Fabio Louzada

O que você precisa saber antes de fazer uma reserva de emergência?

Criar uma reserva de emergência é um passo crucial na gestão financeira e, para fazer isso com sucesso, é fundamental compreender como ela funciona e quais são as opções disponíveis de investimentos

Criar uma reserva de emergência é um passo crucial na gestão financeira e, para fazer isso com sucesso, é fundamental compreender como ela funciona e quais são as opções disponíveis de investimentos para colocar seu dinheiro. Mas o que é a reserva de emergência?

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Nada mais é que a quantia de dinheiro que mantemos disponível para fazer frente a despesas inesperadas, como a perda de emprego, despesas médicas não planejadas ou qualquer outra situação que exija recursos financeiros imediatos. Ter uma reserva bem estabelecida impede que nos encontremos em situações desesperadoras, como a necessidade de recorrer a empréstimos bancários com taxas de juros elevadas. A quantia a ser reservada depende da previsibilidade de renda e do custo mensal das despesas.

Tendo isso em vista, o primeiro passo é avaliar a estabilidade da renda. Se for constante e segura, como no caso de um funcionário público, que tem mais estabilidade, podemos considerar uma reserva de menor valor. No entanto, se a renda for variável, como acontece com muitos empreendedores, é prudente pensar em uma reserva maior. Essa previsibilidade de renda é categorizada de 1 a 4. Na previsibilidade 1, é necessário ter uma reserva de 12 meses de custo mensal. Na previsibilidade 2, nove meses de custo mensal. Já na previsibilidade 3, são seis meses de custo mensal. E na previsibilidade 4, são três meses de custo mensal.

É fundamental também saber qual é o seu custo mensal, o que é determinante para calcular o valor da reserva. A reserva de emergência deve ser suficiente para cobrir essas despesas em caso de necessidade e imprevistos. Muitas pessoas pensam que devem calcular em cima do valor do salário, mas na verdade a conta deve ser em cima das despesas totais mensais.

Avalie também qual é a sua capacidade de investimento, ou seja, quanto pode economizar mensalmente para construir a reserva de emergência. Identifique a quantia que pode ser direcionada especificamente para investimentos relacionados à reserva.

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Por exemplo, se uma pessoa tem uma previsibilidade muito baixa do que vai acontecer, ou seja, pouca estabilidade financeira, precisa ter uma reserva para 12 meses. Se tem um gasto, um custo mensal de cerca de R$ 10 mil por mês, que é um custo bem alto, precisa ter uma reserva maior, de aproximadamente R$ 120 mil. Agora, se é o caso de alguém que tem mais previsibilidade de renda, pode focar em um período de três meses de reserva de emergência e se o gasto mensal é aproximadamente R$ 10 mil também, o total da reserva ficaria em aproximadamente R$ 30 mil considerando o período mais curto.

Agora, depois que já calculou qual deve ser o valor da sua reserva de emergência com base na previsibilidade de renda, custo mensal e capacidade de investimentos, vem a principal questão: onde investir a reserva de emergência?

Na minha visão, a melhor opção para a reserva de emergência é, sem dúvida, o Certificado de Depósito Bancário, o CDB, com liquidez diária. Essa escolha permite o resgate do dinheiro a qualquer momento sem qualquer prejuízo. Fundos de investimento com alta liquidez e que seguem o indexador CDI ou Selic, frequentemente chamados de fundos DI, também são uma opção para a reserva de emergência, desde que ofereçam uma taxa de retorno próxima à do CDI e tenham liquidez diária. Ao escolher entre opções de CDB ou fundos, é importante considerar a taxa de retorno e a liquidez. A capacidade de acessar o dinheiro imediatamente em caso de emergência é essencial.

É importante lembrar que, ao optar por um CDB, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) protege os investimentos até R$ 250 mil reais por CPF e por instituição financeira, proporcionando segurança, mesmo em situações de falência do banco, por exemplo. Porém, é essencial ter esse teto como limite. Caso ultrapasse, o FGC não cobre o valor. Por isso, caso o montante acumulado seja maior, diversifique em outros CDBs de outras instituições para garantir que esteja 100% protegido pelo fundo, ok?

E entre tantas instituições financeiras, surge a dúvida: qual CDB escolher? Os tradicionais bancões, muitas vezes, pagam uma rentabilidade um pouco menor do que outras instituições pela reputação, credibilidade e segurança. Por isso, há diversos tipos de rendimentos entre os CDBs e, para você saber qual é melhor, primeiro recomendo que faça o cálculo da diferença e depois é necessário que analise qual é o seu perfil de investidor. É mais conservador e prefere investir com o banco em que sempre concentrou seu capital, por exemplo, mesmo recebendo um pouco menos? Ou prefere investir em outra instituição que paga um pouco mais?

Apetite a risco e seu perfil

Ao investir R$ 45 mil reais, em um CDB rendendo 106% do CDI, num prazo de 360 meses, o valor final da rentabilidade bruta é de aproximadamente R$ 52.310,94. Já ao investir o mesmo valor em um CDB de bancão rendendo 100% do CDI, no mesmo período, a rentabilidade fica em aproximadamente R$ 51.886,70. Em ambos os casos, estamos considerando o desconto do imposto de renda de 17,5%, correspondente ao período. Nesse caso, a diferença entre os CDBs será de aproximadamente R$ 424,23. E aí vale a pena? Tudo vai depender do seu apetite a risco e do seu perfil!

Agora, se prefere investir em fundos DI, é importantíssimo ter em mente que não basta esse fundo seguir o indexador CDI. É preciso olhar a liquidez. Esse fundo tem quanto tempo de resgate? Ao estudar sobre o fundo, veja qual é o prazo de cotização e liquidação financeira. Se não tem liquidez diária, não é para reserva de emergência! Você até pode aplicar com o objetivo de aumentar a rentabilidade da sua carteira, mas não como reserva. Outro cuidado é com a taxa de administração. Há fundos que cobram taxas muito altas e, com isso, pode não valer a pena investir nesse tipo de fundo. Procure fundos com taxas abaixo de 0,25% e que rendam no mínimo 100% do CDI.

É fundamental também acompanhar regularmente o desempenho do fundo DI escolhido. Observe se ele continua oferecendo liquidez diária e se a rentabilidade está de acordo com as expectativas. Leia atentamente os prospectos e documentos contratuais do fundo DI antes de investir. Isso ajudará você a entender os termos e condições do investimento. Veja quais são os produtos em que o fundo investe antes de escolher o produto.

Diversifique os seus investimentos e atente-se em relação ao limite de R$ 250 mil do FGC por instituição e por CPF ao investir em um CDB. Fundos de investimentos não contam com a proteção do seguro. Além disso, é fundamental que você mantenha sua reserva separada de seus outros investimentos, como aposentadoria ou objetivos de longo prazo. E lembre-se! Para criar uma reserva de emergência, é essencial investir em opções financeiras que ofereçam segurança, liquidez e baixo risco. Afinal, a principal prioridade da reserva de emergência é ter o dinheiro disponível imediatamente quando necessário!

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Nota

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