Grana na conta

Dólar vai ‘subir de elevador’? Veja perspectivas para o câmbio

Desde outubro do ano passado, em meio às eleições, o dólar tem apresentando retrações sucessivas, saindo de R$ 5,16 para ficar levemente abaixo de R$ 5 nas últimas semanas.

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Nesse contexto, o mercado discute hipóteses de uma estabilidade da cotação do dólar ou uma elevação da cotação da moeda – eventualmente, uma ‘subida de elevador’, como diz um dos ditados mais célebres do mercado: a moeda americana ‘desce de escada, mas sobe de elevador’.

Um dos principais drivers para o alívio na pressão do câmbio foi a redução dos ruídos fiscais, além de uma melhora da percepção de risco do investidor estrangeiro com relação ao cenário da economia doméstica.

“No último ano, observamos avanços significativos em questões fiscais cruciais para proporcionar previsibilidade nas contas públicas brasileiras, resultando em uma melhoria na nota de crédito atribuída por agências como Fitch e S&P, consolidando a credibilidade das propostas”, destaca Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T Câmbio.

Para esse ano, o especialista destaca que é essencial considerar o contexto eleitoral deste ano, tradicionalmente marcado pelo aumento dos gastos governamentais.

Além disso, destaca que as decisões de política monetária nos Estados Unidos devem seguir influenciado o comportamento de outras moedas, uma vez que têm o potencial de aumentar ou reduzir a atratividade do dólar.

“O real encerrou 2023 como uma das moedas mais valorizadas em relação ao dólar, no entanto, é válido notar que, mesmo em um ambiente externo favorável, a atratividade da economia é um fator essencial para entrar na rota do investidor estrangeiros. Isso é evidenciado pelo desempenho negativo de outras moedas, como a Lira Turca, Rublo Russo e Peso Argentino, que enfrentaram quedas expressivas e problemas sérios de desequilíbrio em suas economias”, destaca.

BTG espera ‘montanha russa do dólar’

Os especialistas do BTG Pactual esperam uma elevação sucessiva da cotação do dólar até março, atingindo um pico de R$ 5,14. Após isso, a expectativa é de uma retração contínua do preço ante o Real, fechando o ano de 2024 a R$ 4,85.

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“Desde o final do ano passado, as narrativas para um call de forte apreciação do Real em 2024 tem ganhado holofote no mercado, com razões no cenário externo e doméstico, seja pela forte queda de juros americanos esperada pelo mercado (atualmente precificada em cerca de 175bps), seja pelo diferencial de juros de 2 anos bastante atrativo (cerca de 560bps) e pelas fortes expectativas de produção de petróleo interno”, diz a casa.

Apesar disso, a análise é de que existem fatores para algum receio com tamanho otimismo.

“O primeiro ponto é que 2024 será de desaceleração global com queda de juros, cenário que tende a favorecer mais as moedas de países emergentes exportadores de tecnologia (sudeste asiático) do que commodities (latinos)”, oberva.

“A segunda razão se encontra na incerteza fiscal. Apesar da aprovação da reforma tributária e dos upgrades nos riscos soberanos em 2023, é fato que a desaceleração da nossa atividade trará desafios arrecadatórios e deverá provocar revisões nas metas fiscais não apenas em 2024, mas nos anos posteriores. Entendemos, sim, que a ‘barra é alta’ para depreciações do real, mas acreditamos também que o potencial de valorização, ao menos por agora, não tende a ser tão eleva”, completa.

Consenso do mercado financeiro projeta retração em 2024

Conforme dados do Boletim Focus mais recente, a projeção do dólar é de R$ 4,93 ao fim deste ano, levemente abaixo do patamar atual.

A projeção é praticamente igual a estimativa do dólar em 2024 de quatro semanas atrás, que era de R$ 4,92.

Já a estimativa do mercado para o dólar em 2025 segue de R$ 5, sendo a mesma há seis semanas.

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Eduardo Vargas

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