Ibovespa: Méliuz (CASH3) e BRF (BRFS3) ficam entre as maiores altas da semana

Ibovespa: Méliuz (CASH3) e BRF (BRFS3) ficam entre as maiores altas da semana
Méliuz (CASH3). Foto: Reprodução balanço 3T21

A trajetória das ações no Ibovespa na semana que acabou nesta sexta (13) foi influenciada pela divulgação dos resultados trimestrais das companhias. A exceção foi o Banco Inter (BIDI4), que soltará seu balanço na próxima segunda (16).

Mas, na quinta (12), os acionistas do Banco Inter aprovaram a reorganização societária e a migração das ações da companhia para a bolsa americana Nasdaq.

Veja a seguir as principais altas da semana no Ibovespa, quen esta semana avançou 1,7%. Na sexta o índice da B3 fechou com alta de 1,17%, aos 106.924,18 pontos, no terceiro pregão seguido de ganhos:

  • Banco Inter (BIDI4): alta de 16,74%
  • BRF: alta de 15,78%
  • Méliuz (CASH3): alta de 12,94%
  • Yduqs (YDUQ3): alta de 12,04%
  • BTG Pactual (BPAC11): alta de 10,73%

1.Banco Inter lidera altas no Ibovespa

A notícia sobre a aprovação pelos acionistas da ida da fintech à Nasdaq animou investidores no Ibovespa. O procedimento já havia sido iniciado e suspenso em 2021. A fintech retomou recentemente os planos de sair da bolsa brasileira.

A maioria (mais de 85%) dos acionistas do Banco Inter optou pela listagem na Nasdaq, incluindo uma reorganização societária. Quando a operação for efetivamente concluída, todas as ações do Banco Inter deixarão de ser negociadas na bolsa de valores brasileira e estarão disponíveis somente na Nasdaq. O investidor brasileiro poderá utilizar BDRs, como ocorre com outras companhias listadas no exterior, a exemplo da XP Investimentos (XPBR31).

O movimento faz com que os papéis BIDI11 e BIDI4 disparem no Ibovespa e fechassem na ponta positiva. O BIDI11 disparou entre as maiores altas do Ibovespa: 17,22%.

2. BRF: resultados do 1T22 foram fracos, mas há perspectiva de melhora

As ações da BRF caíram logo depois que a companhia reportou os resultados do 1T22, no último dia 5. Relembrando: no resultado da BRF, a companhia reverteu o lucro do 1T21 em prejuízo líquido de R$ 1,546 bilhão. Já a receita líquida proveniente das vendas no período somou R$ 12,04 bilhões, aumento de 13,7% sobre os R$ 10,592 bilhões de igual trimestre de 2021.

Segundo a companhia, o cenário econômico brasileiro e geopolítico mundial pressionou negativamente o desempenho no primeiro trimestre. Para a XP Investimentos, os resultados foram fracos e abaixo das expectativas dos analistas – que já não eram as maiores. “Nós já esperávamos resultados fracos, mas fomos surpreendidos pelo lado negativo”, dizem os analistas Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, que citam que a companhia ‘se surpreendeu’ com uma demanda abaixo do esperado no início do ano.

A BTG divulgou, no entanto, que vê perspectiva de melhora: “Sentimos que a dinâmica do setor pode começar a parecer muito melhor à medida que avançamos para o 2S22. Embora agora vejamos as ações da BRF como tendo que percorrer um longo caminho antes de capturar melhores margens de aves à frente (portanto, mantemos nossa classificação neutra), acreditamos que o movimento do preço das ações de R$ 20 para R$ 13 nas últimas semanas/meses captura um pouco da decepção dos resultados do 1T22. As ações da BRF são pró-cíclicas e acreditamos que o ciclo poderá melhorar em breve. Tomaríamos qualquer fraqueza adicional no preço das ações de níveis já muito deprimidos como uma chance de começar aproveitar o ciclo.”

3. Méliuz: Itaú BBA vê valorização (bem) alta nas ações da companhia

O Méliuz (CASH3), empresa de tecnologia especializada em cashback, também reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 6,5 milhões no primeiro trimestre de 2022. Reverteu o lucro de R$ 3,017 milhões registrado no mesmo período de 2021.

