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Crise hídrica: governo reduz vazão de usinas na Bacia do Paraná

Crise hídrica: governo reduz vazão de usinas na Bacia do Paraná
Foto: Pixabay.

Em meio à crise hídrica que assola o Brasil, o governo decidiu reduzir a vazão de duas hidrelétricas na Bacia do Paraná. Essa é mais uma das medidas que objetiva conter os impactos da situação, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na noite da última sexta-feira (11).

A portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) determina a diminuição imediata do fluxo de água das usinas de Jupiá, entre as cidades de Andradina e Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), e Porto Primavera, entre Rosana (SP) e de Batayporã (MS). O Sudeste, especificamente São Paulo, é a região mais impactada pela crise hídrica.

O texto determina que a defluência mínima de Jupiá, da concessionária China Three Gorges Corporation Brasil (CTG Brasil), deverá ser reduzida gradualmente de forma a atingir 2.300 metros cúbicos por segundo (m³/s) em 1º de julho; e a de Porto Primavera, da Cesp, a 2.700 m³/s a partir da mesma data.

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Há duas semanas, o governo emitiu alerta de emergência hídrica para os cinco estados:

  • Minas Gerais;
  • Goiás;
  • Mato Grosso do Sul;
  • São Paulo;
  • Paraná.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, desde a primeira quinzena de maio, a Cesp (CESP6) e a CTG realizam os testes de redução das defluências dessas duas usinas. Jupiá teve a vazão gradualmente diminuída de 3.700 metros cúbicos por segundo para 3.200 m³/s, e Porto Primavera, de 4.300 m³/s para 3.800 m³/s.

Contudo, no dia 4 de junho, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já havia deixado claro em nota técnica que iria recomendar fluxos ainda menores e realizar as tratativas necessárias com o Ibama e a Agência Nacional de Águas (ANA), além das empresas donas das usinas. O objetivo é monitorar e diminuir os impactos para o turismo, pescadores, fauna e meio ambiente.

XP alerta para empresas impactadas pela crise hídrica

Segundo a XP, a falta de chuvas tende a impactar, de forma mais relevante, AES Brasil (AESB3) e Cesp. O segmento do setor elétrico mais afetado pelo cenário é o de geração, que contempla essas duas empresas.

Elas tiveram redução na produção de energia elétrica no primeiro trimestre, em 21% e 22%, respectivamente. “Isso ilustra que o impacto do déficit hídrico já é uma realidade para algumas geradoras, principalmente as localizadas em regiões mais afetadas”, diz a corretora.

A tendência é de piora no nível dos reservatórios nos próximos meses, comenta a XP, pois o fim de abril marca o fim do período úmido no Sudeste e Centro-Oeste. “Sazonalmente, já se espera que o armazenamento de águas se reduza entre maio e outubro.”

Mesmo com a crise hídrica, a corretora não mudou a recomendação de nenhuma companhia. O preço-alvo para as ações da AES Brasil continua sendo de R$ 18, e para a Cesp de R$ 36, com a indicação de compra para ambas as empresas.

Com informações do Estadão Conteúdo. 

Jader Lazarini

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