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Covid-19: Novo recorde de mortes em meio a lockdown em Xangai e Pequim cria ‘situação difícil’ para autoridades

Em novo agravamento da crise de Covid-19 na China, o governo vê novos recordes sendo quebrados com 39 mortes por conta do vírus durante o domingo (24) em Xangai – onde o governo da nação asiática concentra forças para conter o surto de casos diários.

O número de mortes pela Covid-19 em Xangai, desta forma, é o mais alto desde o início do confinamento que se iniciou há semanas. O governo passou a adotar medidas ainda mais restritivas na região, que é considerada o coração financeiro do dragão asiático.

Já na Capital da China, Pequim, o governo local vê uma ‘situação difícil’ por conta do aumento drástico de infecções pela Covid-19.

Apesar da contenção, Xangai registrou suas primeiras mortes – nesta nova onda – no dia 18 de abril. Com a nova leva de óbitos, o total de mortes por conta do vírus foi de 87 na cidade, que já somou cerca de 22 mil novas infecções por coronavírus.

Em um comunicado ainda mais recentes, desta segunda (25), o site oficial do governo chinês informa que foram registradas 2.666 casos de infecções por transmissão local de um montante de 2.680 novos casos confirmados em todo o país, sendo somente 14 casos ‘importados’.

Desse montante de 2.666 casos, foram 2.472 confirmações somente em Xangai. Nas demais províncias as infecções são drasticamente menores –  79 casos em Jilin, 13 casos em Zhejiang, 26 casos em Heilongjiang.

Pequim, por sua vez, divulgou que teve somente 22 novas infecções por meio da Covid-19, após falas de um alto funcionário da capital alegando que a cidade deve tomar medidas urgentes, segundo a agência de notícias AFP.

Pang Xinghuo disse que, com as informações que as autoridades possuem, há como concluir que a Covid-19 “se espalhou de forma invisível” por uma semana, afetando “escolas, grupos de turismo e muitas famílias”.

“O risco de transmissão contínua e oculta é alto e a situação é difícil”, disse Tian Wei, funcionário da prefeitura de Pequim, em coletiva. “A cidade inteira deve agir imediatamente”, acrescentou.

Alta de Covid-19 e medidas de restrição apertam o cerco

O lockdown total em Xangai começou no início de abril e já causa revolta em alguns cidadãos da cidade. Nas redes sociais, alguns internautas lutaram contra os censores durante a noite para compartilhar um vídeo de seis minutos intitulado “A Voz de Abril”, uma montagem de vozes gravadas ao longo do surto de Xangai.

O vídeo mostra moradores reclamando da falta de comida e remédios e também das estratégias atuais utilizadas pelo governo chinês como forma de conter o avanço da pandemia.

Todas as referências diretas ao vídeo foram removidas da rede social Weibo – uma das maiores da China, com 445 milhões de usuários – na manhã de sábado (23), embora alguns comentários criticando a censura tenham permanecido na rede.

“Só posso dizer que se você não quiser ouvir apenas uma pequena quantidade de vozes reais, então é realmente inútil”, disse um deles.

“Dr. Li, depois de dois anos nada mudou”, disse outro usuário do Weibo. “Ainda não conseguimos abrir a boca, ainda não conseguimos falar.”

Como funciona o lockdown em Xangai

As medidas de contenção à pandemia foram divulgadas no fim de março, conforme reportado pelo Suno Notícias. À época, foram reportados 2.631 novos casos de coronavírus, volume que correspondia a 60% das novas infecções sem sintomas registradas no mesmo dia em todo o país.

Por conta de ser um centro financeiro de uma das maiores economias, até então as autoridades resistiam à ideia de um lockdown em Xangai.

As novas medidas incluem  suspensão do transporte público, segundo informe do governo da cidade em sua conta oficial do WeChat. Além disso, ‘veículos não aprovados’ não são permitidos nas estradas.

As autoridades também afirmaram que todas as empresas e fábricas suspenderam a manufatura ou trabalhar de forma remota durante o lockdown.

A exceção são as que estão rotuladas como essenciais pelo governo da China – de serviços públicos ou que atuem no fornecimento de alimentos.

“Pedimos ao público que apoie, compreenda e coopere com o trabalho de prevenção e controle da epidemia da cidade e participe dos testes de maneira ordenada”, disse o governo da China sobre as medidas adotadas em Xangai, à época.

Até então, as autoridades governamentais tinham restrições que eram baseadas na triagem por bairros. Contudo, Xangai se tornou um dos principais campos de testes diante da estratégia de “Covid zero” na China.

Com o avanço das variantes, residentes questionaram a eficácia do modelo sanitário, já que os ciclos de testes eram considerados “intermináveis”.

Em outras cidades da China, milhões de pessoas haviam sido submetidas a lockdowns e duras medidas restritivas mesmo com poucos casos da Covid-19.

Eduardo Vargas

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