Ibovespa fecha em queda com tarifaço dos EUA no radar; Itaú (ITUB4) pesa no índice
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (15) em queda, na contramão das bolsas americanas, pressionado pela expectativa de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pela cautela dos investidores com o cenário político e geopolítico. O principal índice da B3 recuou 0,36%, aos 176.010,90 pontos, enquanto o dólar fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,0785.
A expectativa em torno de um possível tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump pesou sobre os ativos brasileiros, mesmo com a divulgação de dados de inflação ao produtor (PPI) mais fracos nos Estados Unidos, que reforçaram o apetite por risco em Wall Street.
Cotação do dólar hoje
O dólar comercial encerrou a sessão com leve alta de 0,01%, cotado a R$ 5,0785. Apesar do enfraquecimento global da moeda americana após o PPI abaixo do esperado nos EUA, o real teve desempenho inferior ao de outras moedas emergentes, pressionado pelas incertezas envolvendo a política comercial entre Brasil e Estados Unidos e pelo cenário fiscal doméstico.
Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o real “figurou entre as moedas de pior desempenho relativo no pregão”, com o avanço sendo limitado pelo risco de novas tarifas americanas e pelos ruídos fiscais no Brasil.
Tarifaço dos EUA e bancos pressionam o Ibovespa
O principal fator de cautela foi a notícia de que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou ao presidente Donald Trump ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros, embora também tenha sugerido aumentar a lista de exceções.
Enquanto o mercado aguarda a decisão oficial, ações de grande peso no índice limitaram o desempenho da bolsa.
Entre os bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,12%, enquanto Bradesco, Santander Brasil e BTG Pactual também encerraram o dia no vermelho. Já Vale (VALE3) avançou 0,68%, acompanhando a alta do minério de ferro, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 0,17% e PETR3 fechou com leve alta de 0,11%.
Na ponta negativa do Ibovespa, Braskem (BRKM5) liderou as perdas após notícias sobre uma proposta de reestruturação que prevê diluição dos atuais acionistas. Já Totvs (TOTS3) foi o principal destaque positivo, com alta de 4,18%.
Para Rebecca Nossig, da Nomad, apesar do enfraquecimento global do dólar após os dados de inflação dos EUA, os fatores domésticos impediram um desempenho melhor dos ativos brasileiros. O mercado também monitorou a pesquisa eleitoral divulgada ao longo do dia, além da desaceleração do PIB da China e da continuidade das tensões no Oriente Médio.
A última cotação do Ibovespa, da última terça-feira (14), foi de 176.532,83 pontos, com alta de 0,45%.