Hypera (HYPE3): BBA corta preço-alvo das ações e cita dois motivos

O Itaú BBA rebaixou o preço-alvo da Hypera Pharma (HYPE3) para R$ 32 por ação até o fim deste ano. A projeção anterior era de R$ 42. Mesmo com a redução de R$ 10, o novo valor reflete uma alta de 22% em relação aos níveis atuais, segundo os especialistas. A ação da Hypera fechou em alta de 1,18% nesta quinta (6), cotada a R$ 29,06.

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Dois fatores foram determinantes para que as ações da Hypera tivessem redução em seu preço. O primeiro diz respeito aos resultados da farmacêutica no primeiro trimestre de 2024 (1T24), enquanto o segundo é devido às propostas de alterações na utilização dos créditos de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), apresentadas por meio de Medida Provisória (MP).

Ambos são contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social, que inclui a previdência social, saúde pública e assistência social. A MP restringe a utilização dos créditos tributários relacionados ao PIS/Cofins resultando, na prática, em aumento indireto da carga tributária para as empresas, o que inclui o setor farmacêutico, situação que preocupa os analistas financeiros.

A proposta sugere que os créditos de PIS/Cofins obtidos pela compra de insumos sejam utilizados exclusivamente para compensar débitos dos programas sociais. Atualmente, esses créditos podem ser utilizados para compensar outras obrigações fiscais, mas a mudança proposta restringiria essa aplicação. Essa alteração afetaria empresas que acumulam créditos ao adquirir insumos, mas não possuem débitos de PIS/Cofins suficientes para compensar.

Os analistas do BBA afirmam que, no caso da Hypera Pharma, apenas uma pequena parte de sua receita provém de produtos elegíveis para isenção de PIS/Cofins. Atualmente, a farmacêutica utiliza parte dos créditos acumulados para compensar outros impostos. Com a nova regra, esses créditos ficariam sem uso imediato, resultando em um acúmulo de créditos não utilizados.

De acordo com a análise do banco, caso a MP seja aprovada, o impacto seria limitado a menos de 2% do fluxo de caixa operacional da empresa. “Se começar apenas em 2025, o impacto seria de cerca de R$ 50-60 milhões por ano em 2025 e 2026. No entanto, em 2027, com a fase de implementação da reforma tributária, o impacto negativo no caixa cessaria. Vale também notar que os créditos de PIS/Cofins acumulados até 2027 poderiam potencialmente ser reembolsados no futuro”, escrevem os estrategistas.

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Santander também reduz preço-alvo das ações da farmacêutica

Não foi apenas o Itaú BBA que derrubou o preço-alvo da Hypera. No dia 21 de maio, o Santander revisou para baixo o preço-alvo das ações da Hypera, de R$ 41,50 para R$ 33,50, com uma recomendação neutra. A mudança reflete uma expectativa de desempenho fraco em termos de ganhos e geração de caixa no curto prazo. O novo valor sugere um potencial de valorização de 8% em relação ao último fechamento das ações da farmacêutica.

Com o ajuste, o banco projeta que os papéis da Hypera serão negociadas a um múltiplo de 11,5 vezes a relação preço/lucro (P/E) estimado para este ano, acima do múltiplo de 10,5 vezes com base no preço atual.

No relatório divulgado ao mercado, os analistas Caio Moscardini, Karoline Silva Correia e Guilherme Gripp explicam que, apesar do mercado farmacêutico ter crescido 11,7% nos primeiros quatro meses de 2024, esse crescimento não é suficiente para impulsionar significativamente os resultados da Hypera.

As projeções para receitas, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido da Hypera foram reduzidas em média por 5% para o período de 2024 a 2027, alinhando-se mais com a orientação da empresa para este ano. Mesmo sem catalisadores orgânicos, as metas de receita, margem Ebitda e lucro líquido parecem alcançáveis, embora com um pequeno risco de queda.

O relatório também destaca que o segmento de ‘tosse e resfriado’ pode enfrentar um crescimento lento novamente este ano. A menor transmissibilidade dos vírus devido às temperaturas mais altas no Brasil e a redução de 32% nos casos de síndrome respiratória aguda grave (Sars), segundo dados do Ministério da Saúde, são fatores que contribuem para essa perspectiva. Isso levou à revisão das expectativas e ao aumento das taxas de desconto, conforme aponta o Santander.

Além disso, o crescimento do mercado farmacêutico não é considerado uma “solução milagrosa” para a Hypera. De acordo com a Sindusfarma, o mercado registrou um aumento de 19% em relação ao ano anterior em abril (+3% em março, possivelmente influenciado pelo calendário).

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Murilo Melo

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