Um relatório do Itaú BBA divulgado esta semana, porém, viu sinais de recuperação para a companhia: a análise estima preço-alvo da Méliuz, ainda em 2022, na faixa de R$ 10,70 – alta de 530% para o preço do fechamento das ações da empresa (nesta sexta os papéis do Méliuz subiram 7,26%, para R$ 1,92%).

O Itaú argumenta que vendas têm aumentado de forma consistente. Destacou. por exemplo, a alta de 66% no GMV (Volume Bruto de Mercadoria, na sigla em inglês) consolidado, e aumento de 44% no total de contas, para 23,6 milhões. Os analista viram no avanço de 61% no total de compradores outro sinal de recuperação.

O BTG também viu números bons no balanço do Méliuz: “O EBITDA recorrente e o lucro líquido ajustado foram 33% e 63% melhores do que esperávamos, respectivamente, ajudados por despesas de marketing abaixo do estimado.”

Diz ainda o BTG: “No 4T21, a Méliuz assinou um acordo com a Mastercard para implementar diversos programas de incentivo para seus cartões de crédito. Como resultado, registrou uma entrada de caixa de R$ 27 milhões no 1T22, que será reconhecida mensalmente na linha de outras despesas/receitas durante todo o período do contrato. Mas isso deve naturalmente ajudar a impulsionar os resultados financeiros no curto prazo.” E acrescenta: “A empresa se fortaleceu muito desde o IPO, tendo aprimorado sua equipe, concluído vários M&As e acumulado uma posição de caixa de R$ 504 milhões (39% de seu valor de mercado).”

4. Yduqs: crescimento no lucro do 1T22

Yduqs (YDUQ3), uma das maiores organizações privadas de setor de ensino superior no Brasil, teve lucro líquido de R$ 76 milhões no primeiro trimestre, uma alta de 75,9% em 12 meses, além de reverter prejuízo reportado no período final de 2021. A captação de alunos entre janeiro e março foi recorde, de 254 mil estudantes, uma sinalização de recuperação após o baque da pandemia.
O resultado no 1T22 empolgou investidores no Ibovespa. “A Yduqs publicou resultados do primeiro trimestre melhores do que o esperado, que não foram poluídos por eventos pontuais como os trimestres anteriores.”

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 396,2 milhões no primeiro trimestre, crescimento anual de 26,5%. O número ajustado apontou alta de 23,5%, para R$ 400 milhões. A margem Ebitda subiu 4,3 ponto porcentual, chegando a 33,2%, enquanto a ajustada subiu 3,8 ponto, para 33,6%.

receita líquida atingiu R$ 1,193 bilhão, com crescimento anual de 10,2%. Segundo a companhia, contribuíram para esse resultado os crescimentos do segmento Premium, com alta de 29,8% e o Ensino Digital, que registrou faturamento 27,7% maior. Já o ensino presencial teve receita 5,1% menor.

5. BTG: lucro recorde

Os resultados do BTG também fizeram subir as ações da companhia no Ibovespa.

BTG Pactual (BPAC11) fechou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 2,1 bilhões, um resultado recorde para um único trimestre, 72% superior ao mesmo período do ano passado e 15,7% acima do quarto trimestre de 2021.

O lucro líquido do BTG Pactual somou R$ 1,94 bilhão, alta de 65% em 12 meses. As receitas no primeiro trimestre também foram recorde em base trimestral e chegaram a R$ 4,361 bilhões, representando um aumento de 56%, se comparado ao primeiro trimestre do ano passado, e uma elevação de 24,7% frente ao quarto trimestre.

Segundo o balanço do BTG, o retorno sobre o patrimônio ajustado chegou a 21,5%, o mais elevado desde 2016. O retorno subiu 4,7 pontos porcentuais frente ao mesmo trimestre de 2021 e 2,1 pontos porcentuais em relação ao quarto trimestre.

“Este trimestre corroborou o nosso histórico de forte performance independente do cenário macro. Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, encerramos o primeiro trimestre com recordes de lucro e receita, impulsionado pelo nosso modelo de negócios integrado e pela expansão para novos segmentos”, afirma Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, em nota. A repercussão manteve as ações em alta nesta quinta e sexta no Ibovespa.

Marco Antônio Lopes

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