Dólar está fora do preço e pode encerrar ano em R$ 5,15, diz corretora

Dólar está fora do preço e pode encerrar ano em R$ 5,15, diz corretora
Mesmo exprimindo os riscos fiscais e políticos, o dólar está fora do preço e pode encerrar o ano em R$ 5,15, diz corretora. Foto: Pixabay

Um dos maiores impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil foi a forte depreciação do real frente ao dólar. A divisa norte-americana se valorizou mais de 40% frente à moeda brasileira nos últimos 12 meses. Mesmo exprimindo os riscos econômicos, fiscais e políticos, o dólar está fora do preço e pode encerrar o ano entre R$ 5,10 e R$ 5,15. Essa é opinião da B&T, uma das maiores corretoras de câmbio do País.

A corretora, que transacionou em volume total cerca de US$ 10 bilhões em 2020, estima que sem a pandemia o dólar estaria na casa dos R$ 4,80. Entretanto, Tulio Portella, Diretor Comercial da B&T, afirmou ao SUNO Notícias que é muito difícil de acertar a direção do dólar.

“É sempre difícil acertar alguma previsão de dólar. Poucos conseguem, e o resultado disso é contaminado pela aleatoriedade e de todo esse processo”, afirma. Ainda mais no Brasil, diz ele, que vem passando pelo pior momento da pandemia “e ainda temos um outro risco no ano que vem, que é o da eleição”.

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Há pouco mais de duas semanas, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 2,75%, abrindo caminho para um novo ciclo de alta da taxa de juros no Brasil. Portella afirma que esse movimento deve atrair mais recursos estrangeiros, mas não deve fazer com que o dólar fique próximo dos R$ 4.

“No entanto, entendemos que o patamar atual do dólar está, sim, um pouco acima do que o justo. Não vejo a moeda sendo negociada de forma consistente acima de R$ 5,75 como por algumas vezes nas últimas semanas. Deve cair”, diz o executivo.

“A reabertura das fronteiras e vacinação em massa no mundo deve beneficiar esse processo.”

Dólar tende a cair com flexibilização do mercado de câmbio

A B&T foi criada em 1993 e possui a autorização do Banco Central para operar como uma instituição financeira ligada a todas a operações de câmbio. Atualmente, a corretora possui 11% do market share das empresas especializadas no tratamento do dólar.

Segundo Portella, 80% do mercado está dentro de bancos, que “na maior parte das vezes não possuem a expertise para tratar de câmbio”. Desse total, 85% está concentrado nas cinco maiores instituições financeiras de varejo do Brasil:

“O câmbio no Brasil ainda é algo muito complexo, com alta burocracia e muitos impostos. Bancos não são especialistas no assunto, eles ficam com a parte mais simples do processo, que são as remessas de capital”, diz o executivo. “Quando os clientes querem algo mais especializado, procuram empresas como nós.”

Para ele, as medidas tomadas pelo BC em favor da flexibilização do mercado de câmbio tendem a beneficiar os clientes e as empresas. Além disso, com maior facilidade da entrada de capital estrangeiro no País, o real pode se valorizar frente às demais moedas do mundo.

Um desses passos, segundo Portella, foi o marco do câmbio, aprovado em fevereiro. “Isso é algo fundamental. O Brasil ainda possui uma participação pequena no comercio exterior, e ainda é muito restrito a commodities. Falta inserção do País como um todo, e isso ocorre principalmente por conta da burocracia.”

Com a medida, instituições autorizadas poderão utilizar o dólar para investimentos, financiamentos e alocações de capital. Para as pessoas físicas, o novo marco legal do câmbio libera as negociações de pequenos valores e enxuga custos. Mesmo assim, segundo especialistas, isso não deve dolarizar a economia.

Para o executivo, “a simplificação desse processo é essencial para o crescimento do mercado, seja para bancos, corretoras, ou para os próprios clientes. Além de taxas muito altas, existem processos difíceis para serem executados”.

Um dos itens citados por Portella é a abertura de contas em dólar, que pode ser possibilitada com o novo marco. “É quase necessário que contas em dólar sejam autorizadas no País. Estamos em falando em globalização há pelo menos duas décadas e isso ainda trava o Brasil. Isso facilitaria o dia a dia de muita gente.”

Caso da TransferWise

O mercado de câmbio foi abalado no início deste mês com o caso da suposta fraude na TransferWise. O MS Bank encerrou as atividades de transferências internacionais com a empresa, que era sua correspondente cambial.

A TransferWise estaria utilizando nomes e dados financeiros de clientes para enviar dinheiro ilegalmente ao exterior, “sem o conhecimento do MS Bank e dos usuários da plataforma, envolvendo seus nomes em crimes que podem levar a até seis anos de prisão”.

Portella diz que o caso necessita de uma investigação profunda, pois é um problema sério para o mercado. “O vazamento de dados com certeza complica ainda mais a situação das empresas”, diz o executivo.

No entanto, o diretor da B&T afirma que o BC tem tomado as devidas precauções para esse tipo de risco deixe de fazer parte do mercado brasileiro. “O Banco Central já possibilita que todos os clientes das corretoras de câmbio e correspondentes internacionais confiram a segurança e veracidade dos negócios com seu CPF de um forma relativamente simples.”

Mesmo com as burocracias inerentes à operação no Brasil e os ricos incorridos, Portella identifica como gatilho para o crescimento do mercado de câmbio no Brasil a “desbancarização” do segmento. “O Brasil tem chamado atenção no mercado de corretoras, o que deve expandir a oferta de dólar aqui dentro.”

Jader Lazarini

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