Ações recomendadas para janeiro: por que o mercado começa o ano sem grandes apostas

Janeiro costuma marcar o momento em que investidores ajustam expectativas e tentam antecipar tendências para os próximos meses, mas as carteiras recomendadas de ações para o início de 2026 mostram um mercado bem menos disposto a “reinventar a roda”. As seleções divulgadas por bancos e casas de análise como BTG Pactual, Genial, Itaú BBA, Santander, BB Investimentos e Andbank revelam um consenso claro: o ano começa com cautela, repetição de nomes conhecidos e foco em empresas já testadas em diferentes ciclos.

Depois de um fim de 2025 marcado por volatilidade, ajustes macroeconômicos e maior sensibilidade ao cenário político e fiscal, o mês de janeiro surge mais como um período de observação do que de apostas agressivas. O pano de fundo comum entre os relatórios é a busca por previsibilidade, liquidez e modelos de negócio resilientes, especialmente em setores tradicionais da Bolsa.

Bancos, commodities e energia dominam as ações do começo do ano

Quando se olha o conjunto das carteiras, alguns padrões ficam evidentes. Bancos aparecem de forma recorrente, com Itaú Unibanco (ITUB4) figurando em várias seleções, seja como pilar defensivo, seja como aposta em rentabilidade consistente. Bradesco (BBDC4) também aparece com frequência, sobretudo nas carteiras mais voltadas ao Ibovespa e ao mercado doméstico.

No bloco de commodities, Vale (VALE3) se consolida como o nome mais consensual entre as casas. A mineradora está presente nas carteiras do BTG, Genial, Santander e Agora, refletindo a leitura de que, mesmo com oscilações no minério, a companhia segue com estrutura de custos competitiva e geração de caixa robusta.

O setor de energia também ganha destaque. Petrobras (PETR3/PETR4) aparece de forma recorrente, ao lado de Vibra Energia (VBBR3) e Eneva (ENEV3), sinalizando que o mercado segue confortável com empresas ligadas à cadeia energética, tanto pela previsibilidade operacional quanto pelo peso relevante no índice.

Indústria e infraestrutura completam o núcleo mais defensivo, com WEG (WEGE3) figurando em diversas carteiras e reforçando a preferência por companhias com exposição global e histórico consistente de execução.

As ações mais citadas nas carteiras de janeiro

Ao cruzar todas as carteiras recomendadas do BTG, Genial, Itaú BBA, Santander, BB Investimentos, Agora e Andbank, algumas ações aparecem com mais frequência:

  • Vale (VALE3)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Petrobras (PETR3/PETR4)
  • WEG (WEGE3)
  • Bradesco (BBDC4)

Esses nomes se repetem independentemente da estratégia — seja Ibovespa, carteiras mais concentradas ou seleções mais amplas —, o que reforça a leitura de que janeiro começa com preferência clara por empresas grandes, líquidas e já amplamente acompanhadas pelo mercado.

Continuidade é a palavra-chave das carteiras

A leitura dos relatórios mostra que janeiro não foi tratado como um mês de ruptura. Na Genial, por exemplo, a estratégia destaca que “a combinação de fatores analisados ao longo do mês aponta para uma mensagem central de assimetria”, mas sem pressa para assumir riscos adicionais. Já o BB Investimentos manteve uma carteira equilibrada, com rodízio pontual, mas preservando a diversificação setorial e o foco em empresas consolidadas.

No Itaú BBA, a composição mais extensa reforça a ideia de diluição de risco, enquanto o Santander opta por uma carteira mais concentrada, mas ainda assim ancorada em nomes tradicionais. O Andbank segue linha semelhante, priorizando negócios com maior previsibilidade de resultados neste início de ciclo.

Janeiro começa com cautela, não com euforia

O desenho das carteiras deixa claro que o mercado prefere começar 2026 sem grandes movimentos táticos. A repetição das mesmas ações entre diferentes casas sugere que os analistas veem o início do ano como um período de ajuste fino, em que a prioridade é atravessar os primeiros meses com portfólios robustos e menos sensíveis a ruídos de curto prazo. Essa leitura aparece de forma explícita nos próprios relatórios, como resume um dos documentos: “a carteira recomendada reflete o posicionamento considerado mais adequado para o mês, levando em conta o cenário macroeconômico, a dinâmica dos mercados e o perfil das companhias selecionadas”.

Maíra Telles

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