Ibovespa renova mínima de 2026 e estrangeiro troca Bolsa brasileira por outros emergentes

O Ibovespa voltou a encerrar o pregão no menor nível desde janeiro, refletindo a combinação de saída de capital estrangeiro, revisão das expectativas para juros e inflação no Brasil e um cenário global ainda marcado por cautela. O principal índice da Bolsa brasileira caiu 0,21%, aos 168.668,72 pontos, enquanto o volume financeiro somou R$ 20,7 bilhões.

A sessão foi marcada pela continuidade do movimento que tem pressionado a renda variável brasileira nas últimas semanas. Além da busca dos investidores por outros mercados emergentes, as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio seguem elevando a aversão ao risco global.

Segundo Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School, o mercado brasileiro começou a semana em tom defensivo.

“O Ibovespa enfrenta um dia de queda, enquanto o dólar voltou a operar em alta frente ao real. O movimento mostra que o investidor está sem apetite ao risco”, afirma.

Estrangeiro deixa o Ibovespa de lado

De acordo com especialistas, o principal fator por trás da fraqueza recente da Bolsa brasileira tem sido o fluxo estrangeiro.

Fabio Louzada destaca que o mercado segue sem convicção para assumir posições mais agressivas em ativos brasileiros.

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“Mesmo quando surgem momentos de recuperação ao longo do dia, o fluxo comprador ainda é insuficiente para sustentar uma retomada consistente da Bolsa”, diz.

O cenário também foi impactado pelo Boletim Focus, que trouxe revisões para cima das projeções de inflação, câmbio e juros. A leitura reforçou a percepção de que o espaço para cortes mais intensos da Selic diminuiu ao longo de 2026.

Além disso, investidores continuam direcionando recursos para mercados considerados mais atrativos no momento, especialmente países emergentes asiáticos e empresas de tecnologia dos Estados Unidos.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial: em alta frente ao real durante a sessão
  • Movimento impulsionado pela busca por proteção
  • Juros americanos elevados seguem favorecendo a moeda norte-americana
  • Mercado monitora tensões comerciais e geopolíticas
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Maiores altas e baixas

Entre os destaques positivos do pregão estiveram empresas ligadas ao setor corporativo e industrial.

Maiores altas do Ibovespa

  • WEG (WEGE3): +3,63%
  • Petrobras (PETR4): +0,81%

Maiores baixas do Ibovespa

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  • Vale (VALE3): -0,80%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): -0,80%

Fabio Louzada ressalta que mineradoras e siderúrgicas continuaram entre os principais pesos negativos do índice.

“VALE3, USIM5 e CSNA3 voltaram a sofrer, refletindo a piora do sentimento em relação ao crescimento global e à demanda chinesa”, afirma.

Com juros ainda elevados e investidores mais seletivos, ações ligadas ao consumo doméstico também ficaram pressionadas. Segundo o especialista, papéis como Magazine Luiza (MGLU3), Localiza (RENT3) e Yduqs (YDUQ3) seguem sofrendo com o ambiente de crédito mais restritivo.

No fechamento, o mercado continuou acompanhando as negociações comerciais dos Estados Unidos, os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e a trajetória dos juros americanos, fatores que seguem influenciando diretamente o comportamento do Ibovespa.

Maíra Telles

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