Ibovespa cai, puxado por Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3); Soma (SOMA3) recua quase 7% e Bradesco (BBDC4) sobe

O Ibovespa encerrou a sessão de hoje (3) em queda de 0,18%, aos 127.318,39 pontos, após registrar a pontuação mínima de 126.181,37 e uma máxima de 127.693,56 pontos. Já o volume financeiro somou R$ 21,9 bilhões.

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O Ibovespa hoje fechou em linha com a leve baixa de Dow Jones nos EUA, embora as demais Bolsas de NY encerraram com ligeira alta.

  • Dow Jones: -0,11%, aos 39.127,21 pontos;
  • S&P500: +0,11%, aos 5.211,59 pontos;
  • Nasdaq: +0,23%, aos 16.277,46 pontos.

Segundo Leandro Petrokas, diretor de Research e sócio da Quantzed, a bolsa de valores hoje (3) abriu em queda no Brasil, com Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos puxando o índice.

Porém, o Índice Bovespa mudou de direção por volta do meio-dia, diante das falas de Jerome Powell. O presidente do Federal Reserve afirmou que, mesmo com a economia aquecida nos EUA, é apropriado cortar os juros ainda em 2024, o que acabou sendo algo bem visto pelo mercado.

Ele reconheceu mais uma vez que a inflação caiu significativamente nos Estados Unidos, mas permanece acima da meta, e que o trabalho de fazer com que retorne à referência de 2% ao ano ainda não terminou.

Powell disse também que a política monetária pesa sobre a demanda, sobretudo nos serviços, mas que dados recentes sobre emprego e inflação vieram acima do esperado. “Reduzir juros cedo demais pode reverter progressos contra inflação”, observou também o presidente do BC americano. Por outro lado, ele apontou que um “corte tardio de juros poderia enfraquecer a economia e o emprego”. “Tomaremos decisões reunião a reunião”, reiterou.

A boa recepção inicial às palavras desta quarta-feira do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, retirou o Ibovespa de perdas em torno de 0,8% no começo da tarde para fechamento ainda negativo, embora mais acomodado – em dia no qual o índice não conseguiu acompanhar o sinal de Nova York desde cedo.

“A cautela deu o tom hoje, desde cedo, com a expectativa para as falas do Roberto Campos Neto, presidente do BC, e do Powell, lá fora. Havia uma luz de aversão a risco acesa, mas superada a expectativa para as duas falas chegou a haver melhora, que não se sustentou em direção ao fechamento”, observa Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. “Mercado muito ligado ainda ao movimento das Treasuries, com implicação para a curva doméstica, em abertura.”

No final do pregão, o IBOV acabou fechando no campo negativo. O dólar, por sua vez, cedeu hoje 0,35%, a R$ 5,0405.

Ontem, o Ibovespa havia avançado na contramão de Nova York com o impulso proporcionado pelas gigantes das commodities, Vale e Petrobras, que hoje fecharam em baixa: a ação da mineradora (ON) caiu 1,44% e as da petrolífera recuaram 0,78% (PETR3) e 0,52% (PETR4). Em Qingdao (China), o minério de ferro fechou a quarta-feira abaixo de US$ 100 por tonelada, no menor nível desde maio de 2023.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta quarta-feira à Folha que existe uma divergência com o presidente da Petrobras, mas que tal diferença é salutar. Segundo Silveira, o conflito ocorre pelas características dos papéis de ambos, em suas respectivas funções.

Apesar do sinal negativo de Vale e Petrobras na sessão, setores como o siderúrgico e o de utilities deram contribuição favorável nesta quarta-feira, assim como alguns grandes bancos, como Bradesco (BBDC3 +2,30%, BBDC4, +1,97%) e Banco do Brasil (BBAS3, +0,39%). No setor metálico, destaque para Gerdau (GGBR4,+0,89%, na máxima do dia no fechamento) e entre as utilities, para Eletrobras (ELET3, +0,32%).

Para esta semana, Petrokas diz que os dados do payroll nos Estados Unidos podem trazer certa volatilidade aos mercados na sexta-feira (5). Vale destacar também que os desdobramentos da negociação em relação à desoneração da folha e as discussões entre os poderes executivo e legislativo podem gerar volatilidade ao mercado, sobretudo para a curva de juros.

Ações do Ibovespa que se destacaram hoje (3)

 As ações da PetroRecôncavo (RECV3) se recuperaram depois de uma queda de 9% registrada ontem (2). Ontem, as ações recuaram com o mercado reagindo ao comunicado de proposta de fusão entre Enauta (ENAT3) e 3R Petroleum (RRRP3) divulgado na segunda (1º) à noite.

No pregão de ontem, as ações de Enauta e PetroReconcavo caíram de forma expressiva, enquanto a 3R teve ligeira valorização de 0,73%, embora tenha registrado alta de 7% no início do pregão. O especialista diz que a ligeira alta do petróleo auxilia o case (Petróleo WTI avançou 0,33%).

As ações da Natura (NTCO3) avançaram diante de reação técnica, depois de acumularem 4 dias consecutivos de baixa, e subindo com a elevação de rating de crédito feito pela Fitch. Além disso, o Bradesco BBI também optou pela manutenção da recomendação de compra em relação ao papel, com preço alvo de R$ 23.

Nas quedas do Ibov estiveram as ações do Grupo Soma (SOMA3) e Arezzo (ARZZ3). Segundo Petrokas, essas ações podem estar caindo por causa da participação do CFO da Arezzo em um evento promovido pelo Bradesco BBI.

“Por se tratar de um evento fechado, poucas informações são veiculadas. Mas é bem estranho o comportamento das duas ações, que caíram de forma expressiva e com volume acima da média”, diz o especialista.

Maiores altas do Ibovespa

  • PetroRecôncavo (RECV3): +4,60%
  • 3R Petroleum (RRRP3): +3,78%
  • Natura (NTCO3): +3,54%
  • Carrefour (CRFB3): +2,36%
  • CPFL (CPFE3): +2,34%

Maiores quedas do Ibovespa

  • Grupo Soma (SOMA3): -6,86%
  • Arezzo (ARZZ3): -6,18%
  • Cogna (COGN3): -5,53%
  • Eztec (EZTC3): -5,11%
  • Yduqs (YDUQ3): -4,05%

Último fechamento do Ibovespa

O Ibovespa fechou a sessão de ontem (2) em baixa de 0,18%, aos 127.318,39 pontos.

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João Vitor Jacintho

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