Marcopolo (POMO4): mercado de ônibus perde fôlego e acende alerta
A Marcopolo (POMO4) enfrenta um cenário mais cauteloso no mercado de ônibus rodoviários no Brasil. Segundo relatório do BTG Pactual, novos dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram desaceleração no segmento, principal vitrine de demanda para a companhia.
Os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim mantiveram recomendação neutra para Marcopolo (POMO4), com preço-alvo de R$ 10. Apesar do potencial de valorização frente à cotação de R$ 5,64, o banco avalia que o mercado de ônibus entrou em uma fase mais estável desde 2025.
Marcopolo (POMO4): frota e passageiros caem
A frota de ônibus rodoviários autorizados a operar no país recuou 2% em 2025, passando de 33 mil veículos para 32,3 mil. Para o BTG, isso indica que as retiradas de veículos superaram os novos registros pela primeira vez na série recente.
A demanda também perdeu força. O segmento transportou 36,7 milhões de passageiros em 2025, queda de 9,7% em relação ao ano anterior. Em 2024, o recuo havia sido de 5,8%.
A receita estimada do setor caiu para cerca de R$ 6,1 bilhões em 2025, após R$ 6,6 bilhões em 2024 e R$ 6,7 bilhões em 2023. Segundo o relatório, como as tarifas subiram nos dois anos, a queda veio principalmente do menor volume de passageiros.
Para a Marcopolo (POMO4), esse movimento pode significar orçamentos mais apertados das operadoras para renovar frota, especialmente em um ambiente de juros elevados.
Fretamento ajuda, mas cautela permanece
Um ponto positivo citado pelo BTG está no fretamento para transporte de trabalhadores. A categoria cresceu 26,7% em 2025 e é vista como um nicho relevante, principalmente quando envolve ônibus mais customizados, que tendem a ter margens melhores.
Ainda assim, o banco segue conservador com a demanda por ônibus em 2026. O programa Move Brasil pode trazer algum alívio, mas a combinação de queda no número de passageiros, menor receita das operadoras e custo de financiamento elevado mantém a cautela.
No caso da Marcopolo (POMO4), a tese ainda conta com renovação de frota, aftermarket e operações internacionais, mas os dados recentes da ANTT explicam a recomendação neutra dos analistas.