Ibovespa: por que analistas se mantêm otimistas com a Bolsa, apesar da queda no 1T24

O Itaú BBA reafirmou seu posicionamento positivo em relação ao Índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, mesmo após queda de 4,5% registrada no primeiro trimestre deste ano (1T24). A despeito desse declínio, o banco diz que o desempenho das ações brasileiras ao longo de 2024 tem “valoração atrativa” e um “crescimento notável nos lucros”. O Ibovespa é o principal indicador do desempenho médio das cotações das ações negociadas na B3, a bolsa de valores do Brasil.

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De acordo com análises do BBA, o Ibovespa encerrou o 1T24 com 128.106 pontos. Esse resultado marca o terceiro menor retorno do primeiro trimestre na última década e coloca o índice Ibovespa 4,5% abaixo de sua mínima histórica.

Os especialistas do banco destacam diversos fatores que influenciaram o cenário do Ibovespa no período, incluindo o atraso na precificação do corte na taxa de juros pelo sistema de banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, o Fed, uma maior presença a partir do último trimestre de 2023 (4T23), devido a um grande influxo de capital estrangeiro nas ações brasileiras em novembro e dezembro, o aumento global no setor de tecnologia (que não é tão representado nos índices brasileiros) e revisões para baixo nos lucros por ação de ações importantes.

Apesar desses desafios, o BBA diz que mantém sua perspectiva positiva para as ações brasileiras neste ano porque, segundo os estrategistas, há um crescimento notável nos lucros (+15% YoY – que significa de um ano para o outro ao comparar métricas), uma valoração atrativa de preço sobre lucro (P/E de 8x, desconto de 21% em relação à média histórica), uma tendência favorável nas taxas de juros (taxa terminal de 9,25% em 2024) e ainda uma posição sub-representada (fundos de ações em 9% do total do AUM).

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Itaú BBA aponta sete conclusões do desempenho do 1T24 do Ibovespa

  • A maioria dos componentes do Ibovespa teve um trimestre de realização de lucros.
  • O Índice Small Cap (SMLL) superou ligeiramente o Ibovespa.
  • As taxas do Tesouro e a política monetária dos EUA continuam a ser determinantes relevantes do mercado.
  • Destaque positivo para os setores de bens de capital e bancos.
  • O momentum (tendência de um ativo financeiro continuar se movendo na mesma direção em que estava se movendo anteriormente) tem sido o fator de melhor desempenho até agora em 2024.
  • O Brasil é um dos poucos países que subperformaram, negociando com desconto e teve revisões de lucros estáveis.
  • Commodities impulsionaram a baixa do Ibovespa em pontos, seguido por financeiras.

Índice começa abril em baixa de 0,87%

Com um volume de negociações moderado após o feriado de sexta-feira, o Ibovespa teve uma segunda-feira complicada, interrompendo uma sequência de duas altas e fechando abaixo dos 127 mil pontos. Nesta segunda-feira (1º), o índice caiu 0,87%, atingindo 126.990,45 pontos, muito mais próximo da menor pontuação do dia (126.771,80) do que da maior (128.658,86). O total negociado foi de R$ 19,9 bilhões. Depois de uma queda de 0,71% em março, o Ibovespa já perdeu 5,36% no ano.

Nesta semana, mês e trimestre, os rendimentos dos Treasuries (retornos ou taxas de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos) ficaram sob pressão devido às incertezas sobre as taxas de juros do Federal Reserve, após a divulgação de novos dados sobre a atividade econômica dos EUA – o que também causou uma queda nos índices de ações em Nova York durante a maior parte do dia.

O clima de aversão ao risco no exterior afetou os ativos brasileiros, afetando tanto a curva de juros quanto o câmbio. Como resultado, o dólar atingiu R$ 5,07 no ponto mais alto do dia – no final do pregão do Ibovespa, apresentou um aumento de 0,87%, chegando a R$ 5,0591.

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Murilo Melo

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