovina, porém compra cortes e produtos de maior valor agregado. Além disso, entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou aproximadamente US$ 560 milhões em carne bovina e US$ 680 milhões em carne de frango para o bloco.

Como o embargo pode afetar preços e margens?

Com o fechamento do mercado europeu, os frigoríficos precisam redirecionar os produtos para outros países ou para o mercado doméstico. Se mais carne for oferecida nos mesmos destinos, os preços podem cair.

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Esse efeito é especialmente importante para os cortes que eram vendidos à Europa por valores mais altos. Caso sejam destinados a mercados menos rentáveis, o preço médio recebido pelas empresas tende a diminuir.

A margem de lucro também pode ser pressionada por custos adicionais de logística, armazenamento e renegociação de contratos. Quanto mais tempo durar a suspensão, maior será o risco de estoques elevados e descontos para acelerar as vendas.

O impacto, porém, não é igual para todas as companhias. A queda ou alta das ações também depende do câmbio, do preço do boi, dos resultados trimestrais, do endividamento e das expectativas para a demanda global.

JBSS32, MBRF3 e BEEF3: quem está mais exposto?

A JBS (JBSS32) possui operações diversificadas em carne bovina, aves, suínos e alimentos processados, além de presença em vários países. Segundo a companhia, essa diversificação pode ajudar a compensar parte do impacto do veto europeu.

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A MBRF (MBRF3) também trabalha com diferentes proteínas, incluindo carne bovina, aves e alimentos processados. A empresa opera em 117 países e possui um portfólio formado por marcas como Sadia, Perdigão e National Beef. Por atuar nas duas principais frentes atingidas, bovinos e aves, a companhia fica exposta a mais de um efeito da restrição.

Já a Minerva (BEEF3) tem concentração maior na produção e exportação de carne bovina. A companhia se apresenta como uma das principais exportadoras de carne bovina da América do Sul, com vendas para mais de cem países, segundo seu site institucional. Isso torna o negócio mais sensível às mudanças no comércio internacional de carne bovina, embora a ação tenha subido em setembro até a consulta.

No acumulado de 12 meses, os papéis também apresentavam desempenho negativo: JBSS32 caía 22,80%, MBRF3 recuava 24,70% e BEEF3 acumulava baixa de 32,54%. O dado mostra que o embargo europeu é apenas um dos fatores acompanhados pelo mercado.

Para o investidor, o principal ponto de atenção é acompanhar a duração da suspensão, as negociações entre Brasil e União Europeia e a capacidade de cada empresa de redirecionar seus produtos. As ações de frigoríficos, especialmente o JBSS32, podem reagir de formas diferentes porque possuem mercados, proteínas e níveis de exposição distintos.

Maíra Telles

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