Dia dos Namorados: Ibovespa perde o clima e encerra no vermelho

Como nem tudo são flores, o Ibovespa não entrou no clima do Dia dos Namorados. Apesar do otimismo visto em parte da sessão, o índice perdeu força com a cautela dos investidores diante dos sinais contraditórios sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã e da inflação brasileira acima das expectativas. O principal índice da Bolsa brasileira encerrou o pregão desta quinta-feira (12) em queda de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, após oscilar entre a mínima de 169.992,77 pontos e a máxima de 172.544,54 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,7 bilhões, enquanto investidores adotaram uma postura mais defensiva antes do fim de semana.

Apesar da queda no dia, o índice acumulou ganho de 1,25% na semana, interrompendo parte das perdas recentes. No mês, o recuo é de 1,53%, enquanto o avanço em 2026 permanece em 6,21%.

IPCA reforça cautela sobre juros

O principal dado doméstico do dia foi a divulgação do IPCA de maio, que subiu 0,58%, acima da expectativa do mercado, de 0,55%. O resultado reforçou a percepção de que o Banco Central pode manter uma postura mais cautelosa nas próximas decisões de política monetária.

Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a composição da inflação segue preocupando os investidores.

“A pressão persistente sobre alimentos e bebidas mostra que o problema está longe de ser resolvido e reforça a percepção de que o custo de vida segue elevado para a população”, afirma.

Para o especialista, a deterioração fiscal também dificulta uma visão mais otimista sobre a trajetória dos juros.

“A expectativa de uma queda consistente da Selic parece cada vez mais distante”, destaca.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial: queda frente ao real
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  • Movimento acompanhou a melhora do apetite por risco global
  • Expectativa de avanço nas negociações entre EUA e Irã ajudou a reduzir a demanda por proteção

Segundo Bruno Shahini, analista de investimentos da Nomad, o real continuou sendo favorecido pelo diferencial de juros brasileiro.

“O IPCA de maio acima do esperado reforçou a expectativa de um Banco Central mais cauteloso, sustentando o diferencial de juros e mantendo o real entre as moedas de melhor desempenho entre emergentes”, disse.

Fechamento das bolsas americanas

  • Dow Jones: alta
  • S&P 500: alta
  • Nasdaq: alta

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Os índices de Wall Street encerraram a sessão no campo positivo, impulsionados pelo setor de tecnologia. A estreia da SpaceX no Nasdaq também atraiu fluxo para os mercados americanos, reduzindo parte do interesse por bolsas emergentes.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Maiores altas

  • Energisa (ENGI3)
  • Marcopolo (POMO4)

Maiores baixas

  • Cogna (COGN3)
  • Braskem (BRKM5)
  • Petrobras (PETR4)
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  • Petrobras (PETR3)

As ações da Petrobras foram pressionadas pela queda superior a 3% dos preços do petróleo, refletindo o aumento das apostas de que um acordo entre Estados Unidos e Irã possa reduzir os riscos para a oferta global da commodity.

Já a Energisa avançou após anunciar uma operação que poderá ampliar sua participação na Jirau Energia, movimento visto pelo mercado como positivo para a estratégia de crescimento da companhia.

Oriente Médio segue no radar dos investidores

O mercado acompanhou um novo capítulo das negociações entre Estados Unidos e Irã. Após Donald Trump afirmar na quinta-feira que um acordo estava praticamente concluído, autoridades iranianas negaram que os termos tenham sido aprovados.

Mais tarde, o governo iraniano confirmou a existência de um memorando de entendimento, mas destacou que ele será apenas a primeira etapa de um acordo definitivo.

Para Josias Bento, a conclusão das negociações continuará sendo o principal fator para os mercados na próxima semana.

“Caso haja um acordo efetivo entre Estados Unidos e Irã, o mercado poderá reagir positivamente no exterior, mas isso não significa necessariamente uma recuperação consistente da Bolsa brasileira”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a saída de recursos estrangeiros e as incertezas fiscais continuam limitando uma recuperação mais forte do Ibovespa.

Maíra Telles

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