Estas são as melhores ações para investir do setor de energia e receber dividendos
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O setor de energia é um dos mais buscados pelos investidores que focam em dividendos, uma vez que, historicamente, as companhias desse segmento combinam segurança com previsibilidade de fluxo de caixa. Mas dentre tantas opções de ações para investir, quais elétricas são as melhores escolhas para se ter renda passiva?

José Áureo Viana, sócio e private banker na BLUE3 Investimentos destaca que o setor elétrico distribuiu R$ 93,2 bilhões em dividendos entre 2020 e 2024, desempenho que, segundo ele, foi impulsionado principalmente por empresas de geração e transmissão de energia, que operam em ambiente regulado.
“A natureza desses segmentos, com contratos de longo prazo, correção pela inflação e tarifas predefinidas, confere previsibilidade às receitas e, consequentemente, consistência nos proventos“, afirma.
Quais empresas se destacam historicamente em dividendos?
O especialista complementa dizendo que empresas integradas (que combinam geração, transmissão e/ou distribuição), tendem a ser vistas como boas pagadoras de dividendos, sobretudo quando conseguem equilibrar ativos regulados com investimentos eficientes.
“Entre os exemplos que se destacam historicamente no Ibovespa, vale citar companhias como Taesa (TAEE11) e Engie Brasil (EGIE3), que atuam em segmentos com forte previsibilidade de receita, além de empresas integradas como Copel (CPLE6) e Cemig (CMIG4), que conciliam geração, transmissão e distribuição em seus portfólios”, completa.
Ações para investir e receber dividendos
As ações da Copel, aliás, figuram na carteira recomendada de dividendos da Toro/Santander para o mês de agosto.
“Em maio, a Copel anunciou sua tão aguardada nova política de dividendos e estrutura de capital. O payout anual mínimo será de 75% do lucro líquido, com pagamentos ocorrendo pelo menos (e podendo ser mais) duas vezes ao ano. Assumindo que a empresa encerrará 2025 com uma alavancagem de 2,8x, estimamos um dividend yield de aproximadamente 9,5% em 2025″, diz a casa sobre as ações CPLE6.
Outras duas ações de energia que fazem parte do portfólio de dividendos da Toro/Santander são Alupar (ALUP11) e CPFL (CPFE3).
“As ações da Alupar continuam sendo a mais interessante em nossa cobertura no segmento “, diz a casa.
Já as ações da CPFL, segundo os analistas, são uma boa opção pois possuem posicionamento defensivo e geração estável de fluxo de caixa, que deve se manter forte para os próximos 3 anos.
As ações CPFE3 também constam na carteira de dividendos do BB Investimentos para agosto, ao lado de ISA Cteep (ISAE4) e as já citadas ações da Cemig.
Já as ações da Taesa, listadas por José Áureo Viana, constam nas ações de dividendos preferidas da Planner Investimentos para agosto.
“Esperamos que o Conselho de Administração aprove a distribuição de proventos em agosto no montante de R$ 0,20/Unit. O retorno estimado é de 0,6%”, projeta a casa.
Vale observar de perto
Outra companhia que merce atenção quando o assunto é dividendo é a Eletrobras (ELET3/ELET6). No início deste mês, a companhia surpreendeu positivamente o mercado com o anúncio de dividendos intermediários no valor de R$ 4 bilhões.
Nessa esteira, o Santander afirmou que a empresa pode continuar entregando dividendos expressivos nos próximos anos, com um aumento potencial do EBITDA de 13,2% entre 2027 e 2030.
Se os preços de energia se mantiverem elevados, os dividendos da Eletrobras totais podem alcançar R$ 51 bilhões até 2030, diz a casa, com um rendimento médio de 12,3% entre 2025 e 2027. Mesmo em um cenário mais conservador, com preço da energia projetado para R$ 130/MWh após 2027, o valor poderia cair para R$ 38 bilhões, mas ainda assim gerando um retorno significativo de 37,8%.
Já segundo o UBS, as ações da Eletrobras estão sendo negociadas com desconto em relação a seus pares e têm um retorno potencial estimado de 30,3%, somando valorização e dividendos em 12 meses.
Assim, as principais ações de energia que pagam dividendos, segundo levantamento feito pelo Suno Notícias com especialistas e relatórios, são:
- Taesa (TAEE11);
- Engie Brasil (EGIE3);
- Copel (CPLE6);
- Cemig (CMIG4);
- Alupar (ALUP11);
- CPFL (CPFE3);
- ISA Cteep (ISAE4);
- Eletrobras (ELET3/ELET6)
O que analisar antes de investir?
José Áureo Viana destaca que, com a expectativa de queda da taxa básica de juros para os próximos anos, a atratividade das elétricas frente à renda fixa tende a ganhar destaque, uma vez que os dividendos tornan-se mais atrativos pela sua previsibilidade e estabilidade no pagamento.
Contudo, para se beneficiar do pagamento de dividendos pelas elétricas, o especialista alerta que é preciso entender a diversidade do segmento: geração, transmissão e distribuição, além da distinção entre empresas públicas e privadas.
Segundo Viana, alguns indicadores e características essenciais para se ter no horizonte ao escolher uma ação de energia são:
- Histórico de distribuição de dividendos;
- Nível de endividamento;
- Ativos regulados;
- Duração dos contratos vigentes;
- Nível de eficiência operacional
“Também é importante observar a diversificação na matriz energética, reduzindo exposição a riscos climáticos ou de geração, além da visão estratégica clara, com foco em renováveis ou infraestrutura resiliente”, afirma.
As empresas muito concentradas em geração hídrica, por exemplo, podem sofrer em cenários de escassez de chuvas, diz Viana. Já distribuidoras, segundo o especialista, podem enfrentar maior volatilidade devido a perdas não técnicas (como furtos de energia) e inadimplência, o que também impacta negativamente nos dividendos.
Vale destacar que esta matéria possui caráter informativo e não consiste em uma recomendação de compra ou venda de ações para investir.