Ibovespa dribla pressão de Jackson Hole e fecha semana com alta de 2,71%

O Ibovespa conseguiu reagir na reta final desta sexta-feira (28) e encerrou o pregão em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos, garantindo a oitava valorização consecutiva. O índice oscilou entre 173.893,63 e 176.420,61 pontos ao longo da sessão, marcada pela volatilidade após o discurso de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), no simpósio de Jackson Hole.

Na semana, o principal índice da B3 avançou 2,71%, recuperando parte das perdas acumuladas em agosto depois de atravessar uma sequência de 11 quedas consecutivas no início do mês.

O tom mais duro de Warsh chegou a derrubar o índice durante o pregão. O presidente do Fed reforçou o compromisso com a meta de inflação de 2% e indicou que o banco central norte-americano ainda pode precisar agir para controlar os preços, aumentando as apostas em uma alta dos juros dos Estados Unidos em setembro.

Ainda assim, a menor pressão de saída de capital estrangeiro e o desempenho de ações de peso, especialmente Petrobras (PETR4), ajudaram o Ibovespa a recuperar terreno antes do fechamento.

Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, avalia que a semana como um todo foi marcada por uma recuperação da bolsa brasileira, após a forte correção registrada na primeira metade de agosto.

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“A recuperação teve dois motores principais: a queda do petróleo, que melhora o cenário inflacionário global e doméstico. Também houve algum retorno de fluxo estrangeiro, com investidores recompondo posições em ações que caíram muito ao longo do mês, especialmente Vale e bancos”, afirma.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar à vista: alta de 0,67%, cotado a R$ 5,1965.

A moeda norte-americana ganhou força depois do discurso de Warsh, acompanhando a valorização global do dólar e a alta dos rendimentos dos Treasuries. Na semana, a divisa avançou cerca de 1% frente ao real.

Segundo Bruna, o câmbio permaneceu na faixa de R$ 5,14 a R$ 5,16 durante boa parte da semana antes de se aproximar dos R$ 5,20 nesta sexta-feira justamente com a reação dos investidores a Jackson Hole.

Fechamento das bolsas americanas

Wall Street também sentiu o discurso mais duro do presidente do Fed e encerrou a sexta-feira no vermelho:

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  • Dow Jones: queda de 0,02%, aos 53.559,99 pontos;
  • S&P 500: baixa de 0,25%, aos 7.711,76 pontos;
  • Nasdaq: recuo de 0,52%, aos 26.402,42 pontos.

A fala de Warsh aumentou as apostas de que o Fed poderá voltar a elevar os juros já em setembro, cenário que tende a pressionar ativos de risco e mercados emergentes.

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“O mercado antecipou de outubro para setembro a aposta de alta de juros, com a probabilidade saltando de cerca de 35% para acima de 55% ao longo da sexta-feira”, destaca Bruna.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Entre os destaques positivos, a Petrobras (PETR4) avançou mesmo com a queda do petróleo no exterior e ajudou a sustentar o índice. A companhia foi beneficiada por notícias envolvendo a suspensão do imposto de exportação de petróleo e por uma vitória em leilão da União.

Vale (VALE3) também permaneceu entre os papéis que ajudaram na recuperação recente do índice, enquanto a Oncoclínicas (ONCO3), que não integra o Ibovespa, voltou a chamar atenção pela forte volatilidade após a decisão da CVM envolvendo uma oferta pública de aquisição de ações.

Para a próxima semana, as atenções se voltam ao PIB do segundo trimestre no Brasil e, nos Estados Unidos, aos dados do mercado de trabalho, com JOLTS, ADP e payroll. Após a mensagem mais dura de Jackson Hole, os indicadores poderão ser decisivos para calibrar as expectativas sobre os próximos passos dos juros americanos.

Na avaliação de Bruna Sene, o cenário ainda pede cautela. “A tese estrutural de que a bolsa segue barata continua válida, mas o mercado deve permanecer em compasso de espera até que o quadro eleitoral se defina.”

A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quinta-feira (27), foi de 175.135,41 pontos, com alta de 0,31%.

Maíra Telles

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