Hilton Menezes

Multi Corporate Venture Capital: o “M”do CVC

Como as companhias podem mergulhar na tendência do Multi Corporate Venture Capital sem perder a essência, mantendo o foco da competitividade e gerando inovação real em seus ecossistemas de negócio

O conceito de Multi Corporate Venture Capital (MCVC) está emergindo como uma poderosa estratégia de investimento colaborativo, em que múltiplas corporações unem forças para financiar startups e inovações. Esta abordagem não só otimiza a alocação de capital, mas também promove a troca de conhecimento e a cooperação entre empresas, permitindo que se enfrente de maneira conjunta os desafios de seus setores.

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Mas aonde vai dar isso tudo? A ideia é bastante ambiciosa, porque não se trata apenas de promover alocação de capital conjunta em insights poderosos, mas fundamentalmente abrir espaço a uma troca de conhecimento entre os atores. E isso a gente já conhece. Tem até alguma memória afetiva. Porque é algo parecido com Inovação Aberta.

Noves fora, dados recentes dão conta de que o Brasil, em inovação aberta – um bom parâmetro para MCVC, cabe o grifo – experimentou uma expansão significativa. Ou seja, 80% das empresas consultadas por levantamentos realizados por ACE Cortex e Sing Hub no ano passado, admitem adotar a estratégia.

Só que admitir é uma coisa e saber usar é outra. Bem diferente, inclusive. Porque desafios como o alinhamento de expectativas e a integração com a cultura interna permanecem​​.

Quer outra baliza de comparação para com o MCVC? Os fundos de Corporate Venture Capital (CVC). Essa turma, além de refletir o amadurecimento do ecossistema, cresceu 142% em 2021, registrando uma entrada de recursos da ordem de US$ 169 bilhões, que naturalmente foram investidos em iniciativas mundo afora.

Além de estar no mesmo ecossistema, os CVCs estão acostumados com risco. Algo que a turma do MCVC vai encontrar, e muito, pela frente.

Para os CVCs, há quatro tipos de estratégias: financeiro, estratégico, híbrido e em transição. Os estratégicos têm como prioridade investimentos que apoiam diretamente o crescimento da empresa-mãe. Um exemplo é a Henkel Ventures, que prioriza retornos estratégicos sobre os ativos financeiros, e a Unilever Ventures, que foca em marcas que complementam os negócios previamente existentes.

Já os financeiros são impulsionados pela maximização dos retornos de alocação de capital e funcionam de forma mais independente da empresa-mãe. Um exemplo é a Toyota Ventures, que prioriza o retorno financeiro sobre o estratégico. Ao passo que os híbridos buscam equilibrar os retornos financeiros com a criação de valor estratégico para as empresas investidas. A Qualcomm Ventures, por exemplo, oferece oportunidades de colaboração e soluções tecnológicas de longo prazo, mas ainda valoriza retornos financeiros.

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Por fim, há os CVCs em transição, que estão mudando entre abordagens estratégicas, financeiras ou híbridas. É importante que as startups entendam essas diferenças para encontrar o tipo de fundo que melhor atende às suas necessidades estratégicas e financeiras.

No MCVC, além da definição já aqui externada, há a figura do gestor independente. Esse profissional especializado toma decisões de investimento com base em regras e políticas estabelecidas pelas corporações parceiras.

De acordo com a Touchdown Ventures, 8% dos CVCs formados globalmente em 2023 seguiram essa abordagem, a do gestor. E isso, de certa maneira, consolida o MCVC como um modelo promissor, segundo artigo publicado em Neofeed.

Gustavo Junqueira, sócio fundador da gestora de venture capital KTPL, no artigo citado acima, ressalta que o MCVC pode mitigar riscos, oferecer acesso a tecnologias inovadoras e, o mais importante, conciliar os conflitos entre os mundos corporativo e de venture capital. Esse modelo ajuda a integrar a visão de longo prazo dos investimentos com a agilidade necessária para enfrentar as mudanças rápidas do mercado.

Há quem corrobora e acresça. É o caso de Ilya Strebulaev, especialista em venture capital. Strebulaev destaca três fatores críticos para o sucesso do MCVC. A saber

  • Motivações Claras: As corporações devem entender seus objetivos ao aderir a um MCVC.
  • Objetivos Alinhados: O sucesso depende de clareza nos objetivos, garantindo que todas as partes compartilhem a mesma visão.
  • Métricas Bem-Definidas: As métricas de desempenho precisam ser mensuráveis, com uma estratégia bem estruturada para avaliá-las.

Trocando em miúdos, o modelo MCVC proporciona uma abordagem inovadora para corporações que desejam crescer de forma colaborativa e estratégica. Ao combinar recursos, expertise e políticas bem definidas, essa prática cria um ambiente que favorece a inovação aberta e a integração de interesses comuns, superando desafios de alinhamento e riscos inerentes ao mundo do venture capital. A clareza de propósitos, objetivos compartilhados e métricas mensuráveis permitem que o MCVC navegue pelos complexos ecossistemas de inovação com sucesso, impulsionando a evolução de setores inteiros e gerando valor significativo para startups e corporações.

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Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

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