Copel (CPLE3) recua após elevar meta de alavancagem; entenda
As ações da Copel (CPLE3) estão operando em forte queda nesta quinta-feira (16). Por volta das 12h, os papéis recuavam 2,53%, cotados a R$ 14,64. O movimento acompanha a repercussão de uma mudança anunciada pela companhia em na política de estrutura de capital. A elétrica informou que passou a adotar uma meta de alavancagem financeira mais elevada, o que gerou reação negativa entre os investidores.
O conselho de administração da Copel aprovou uma atualização dos parâmetros que orientam a estrutura ótima de capital e a política de dividendos da companhia. A decisão eleva o parâmetro de referência para a alavancagem financeira de 2,8 vezes para 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
A faixa de tolerância também foi ampliada. Antes, o intervalo aceito ia de 2,5 vezes a 3,1 vezes o Ebitda. Agora, a companhia passa a trabalhar com uma banda entre 2,6 vezes e 3,2 vezes.
Outra alteração diz respeito ao prazo de convergência. O tempo para que a companhia retorne ao centro da meta de alavancagem, caso se afaste dela, subiu de até 24 meses para até 48 meses. Na prática, a Copel ganha mais tempo e mais espaço para se endividar sem descumprir os próprios parâmetros internos.
Apesar da mudança na estrutura de capital, a política de remuneração aos acionistas foi mantida. A companhia segue comprometida a distribuir o mínimo de 75% do lucro líquido anual em dividendos e juros sobre capital próprio, com pelo menos duas distribuições de proventos por ano.
Como o mercado reagiu à decisão da Copel (CPLE3)
Para o JPMorgan, a revisão dá mais flexibilidade ao balanço da companhia. Ainda assim, o banco adota uma leitura mais cautelosa sobre a remuneração aos acionistas nos próximos anos.
Segundo a instituição, alguns fatores devem limitar uma distribuição mais generosa de dividendos no curto e médio prazo. Entre eles estão o adiamento de cerca de R$ 1 bilhão em reajustes tarifários da distribuidora, o início de investimentos em expansões hidrelétricas a partir de 2026 e o cenário de juros mais altos no Brasil.
A Copel (CPLE3) destacou que a revisão busca equilibrar cinco frentes consideradas centrais para o crescimento sustentável do negócio: a preservação da solidez financeira, o retorno consistente aos acionistas, a capacidade de investimento, o aproveitamento de oportunidades estratégicas e a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados aos clientes.